Goiás: assim como ontem, hoje e amanhã
Redação DM
Publicado em 10 de agosto de 2016 às 02:30 | Atualizado há 10 anos“Vocês fizeram a república que não serviu para nada. Aqui agora, como antes, continuam mandando os Caiado”.
Este é o conteúdo do telegrama do capitão Felicíssimo do Espírito Santo Cardoso, bisavô de Fernando Henrique Cardoso, enviado de Goiás ao filho Joaquim Inácio, no Rio de janeiro, que ajudara a proclamar a República em 1889.
Mais de 100 anos depois, o senador Ronaldo Caiado teima em esporear o presente para voltar ao passado e postergar o futuro.
Caiado quer se ancorar no populismo de Iris Rezende, tão moderno quanto os seus antepassados do século 19 de que fala o capitão Cardoso, para chegar ao governo em 2018. Uma ameaça gravíssima aos excluídos, principalmente aos pobres e pretos.
No último dia 3 de agosto, uma quarta-feira, Goiás quis libertar Goiás da carrapataiada que vive a sugar o seu sangue até a anemia generalizada.
Explico: naquele dia, o governador Marconi Perillo e Iris Rezende anunciaram a disposição de uma união por Goiás, a começar pela pacificação da eleição à Prefeitura de Goiânia, com o apoio de Marconi a Iris.
E o mundo veio a baixo, dos dois lados: d. Iris deu birra emocional e ameaçou abandonar a arte culinária, o forte de sua vocação. Daniel e Maguito Vilela descobriram que o PMDB que eles tomaram de Iris é hoje mesmo um partido cartorial, sem diretórios e sem votos, que não vale nada sem Iris.
E o senador Ronaldo Caiado sentiu a terra fugir a seus pés e o seu delírio de governo em 2018 sepultado de vez e dizem que retomou o vocabulário antigo em relação a Iris: “Eu sabia que esse jacu mal atirado ia me trair”.
No arraial governista, a desolação foi geral, com choro, gemido e ranger de dentes, que os comensais governistas, órfãos de votos, seriam também desmamados do poder: Vilmar Rocha e Jovair Arantes, protestaram juntos, ameaçando, de medo, unir as candidaturas de Bitencourt e Francisco Júnior. E uniram(quanto mais juntos, menos votos representam).
A senadora Lúcia Vânia e a deputada Magda Molfato, no abraço das afogadas, arrancaram os cabelos gritando “não… não… não…”
O delegado Valdir bateu a mão no coldre e Vanderlan ameaçou voltar para Senador Canedo. Sabem porque tanta dor, tanto soluço e tanto ranger de de dentes?
Porque essa aliança de Marconi com Iris seria a vitória de Goiás, a começar pela salvação de Goiânia.
E quem disse que esses ilustres políticos que gravitam em torno deles se importam com Goiás?
Goiânia e Goiás que se lasquem.
Os esbirros dos dois lados venceram. E Goiás vai continuar ouvindo o rosnado arrogante do Caiado, de um lado, e do outro o ganido rafeiro dos comensais governista.
Antes de ser abandonado pela política, Iris Rezende anunciou que a deixaria primeiro, desistindo de candidatar-se à Prefeitura de Goiânia. Outra vez mentiu. Talvez, a mentira mais cabeluda de toda a sua vida pública, como se fosse a derradeira.
Da mentira pulou para a fraude, mentindo outra vez que voltava para atender ao chamamento do povo e de Deus – a fraude. Ninguém banaliza tanto Deus como Iris. Se Iris fosse chefe de igreja protestante, Edir Macedo e o criolo Valdimiro teriam que mudar de profissão.
Há mais de 50 anos que Iris vende Deus em troca de votos. Ou Deus existe e é muito permissivo, ou… Iris tem recebido tanta surra eleitoral que parece que Deus não é tão permissivo assim.
Parece que Iris já combinou com o povo e tem como certa a sua eleição de prefeito de Goiânia, a quarta de sua carreira política.
E se Iris perder?(cala-te, boca).
É corrente na dialética popular a história da rebeldia do estado do Piauí. Muito atrasado e subdesenvolvido, o Piauí, em reunião de todos os seus representantes, decidiu sair do anonimato, nem que fosse pelas armas.
Nessa reunião, um iluminado propôs:
“Que tal fazermos uma declaração de guerra aos Estados Unidos?”- e explicou: “Está claro que nós perderemos a guerra. E então seremos anexados ao território americano como o 51° Estado”.
E a proposta foi aprovada por unanimidade, com palmas e assobios.
Encerrada a reunião, já com os presentes de pé para sair, um dos membros perguntou inocente:
“E se o Piauí ganhar a guerra?”
Como no Piauí, aqui também em Goiânia.
E se Iris perder a eleição?
Consta que um cidadão saiu de Goiânia em 1960, em plena campanha de prefeito. Com decalque de Iris nos poucos carros da época.
Mais de 50 anos depois voltou e os mesmos adesivos de Iris no carros. O cidadão procurou um psiquiatra, pensando que tinha pirado.
Mais de um século depois, Caiado quer voltar e Iris mais de meio século depois.
Goiânia e Goiás, assim como ontem, hoje e amanhã.
No Nordeste é só José Eliton
O vice-governador José Éliton tem a quase unanimidade dos candidatos a prefeito do Nordeste goiano.
Em Posse, o PMDB municipal sofreu intervenção do estadual que dissolveu o diretório presidido por Alexandre Nunes. Todo o diretório passou a apoiar o candidato do PSDB, Wilton Barbosa, destacando-se também o apoio da ex-prefeita Vanda de Oliveira e do ex-vereador Humberto Silva, além do presidente do Solidariedade Marquinho.
Outra adesão de peso à candidatura de Wilton foi a do presidente municipal do PT, jornalista Ivon Valente, proprietário da rádio de maior audiência no Nordeste goiano.
Em Iaciara, o segundo colégio eleitoral da região, a candidatura de Ivan Sabath pelo PSDB e mais l3 partidos, com o apoio de todos os ex-prefeitos da cidade, é quase unanimidade. Ivan é primo do vice-governador José Éliton.
Para não ser candidato único, apareceu a candidatura pelo Solidariedade de Haicer Sebastião Lima, o Mano, funcionário do deputado Iso Moreira.
Mano é apoiado por Iso e pela deputada Magda Molfato, que chegaram em Iaciara de Helicóptero, um luxo só. Desde essa demonstração de arrogância, a candidatura de Ivan cresceu mais ainda.
Carlos Alberto Santa Cruz, jornalista