Política

Flávio adota linguagem neutra e afirma precisar de “todes” para vencer eleição

Aline Drumond - Estágio DM

Publicado em 25 de fevereiro de 2026 às 14:49 | Atualizado há 3 meses

De olho na eleição, Flávio amplia discurso e usa linguagem neutra | Foto: Reprodução
De olho na eleição, Flávio amplia discurso e usa linguagem neutra | Foto: Reprodução

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) recorreu a termos associados à linguagem neutra ao pedir apoio à sua eventual candidatura ao Palácio do Planalto. Em publicação feita na última segunda-feira (23) na rede social X, antigo twitter, o parlamentar apareceu em foto ao lado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e escreveu “Tá todo mundo querendo vencer a discussão. Mas o que precisamos é ganhar a eleição! Gostaria de contar com todas, todos, todes , todys e todXs!”.

A manifestação ocorre em um momento em que o debate sobre o uso de linguagem neutra volta ao centro das atenções no Judiciário. O Supremo Tribunal Federal (STF) retomou a análise de ações que questionam leis municipais e estaduais que proíbem esse tipo de expressão em ambientes escolares. O tema divide opiniões e costuma ser defendido por setores progressistas, que argumentam que a adaptação linguística é uma forma de contemplar pessoas que não se identificam com os gêneros masculino ou feminino.

No fim de 2025, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou uma lei que vetou o emprego de pronomes neutros em comunicações oficiais do poder público federal. A decisão gerou desconforto em parte da base aliada e abriu nova frente de discussão sobre os limites entre política pública, identidade de gênero e liberdade de expressão.

Apontado como pré-candidato ao Planalto com o aval do pai, Flávio tenta ampliar seu campo de diálogo além do eleitorado mais fiel ao bolsonarismo. Nos últimos meses, o senador tem adotado gestos interpretados como acenos a pautas tradicionalmente associadas a outros espectros ideológicos, incluindo debates sobre igualdade racial, direitos da população LGBTQIAP+ e valorização de manifestações culturais como o Carnaval.

Analistas avaliam que o movimento faz parte de uma estratégia para reposicionar sua imagem e buscar apoio entre eleitores de centro e direita moderada, mirando a eleição de 2026. A adoção de uma linguagem menos confrontacional e a aproximação com temas antes rejeitados por alas conservadoras seriam, nesse contexto, tentativas de ampliar sua competitividade em um cenário nacional polarizado.

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