Elias Vaz fez ofensiva contra gastos das Forças Armadas
Redação DM
Publicado em 23 de dezembro de 2022 às 15:40 | Atualizado há 4 anosO futuro ministro da Justiça, Flávio Dino, anunciou nesta quarta-feira, 21, que convidou o seu colega de partido, o deputado Elias Vaz (PSB-GO), para assumir a posição de secretário Nacional de Assuntos Legislativos na pasta.
Elias Vaz ficou marcado nos últimos anos por uma série de levantamentos que fez a respeito de gastos realizados pelas Forças Armadas e pelo presidente Jair Bolsonaro, informações que, em muitos casos, se transformaram em denúncias e que, hoje, são investigados pelo Tribunal de Contas da União (TCU).
A lista de denúncias levantadas pelo parlamentar inclui casos polêmicos, como a revelação da compra de 35 mil comprimidos de Viagra para as Forças Armadas, com suspeitas de superfaturamento nos contratos de até 143%. A área técnica do TCU recomendou medidas para a devolução do dinheiro.
Outro caso notório envolve a compra de próteses penianas. O parlamentar denunciou a autorização do Ministério da Defesa para a compra de 60 próteses para unidades ligadas ao Exército. O custo das próteses infláveis de silicone, de até 25 centímetros, é de quase R$3,5 milhões, com valores unitários entre R$50 mil a R$60 mil, enquanto os modelos fornecidos pelo SUS custam cerca de R$2 mil.
Cartão corporativo
Elias Vaz também mobilizou sua equipe parlamentar para analisar os gastos com cartão corporativo do Bolsonaro em período eleitoral e identificou um aumento de 108% em gastos com o cartão. As faturas de agosto, setembro e outubro somaram R$9.188.642,20, média de R$3.062.880,73 por mês. Para se ter uma ideia do impacto dos gastos, o valor supera em 108% a média mensal do ano passado, que foi de R$1.574.509,64.
Foram levantadas, ainda, informações sobre as férias de Bolsonaro em São Francisco do Sul (SC) e no Guarujá (SP), entre 18 de dezembro de 2020 e 5 de janeiro deste de 2021. Custaram aos cofres públicos R$2,452 milhões. O Carnaval do presidente em Santa Cruz do Sul, no litoral de Santa Catarina, consumiu mais R$1,790 milhão, somando hospedagem, alimentação e passagens aéreas da equipe.
No ano passado, o parlamentar revelou a compra para as Forças Armadas de 714 mil quilos de picanha e 80 mil cervejas, inclusive com exigência de que fossem de marcas como Heineken e Stella Artois. O apetite militar exigiu ainda mais de 150 mil quilos de bacalhau; 438,8 mil quilos de salmão; 1,2 milhão de quilos de filé mignon, além de uísque 12 anos e conhaque. O levantamento resultou em um acionamento do Ministério Público Federal, que abriu mais de 20 processos em todo o País para apurar as compras.
Neste ano, outra apuração mostrou que Bolsonaro gastou mais de R$ 2,5 milhões com alimentação dentro do avião presidencial desde o início do mandato, incluindo refeições, bebidas, lanches, petiscos, frutas e doces. Há um pedido de auditoria do Tribunal de Contas da União sobre esses gastos.
Salário dos militares
Levantamento feito pelo deputado federal Elias Vaz (PSB-GO) revelou que quase 1,6 mil militares receberam benefícios de mais de R$100 mil neste ano, somando, após os descontos, R$262,5 milhões. O parlamentar analisou a folha de pagamento de 2021 e 2022 e encontrou bônus que chamam a atenção. “É um tapa na cara do povo brasileiro, que está passando por uma das piores crises dos últimos tempos. Fica claro que há uma conduta do governo Bolsonaro que privilegia um grupo das Forças Armadas, já que esses benefícios não abrangem todos os militares e nem chegam a outros servidores federais, como professores e enfermeiros”, afirma o deputado.
Um dos casos é o do ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, que recebeu, no último mês de março, R$316.548,44, incluindo o salário de R$32.633,40 mais R$282.623,84 de verbas indenizatórias. Mas o campeão de benefícios é o comandante da Aeronáutica, Carlos de Almeida Baptista Junior. Em junho do ano passado, ele ganhou o total bruto de R$818.902,09.
Convite de Dino
Ao Estadão, Elias Vaz disse que recebeu o convite diretamente por Flávio Dino. “Fiquei muito honrado. Tenho uma profunda admiração por Dino, que é hoje um dos maiores quadros políticos do País”, comentou.
Perguntado sobre quais serão suas prioridades na pasta, Vaz disse que atuar como um ponto entre a Pasta da Justiça e o Legislativo. “Meu principal foco será contribuir na estratégia geral do ministério, principalmente na relação política da pasta com o Congresso Nacional”, comentou.
Ex-vendedor e filho de lavadeira de roupas
Filho de seleiro e lavadeira de roupas, Elias Vaz de Andrade foi eleito deputado federal em 2018, pelo Partido Socialista Brasileiro de Goiás (PSB-GO), com quase 75 mil votos. Este ano, não conseguiu novo mandato, pois obteve apenas 30.411 votos.Aos 56 anos e natural de Goiânia, o parlamentar já trabalhou em biblioteca, loteria esportiva, manutenção de equipamentos eletrônicos e até como vendedor em loja de couro.Elias Vaz estudou na Antiga Escola Técnica de Goiás, no curso de eletromecânica, e é formado em Direito pela Universidade Salgado de Oliveira (Universo).O socialista foi vereador por cinco mandatos em Goiânia. Ele começou a se engajar na política aos 16 anos, no movimento estudantil. À época, Elias Vaz participou de movimentos pela implantação do transporte alternativo em Goiânia, além de ter contribuído para a criação da Cooperativa de Transportes do Estado de Goiás (Cootego).Atualmente ele integra três comissões na Câmara dos Deputados: a de Minas e Energia, a de Fiscalização Financeira e Controle e a de Finanças e Tributação. Além disso, Elias Vaz é vice-líder da bancada do PSB na Casa.
Goianos atuaram nos grupos de transição do governo Lula
A equipe de transição do ex-presidente e agora presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teve quase mil nomes. Entre eles, mais de dez foram goianos. No grupo que apresentou propostas para a área de segurança pública, participaram a deputada federal eleita Adriana Accorsi (PT), o policial rodoviário federal Fabrício Rosa, que também é suplente de deputado estadual. Deryk Santana, produtor cultural do Instituto Federal Goiano (IFG), ofereceu contribuição à cultura e educação. Na área de saúde, atuaram o ex-secretário de Saúde de Goiás e deputado federal eleito Ismael Alexandrino (PSD) e a médica Ludhmila Hajjar.Também estiveram presentes: presidente metropolitana do PSDB, Aava Santiago, para o grupo de transição Mulheres; Maria Luiza Moura, que é psicóloga e ex-conselheira do Conselho federal de Psiciologia (CFP) e ex-presidente do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), para o subgrupo Infância (dentro de Direitos Humanos); a secretária nacional da Juventude de o PT, Nádia Garcia, para Juventude; e a primeira nomeada pelo Estado, Ieda Leal, do Movimento Negro Unificado (MNU), que atua no eixo Juventude. Os goianos convocados mostram um grupo heterogêneo, com maioria de mulheres, sendo parte delas negras, jovens, além de gays, como o policial antifascista Fabrício Rosa. Nesse sentido, em entrevista recente, Nádia afirmou que as convocações mostram o tom do próximo governo. “Mostra quem nosso governo vai servir. Mulheres, negros, LGTBQIA+, jovens e outras minorias.”