Política

Derrota de José Eliton compromete futuro de Marconi

Redação DM

Publicado em 8 de junho de 2018 às 02:19 | Atualizado há 1 ano

Marconi Perillo tem dian­te dele a maior missão na história dos tucanos de Goiás: animar uma pré-cam­panha majoritária ainda paralisa­da, apaziguar seu grupo político à beira de um ataque de nervos e manter-se vivo diante de uma sé­rie de ações na Justiça que atrapa­lha sua projeção política e a vida do grupo que representa.

Nacionalmente, o PSDB se desin­tegra diante de denúncias e investi­gações contra todos tucanos proe­minentes – caso do senador Aécio Neves e mais recentemente do ex­-presidente Fernando Henrique Car­doso (FHC), flagrado pedindo “o de sempre” para Odebrecht.

Mais um pepino para Marconi: a campanha de Geraldo Alckmin não decola e começa a sofrer críti­cas dentro do próprio grupo.

Não bastasse, a situação em Goiás é tão pior quanto: o candi­dato de Marconi ao governo está ainda mais distante do primeiro colocado do que Alckmin dos líde­res da pesquisa nacional.

É a partir deste cenário difícil que chega nesta semana em Goiás o ex-governador, após um conside­rável número de dias afastado da política goiana.

Dentro de um labirinto, Marco­ni precisa destrinchar o conjunto de percursos intrincados que foram cria­dos pela oposição e conjunturas que já desorientam a base.

MISSÃO DIFÍCIL

A primeira fase da pré-campanha foi vencida há 40 dias por Ronaldo Caiado (DEM), seu adversário po­lítico. Marconi não atraiu ninguém de peso para o grupo aliado a José Eliton. Ao contrário, Caiado puxou emedebistas históricos, foi lá dentro da base e trouxe de volta o senador Wilder Morais, que ajudava Marco­ni com grandes parcelas de recursos públicos para fazer obras.

A segunda fase da pré-campa­nha já teve início com o anúncio da segunda rodada das pesquisas eleitorais. Caiado manteve-se dis­tante do nome governista. Esta fase segue até o fim de junho, em plena Copa do Mundo, quando um ulti­mato será dado aos governistas: prefeitos que aguardam compro­missos com o Governo de Goiás, caso não sejam atendidos, inicia­rão o natural processo de afasta­mento da candidatura do governo.

Três prefeitos consultados pela reportagem do DM afirmam que aguardam ansiosamente um cha­mado de Marconi para falar com ele.

Marconi terá ainda que deci­dir o futuro de sua vida: perma­necer como político provinciano e lutar pela difícil reeleição de José Eliton ou tentar uma carreira polí­tica nacional e ajudar a desacredi­tada postulação de Alckmin.

PESQUISAS

Nas últimas eleições que dispu­tou o Senado Federal, em 2006, Mar­coni aparecia com 77% de intenções. Hoje, tem 16,1% no Serpes (abril). Será maior a dificuldade para se ele­ger, já que jamais a disputa teve tan­tos nomes qualificados. É ainda o fa­vorito, mas com várias fragilidades.

Diante dos três caminhos, o que mais chama atenção é a necessidade urgente de Marconi aplacar o medo dos pré-candidatos ao “chapão” de deputados. Eles temem que o PSDB asfixie os demais candidatos, impe­dindo a vitória de outros nomes fora da plumagem tucana.

Marconi terá que convencer o grupo a seguir com ele e garantir que tudo vai dar certo. Essa primeira tarefa não é difícil, já que parte dos pretendentes é domesticável e aten­de facilmente aos pedidos de Perillo.

Outra ação de Marconi que pode surtir efeito é sua condução na cam­panha de José Eliton, já que sabe como ninguém jogar a disputa ao Governo de Goiás. Terá que enfren­tar alguns problemas antes. A sena­dora Lúcia Vânia (PSB) dá sinais de descontentamento. Não é de se ad­mirar se a base perdê-la. Vilmar Ro­cha (PTB) segue o mesmo caminho. O PP se afasta cada vez mais. E o PTB tornou-se um problema com a prisão de parentes e indicados pelo cacique da legenda.

Depois disso, o líder da base alia­da tem que desarmar uma candida­tura oposicionista extremamente afiada e um cenário inóspito e dife­rente de 2006. Agora, Marconi entra no jogo com uma aprovação como governante menor do que aquela concedida ao próprio Cidinho Ro­drigues quando fechou seu gover­no em 2010. Cidinho foi estratégico: optou em não se candidatar a nada.

Existe no próprio labirinto marco­nista estruturas que o ajudam a or­ganizar sua campanha, como a taxa de imprevisibilidade de suas ações. Exemplo: Marconi Perillo costuma agir meses antes dos conflitos e pode ser que a solução para o pleito já es­teja arquivada e de fácil acesso. Neste caso, apenas nós, e o campo de bata­lha, não saberíamos da solução final.

Uma ação típica do grupo é man­jada pelos oposicionistas: enviar par­tidos para apoiá-los durante cam­panhas eleitorais e, no minuto final, puxá-los para dar ideia de que a opo­sição está perdendo força. Outra: ir lá dentro do grupo e cooptar um dos aliados, como ocorreu na campanha de 2010, quando conseguiu retirar o emedebista Thiago Peixoto da oposi­ção. ElefoieleitopeloMDB, masjáes­tava com o pé no grupo marconista.

Com pouco tempo de campa­nha, Marconi não terá espaço para experimentação. Daí que o líder tucano, como dizem aqueles que o conhecem, pode atuar de forma decisiva na mídia, retornando a ho­mogeneidade do discurso governis­ta nos principais canais de expressão. A tendência, hoje, é de rompimento. Mais habilidoso do que José Eliton, o ex-governador pode tentar impedir o movimento retilíneo uniforme que leva o grupo ao desespero.

DILEMA

O dilema para o governador per­manece em qual jogo apostar: José Eliton, Geraldo Alckmin ou em sua eleição. A derrota do primeiro im­pede sua escalada nacional, já que o seguraria em um fracasso na própria casa. A derrota de Alckmin o atrapa­lha nacionalmente, já que o PSDB está cada vez menos sem referências. Com isso todo o grupo ruiria junto. Por fim, sua derrota ao Senado mar­caria o início de um ciclo perigoso, desconhecido e que, com certeza, os marconistas não desejam.

O ex-governador deve apresentar nesta semana o fio do novelo que tem em mãos e acalmar a base. Se não co­meçar a desenrolá-lo logo, neste não maistãolongopercurso, pode ser que seja tarde demais.

Já os adversários não devem se iludir. Política não é futebol: uma jo­gada decisiva leva toda a temporada.

 

 

Ex-governador desapareceu das redes e frequentou eventos nacionais

Pouco depois que deixou o Go­verno de Goiás, no início de abril, Marconi Perillo foi para São Paulo e Brasília. Na capital paulista, se en­controu com os “ex” Geraldo Alck­min e João Doria, na tentativa de criar informação para beneficiar o início da gestão de José Eliton.

A ação midiática em torno do “Corujão na Saúde” ocorreu no dia 16 de abril e serviu para mos­trar que o PSDB estava unido em torno de programas.

Uma semana depois, em 25 de abril, Marconi foi até Brasília par­ticipar da posse da nova diretoria do Conselho Nacional de Secretá­rios de Saúde (Conass). Ali, fez fo­tos com o secretário Leonardo Vile­la e foi elogiado por Ronald Ferreira, presidente do Conselho Nacional de Saúde (CNS), que destacou em Marconi a “visão acertada” por es­colher bons gestores para o setor.

FÉRIAS

Depois, Marconi tirou férias e foi para a Ásia, onde teria tam­bém fechado negócios para Goiás. Logo após, começou uma série de boatos sobre o ex-gestor. Um de­les dava conta de que Marconi te­ria ido para Itália e depois Rússia. Nada se confirmou.

Na quarta-feira, 6, o senador apareceu no Palácio das Esmera­das, em Goiânia, ao lado de José Eli­ton. Nos dias anteriores, suas posta­gens nas redes sociais se mostraram genéricas. Marconi fala do Fica, dos jogos de vôlei e de um talento do balé. Não fez comentários sobre a tragédia com nove adolescentes mortos no centro de internação.

Na última foto realmente de Marconi, publicada em seu Insta­gram, ele aparece em 6 de maio ao lado de Geraldo Alckmin, em Itati­ba (SP). Em 3 de junho, atualizou às 20h08 seu perfil no Facebook.

Na campanha, ele costuma usar as redes sociais para fazer política. Pode ser que desta vez ele procure outros meios de campanha

 

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