Política

Ex-prefeito suspeito de matar antigo gestor segue foragido

Redação DM

Publicado em 3 de novembro de 2015 às 15:28 | Atualizado há 11 anos

O ex-prefeito de Estrela do Norte, no norte de Goiás, Welligton José de Almeida (PMDB), suspeito de matar o também outro antigo gestor da cidade, Geraldo Nicolau Filho (PSDB), continua foragido. Além dele, a polícia procura a esposa e o irmão dele, também suspeitos de envolvimento. O delegado responsável pelo caso, André Medeiros, informou que precisa encontrá-los para descobrir qual foi a motivação do crime.

“Já ouvimos funcionários do motel, membros da família, analisamos as filmagens, fizemos relatórios das imagens, o laudo cadavérico já está pronto e as perícias também. Falta encontrar o ex-prefeito para descobrir a real motivação do crime”, disse o delegado ao G1 Goiás.

Na época em que o crime foi cometido, o suspeito ainda era prefeito do município. A irmã de Wellington entregou à Câmara dos Vereadores da cidade uma carta do político renunciando ao cargo. O até então vice-prefeito da cidade Baltazar Boaventura (PT), que já comandava de forma interina, assumiu a administração definitivamente no último dia 16.

Na carta Almeida disse que, caso volte ao município, corre “risco iminente de morte”. Ele também destacou que a inocência dele “será comprovada perante à Justiça”.

O investigador informou que ainda aguarda a carta de renúncia do ex-prefeito e documento de posse do novo gestor. “Como ele era prefeito o processo dele corria com foro privilegiado. Agora que ele renunciou ao cargo vou enviar os documentos e cabe ao juiz decidir se o processo dele continuará correndo assim ou não”, esclareceu o delegado.

O homicídio ocorreu no dia 1º de outubro, em, cidade do norte goiano, que fica a 32 km de Estrela do Norte. Geraldo, 45 anos, conhecido como Curica, estava no motel com a mulher do secretário de saúde, que é irmão do ex-prefeito Wellington. Câmeras de segurança registraram o momento em que o crime ocorreu. A vítima geriu o município entre os anos de 2001 e 2008.

A tesoureira do município Renata Rezende foi presa suspeita de colaborar para o homicídio. Segundo o delegado André Medeiros, ela foi ao motel antes do crime e avisou à primeira-dama da presença da vítima no local.

“Meia hora antes, ela entrou em um HB 20 no motel, parou no quarto ao lado do da vítima, saiu do carro, verificou a presença do casal e saiu para avisar à primeira-dama”, disse Medeiros.

O investigador explicou ainda que vários fatores relacionam os suspeitos ao crime. Um deles é que os veículos que estavam no local, um Fiat Punto preto e uma caminhonete Chevrolet S10 branca, pertencem, respectivamente, à primeira-dama e ao irmão do político.

“Quando os policiais viram as imagens, fizeram a descrição física do prefeito. Tem também a coincidência dos veículos e o fato de eles terem sumido da cidade”, aponta Medeiros.

Motivação

O delegado investiga a motivação do homicídio. “Tem a questão de a vítima ter uma relação com a cunhada do prefeito ou então questão política porque a pessoa que morreu estava se movimentando para ser candidato a prefeito nas próximas eleições”, acredita Medeiros.

Para a empresária Lucivânia Lúcia de Andrade Nicolau, 43 anos, viúva do ex-prefeito morto, a morte ter ocorrido em um motel não significa que ele a traía. Ela crê que o crime tenha ligação política. “Estou sem esposo, meus filhos estão sem pai, estou em uma luta com o meu sócio para tocar o nosso negócio, e quero que se faça justiça. Isso foi um crime político, não canso de falar isso. Não tinha caso, não tinha nada. Foi crime político”, afirmou. (Com informações do G1 Goiás)

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