Haddad confirma que pode deixar a Fazenda e diz ter intenção de colaborar com campanha de Lula
Redação Online
Publicado em 11 de dezembro de 2025 às 21:06 | Atualizado há 7 meses
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, confirmou a possibilidade de deixar o governo para colaborar com a campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2026. Em entrevista ao jornal O Globo nesta quinta-feira (11/12), Haddad afirmou ter conversado com Lula sobre o plano. “Eu tenho a intenção de colaborar com a campanha do presidente Lula, e disse isso a ele, que eu não pretendo ser candidato em 2026, mas quero dar uma contribuição”, declarou.
Segundo Haddad, o presidente deu uma resposta positiva e aberta à proposta. “A reação dele foi muito amigável. Ele falou: ‘Haddad, você vai colaborar da maneira que você preferir. E qualquer decisão que você tome eu vou respeitar. Mas vamos conversar’”, relatou o ministro. Haddad enfatizou que não deseja uma posição de coordenação, mas servir como um colaborador, especialmente na formulação do programa de governo.
Questionado se sua saída da Fazenda já está definida, Haddad respondeu: “Pode ser que sim. É uma possibilidade”. Ele negou ter discutido uma data específica ou um possível sucessor, embora o secretário-executivo Dario Durigan seja um nome natural. O ministro também descartou ser candidato a qualquer cargo em 2026, incluindo ao governo de São Paulo ou ao Senado, mesmo sob eventual pedido do PT.
Sobre temas econômicos, Haddad afirmou que os Correios inspiram “mais cuidados” e precisam de uma “reinvenção” para reverter o rombo financeiro. Ele sugeriu que a empresa estatal busque parcerias, como com bancos, para agregar serviços e ganhar capilaridade, em um modelo comum no exterior. “É assim que está sendo feito no mundo”, disse.
O ministro também abordou a relação tensa com o Congresso, que atribuiu a uma estratégia eleitoral da oposição. Sobre as sucessivas exceções às regras fiscais, que somam R$ 170 bilhões até 2026, Haddad argumentou que despesas como as do Rio Grande do Sul e do Plano Brasil Soberano não são recorrentes. Sobre os R$ 5 bilhões anuais fora da meta para a Defesa, admitiu: “não fui feliz na negociação”.
Foto: José Cruz/ Agência Brasil