Entenda esquema de R$ 2,2 milhões que levou presidente da Câmara de Rio Verde preso
Giovanna Gonçalves - Estágio DM
Publicado em 6 de fevereiro de 2026 às 15:21 | Atualizado há 5 meses
Gaeco prende presidente da Câmara de Rio Verde em operação contra fraude | Foto: Ministério Público de Goiás
A Operação Regra Três prendeu preventivamente, nesta quinta-feira (5), o presidente da Câmara Municipal de Rio Verde, Idelson Mendes. Ele é suspeito de integrar o núcleo de agentes públicos de um esquema que fraudou um procedimento de inexigibilidade de licitação para a contratação de uma instituição de ensino responsável pela realização de um concurso público do Legislativo municipal.
A empresa contratada para organizar o certame foi o Instituto Delta Proto, que tem entre seus investidores o delegado Danillo Proto. Ele foi preso já na primeira fase da operação, em agosto de 2025, suspeito não apenas de fraudar o processo de contratação da instituição, mas também de desviar recursos destinados a escolas estaduais de Rio Verde.
Segundo o Ministério Público de Goiás (MPGO), o esquema investigado teria começado em meados de 2020. Desde então, estima-se que, até 2025, cerca de R$ 2,2 milhões tenham sido desviados dos cofres públicos.
Suspensão de concurso
Em 2023, a promotora de Justiça Margarida Bittencourt da Silva Liones passou a apurar as irregularidades relacionadas ao concurso da Câmara Municipal. As suspeitas envolviam desde a contratação direta da empresa até a informação de que os candidatos não receberam a devolução da taxa de inscrição após a suspensão do certame em 2024, determinada pelo Tribunal de Contas dos Municípios (TCM).
De acordo com as investigações, o esquema se expandiu para outras frentes, como a impressão de material didático para escolas estaduais e o direcionamento ilegal da contratação do instituto responsável pelo concurso da Câmara Municipal de Rio Verde.
Outras suspeitas
O MPGO também aponta indícios da produção e uso de documentos para simular legalidade ao procedimento administrativo, além da possível atuação de advogados contratados pela Câmara que, em situação de conflito de interesses, também representariam a empresa beneficiada.
A fraude consistiria em viabilizar a realização do concurso público e, a partir disso, obter vantagem financeira indevida com a arrecadação das taxas de inscrição pagas pelos candidatos. Sem um número exato, o rombo deixado pelos desvios do concurso referido é de cerca de R$ 415 mil.
As investigações indicam ainda que, mesmo após o início das apurações, Danillo Proto e Idelson Mendes mantiveram contato e teriam atuado juntos na fraude de pelo menos outros dois contratos.
Além do presidente da Câmara, a operação prendeu, na madrugada desta quinta-feira (5), três agentes públicos do Legislativo municipal, entre eles um vereador, além de outra pessoa investigada. A ação, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco Sul), cumpriu ainda quatro mandados de prisão preventiva e cinco mandados de busca e apreensão.