Discurso contra urnas eletrônicas gera alerta na pré-campanha de Flávio Bolsonaro
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 23 de julho de 2026 às 14:17 | Atualizado há 1 hora
Questionamentos de Flávio Bolsonaro sobre as urnas eletrônicas geraram repercussão entre aliados e resposta do TSE | Foto: AFP via Getty Images
As declarações do senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) sobre a segurança das urnas eletrônicas provocaram reação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e também passaram a gerar preocupação entre integrantes de sua base política. Nos bastidores, aliados avaliam que a estratégia pode produzir efeitos negativos na disputa eleitoral, especialmente fora do núcleo mais fiel do bolsonarismo.
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Nesta semana, Flávio afirmou que um relatório da Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA) apontaria a utilização de urnas fabricadas pela empresa venezuelana Smartmatic em fraudes eleitorais naquele país. Em seguida, declarou que equipamentos da mesma empresa também seriam utilizados nas eleições brasileiras.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rebateu as declarações em nota oficial. A Corte esclareceu que a Smartmatic nunca forneceu urnas eletrônicas ao sistema eleitoral brasileiro e lembrou que essa informação já havia sido desmentida anteriormente. Segundo o tribunal, a empresa participou de uma licitação para fornecimento dos equipamentos, mas não venceu a concorrência.
Aliados acompanham possível impacto entre eleitores e partidos
Embora o discurso seja visto como capaz de mobilizar o eleitorado mais identificado com o ex-presidente Jair Bolsonaro, pessoas próximas ao senador acreditam que a estratégia pode ter reflexos negativos junto a outros segmentos do eleitorado.
A avaliação é que os questionamentos ao sistema eleitoral podem afastar eleitores independentes e também aqueles que se posicionam à direita, mas que não integram a base bolsonarista. Para aliados, esses grupos costumam exercer papel decisivo em disputas presidenciais polarizadas.
Pesquisas de intenção de voto divulgadas nas últimas semanas já apontaram uma redução no desempenho de Flávio Bolsonaro justamente entre esses dois segmentos. Diante desse cenário, a equipe política do senador pretende acompanhar os próximos levantamentos para verificar se haverá novos impactos. Um dos estudos aguardados é a pesquisa Datafolha, prevista para esta sexta-feira (24).
O posicionamento do parlamentar também repercutiu entre lideranças do Centrão. Nos bastidores, integrantes do bloco avaliam que a insistência em questionar as urnas eletrônicas pode dificultar a formação de alianças para a campanha presidencial.
Na avaliação de um líder do Centrão, esse tipo de discurso fortalece a narrativa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e reduz o interesse de outras siglas em apoiar um candidato que mantém críticas recorrentes ao sistema eleitoral.