Política

Flávio Bolsonaro perde apoio de aliados e ministros do TSE se distanciam após carta golpista

Léo Carvalho

Publicado em 29 de outubro de 2026 às 14:32 | Atualizado há 18 minutos

Governador de SP defende resultado eleitoral, Rogerio Marinho diz não existir provas de fraude e Nunes Marques diz que votação foi normal | Foto: Rede social
Governador de SP defende resultado eleitoral, Rogerio Marinho diz não existir provas de fraude e Nunes Marques diz que votação foi normal | Foto: Rede social

A divulgação de uma carta golpista por Flávio Bolsonaro (PL-RJ) provocou distanciamento entre o senador e aliados políticos e ampliou o desconforto entre ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Kassio Nunes Marques, presidente da Corte, e André Mendonça, vice-presidente, considerados próximos do parlamentar, buscam se desvincular da iniciativa, segundo relatos de bastidores.

O documento foi divulgado na quarta-feira (28), depois da derrota eleitoral do senador. Inicialmente, Flávio se apresentou como o “verdadeiro presidente do Brasil”. Posteriormente, alterou a expressão para “líder do Brasil”, mas manteve declarações que colocavam em dúvida a legitimidade do processo eleitoral.

De acordo com relatos de integrantes do TSE, ministros consideraram a iniciativa absurda e avaliaram que o conteúdo não deveria receber atenção. Dois dos quatro magistrados identificados com a ala mais próxima do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) classificaram a carta como uma tentativa de provocar instabilidade e disseminar informações falsas.

Um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) também criticou o documento. Segundo o relato, o uso de um brasão incorreto, acompanhado da inscrição “Estados Unidos do Brazil”, reforçaria a falta de credibilidade da manifestação.

Na noite de quarta-feira, após a divulgação da carta, Kassio Nunes Marques publicou uma nota pública em defesa da Justiça Eleitoral. Sem citar diretamente Flávio Bolsonaro, o ministro afirmou que a instituição tem compromisso com a vontade soberana dos eleitores, que escolheram legitimamente seus representantes.

O presidente do TSE também declarou que as eleições transcorreram dentro da normalidade, em respeito às normas legais e constitucionais, e que o processo foi concluído com segurança.

A manifestação ocorreu após Kassio ter conversado com colegas sobre a reação à derrota do senador. Segundo relatos publicados anteriormente, o ministro havia afirmado que não daria espaço às reclamações da campanha de Flávio, que se recusava a reconhecer o resultado eleitoral.

O presidente do TSE pretende conversar com o presidente do STF, Edson Fachin, para alinhar a atuação das duas Cortes diante de eventuais iniciativas destinadas a questionar a validade das eleições de 2026.

Na sessão plenária desta quinta-feira (29), a primeira após a divulgação da carta, os ministros não trataram publicamente do episódio e seguiram com o julgamento dos processos previstos na pauta.

O afastamento em torno de Flávio Bolsonaro também alcançou integrantes de seu grupo político. Rogério Marinho (PL-RN), senador que coordenou a campanha presidencial, afirmou que nem ele nem o partido poderiam declarar que houve fraude nas eleições.

O governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), também defendeu o reconhecimento do resultado. “O caminho é respeitar o resultado das urnas e seguir em frente”, declarou.

As manifestações contrastam com a postura de Flávio, que divulgou a carta após a derrota e passou a questionar a legitimidade do processo eleitoral.

A reação de antigos aliados evidencia o isolamento político do senador diante da repercussão do documento. Segundo informações publicadas pela imprensa, integrantes de seu círculo mais próximo passaram a se afastar da iniciativa.

O distanciamento também teria atingido a equipe jurídica de Flávio Bolsonaro. A advogada Maria Claudia Bucchianeri, que representou o senador em ações no TSE durante a campanha, teria informado a um interlocutor que não pretende mais apresentar processos em nome do parlamentar.

Segundo o relato, a advogada considera encerrado seu compromisso profissional, uma vez que sua atuação estava vinculada à campanha eleitoral, concluída em 25 de outubro.

O episódio amplia as dificuldades políticas enfrentadas pelo senador após a divulgação da carta. Além das críticas de integrantes do meio jurídico e do afastamento de aliados, Flávio enfrenta resistência de ministros que, até então, eram considerados próximos a ele.

A repercussão também coloca em evidência a posição das instituições eleitorais e de lideranças políticas diante de manifestações que questionam a legitimidade do resultado das urnas.


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