Flávio Bolsonaro busca apoio do Republicanos, mas partido resiste
Léo Carvalho
Publicado em 26 de março de 2026 às 15:21 | Atualizado há 4 meses
Encontro entre Flávio Bolsonaro e Marcos Pereira expõe dificuldades de articulação com o Republicanos | Foto: Divulgação
O senador Flávio Bolsonaro (PL) iniciou articulações para viabilizar sua candidatura à Presidência da República, mas enfrenta resistência no Republicanos. Em reunião realizada há cerca de 15 dias com o presidente da sigla, Marcos Pereira, o diálogo não avançou e não houve abertura para discutir apoio formal.
Segundo integrantes do partido, não houve ambiente político favorável sequer para tratar da participação do Republicanos na eventual campanha do parlamentar. A relação entre Pereira e Flávio é considerada distante, e o encontro foi descrito como pouco produtivo.
A reunião ocorreu após críticas públicas de Pereira, que afirmou não ter sido procurado por Flávio desde que o ex-presidente Jair Bolsonaro o indicou como pré-candidato, em dezembro. O dirigente também demonstrou insatisfação com movimentos do PL, como a tentativa de filiação do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e a ausência de diálogo na formação de chapas estaduais, incluindo o Rio de Janeiro.
Em entrevista no fim de fevereiro, Pereira classificou a condução política como falta de habilidade e disse que esse tipo de postura não contribui para a aproximação entre os partidos.
Relação desgastada
Outro ponto de tensão foi o anúncio da pré-candidatura sem consulta prévia a partidos do campo da direita e do centrão. Pereira relatou que recebeu um convite tardio para um jantar com dirigentes partidários e afirmou não ter tido retorno após sinalizar disponibilidade para diálogo.
As divergências se intensificaram no fim do ano passado, quando houve embate público envolvendo a permanência de Tarcísio no Republicanos. Lideranças do partido reagiram a pressões do PL e defenderam a atuação da sigla como independente e estável.
Tendência de neutralidade
Diante do cenário, a tendência atual é que o Republicanos adote posição de neutralidade no primeiro turno. A estratégia em discussão prevê liberar diretórios estaduais para apoiarem diferentes candidaturas, evitando conflito interno.
A decisão final deve ser tomada nas convenções partidárias, previstas para julho.
O partido apresenta divisões internas. De um lado, há uma ala mais alinhada à direita, com nomes ligados ao governo Bolsonaro. De outro, um grupo com maior proximidade ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, especialmente no Nordeste.
Essa ala avalia que um alinhamento com Flávio Bolsonaro pode dificultar o desempenho eleitoral, sobretudo em estados onde Lula teve ampla vantagem em 2022.
Movimentações paralelas
Apesar de negar participação formal no governo federal, o Republicanos mantém espaço na Esplanada, com o Ministério dos Portos e Aeroportos. A legenda também mantém canais abertos de diálogo com o PT.
Marcos Pereira foi convidado para uma reunião com o presidente do partido, Edinho Silva, após o fim da janela partidária, em abril. Ainda assim, uma aliança formal é considerada improvável.
Impacto eleitoral
A tentativa de aproximação com o Republicanos faz parte da estratégia do PL de ampliar sua base no centrão, o que garantiria maior tempo de propaganda eleitoral em rádio e televisão.
No momento, no entanto, partidos desse campo resistem a definições antecipadas e indicam que só devem tratar de alianças mais adiante.
Entre as siglas com maior probabilidade de adesão à pré-candidatura estão PP e União Brasil, que concentram os principais esforços de articulação neste início de pré-campanha.