Política

Governo federal tenta jogar culpa para governadores

Redação DM

Publicado em 11 de agosto de 2020 às 19:18 | Atualizado há 6 anos

O Governo Federal intensificou a propagação de material que
tenta atribuir aos governadores do Brasil as mortes da covid-19 durante a
pandemia. Considerado pela opinião pública como um dos responsáveis pela
gravidade da situação no país, já que o Brasil ultrapassou o número de cem mil
mortos, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) teria como estratégia compartilhar
a responsabilidade com os governantes.    

Ele teria enviado aos parlamentares um relatório em que sublinha
nomes de governadores e prefeitos das cidades e estados com maior número  de casos da doença.

O relatório citaria, por exemplo, o governador Rui Costa (PT)
dentre os gestores estaduais a que se atribui o maior número de mortes e novos
casos. O prefeito ACM Neto (DEM), de Salvador, é também listado.

A Secretaria Especial de Assuntos Federativos (Seaf),
subordinada à Secretaria de Governo, seria a responsável pelo documento,
informa o “Estadão”.

João Doria lidera a lista que foi espalhada nos grupos de
Whatsapp. De acordo a lista, o estado já teria 600 mil infectados e 25 mil
mortes.  O levantamento de mortes traz, depois
de João Doria, os nomes de Zema (MG), Eduardo Leite (RS) e Ronaldo Caiado (GO).

O Governo Federal nega que faça uso das informações para
repartir responsabilidades, mas para “monitorar a disseminação da Covid-19”

A secretaria não explica o motivo, contudo, dos nomes dos
gestores estaduais e municipais terem recebido destaque no estudo.

Goiás é o 21º estado em mortes por 100 mil habitantes

Apesar do relatório do Governo Federal tentar atribuir mortes
por estado, algumas unidades apresentam melhores desempenhos que outras em
termos de mortes e contaminação. É o caso de Goiás, que  é o 21º estado em mortes por 100 mil
habitantes – forma de contar mais detalhada, já que visa se atentar não aos
números absolutos, mas ao grau de razão de população e  mortes.

Nesta lista, os estados com menos casos são Minas Gerais, Mato
Grosso do Sul, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Bahia e Goiás.

STF

Durante a pandemia, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu
que caberia aos estados e municípios constituírem suas políticas de
enfrentamento da covid-19. Mas em nenhum momento da decisão é afastada a atribuição
da União combater a doença e garantir saúde à população.

Desde o início da pandemia o presidente e aliados afastaram a
gravidade da covid-19, tratando a contaminação sem protocolos ou em desrespeito
às regras das autoridades de saúde.  Um
dos aliados do presidente, Osmar Terra, fez a previsão mais ridícula: “No
Brasil, a gente  está estimando que
possa  chegar  a 30 mil, 40 mil casos. E o  número 
de mortos  deve ficar  em  mil
e poucos, 2000”.

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