Internacional

Irã rejeita negociar com os EUA sob ameaça e tensão internacional aumenta

Giovanna Gonçalves - Estágio DM

Publicado em 28 de janeiro de 2026 às 16:39 | Atualizado há 6 meses

Ali Khamenei, líder supremo do Irã, e o presidente dos EUA, Donald Trump: ameaça de ataques e proposta de acordo nuclear | Foto: EFE/EPA/STR/Doug Mills
Ali Khamenei, líder supremo do Irã, e o presidente dos EUA, Donald Trump: ameaça de ataques e proposta de acordo nuclear | Foto: EFE/EPA/STR/Doug Mills

O Presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, exige negociação para o fim do desenvolvimento de armas nucleares no Irã, enquanto prepara mísseis para possíveis ataques.

Em 2018, durante o primeiro mandado de Trump, o republicano retirou os EUA do Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA): um acordo entre o Irã e os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU — Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido — mais a Alemanha, além da participação da União Europeia. Com isso, o Irã deveria reduzir seu programa nuclear e, em troca, as sanções econômicas sobre o país seriam reduzidas.

Com a saída dos EUA, as sanções voltaram a ser aplicadas, o que leva à desvalorização do “Rial” (moeda iraniana) e, por consequência, o enfraquecimento do governo.

Em 2025, o Conselho de Segurança da ONU aprovou que as sanções internacionais voltassem a ser aplicadas, pela primeira vez após dez anos, desde o programa. Isso aconteceu pois as potências europeias – França, Reino Unido e Alemanha – afirmam a quebra de acordo por parte do Irã, ao intensificar suas atividades nucleares no ano passado.

Agora, oito anos depois da saída dos EUA, Donald Trump propõe novo acordo nuclear com o Irã.

Em sua rede social, a Truth Social, Trump afirma querer um “acordo benéfico para todas as partes”. O presidente americano também relembra que, na primeira vez em que tentou propor um acordo com Teerã e não foi correspondido, houve retaliação. No caso, ele se refere à operação “Martelo da Meia-Noite”, que aconteceu em julho de 2025 e mirou três instalações nucleares iranianas: Fordow, Natanz e Isfahan.

Trump se prepara e afirma que “o próximo ataque será muito pior”. Ele diz que “uma enorme armada de guerra está a caminho do Irã, composta por uma frota maior do que a enviada à Venezuela, liderada pelo porta-aviões americano USS Abraham Lincoln”.

No entanto, Teerã replica e nega sentar à mesa para negociações se as ameaças continuarem. “Conduzir a diplomacia mediante ameaças militares não pode ser eficaz, nem útil”, disse o ministro iraniano das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, à TV local.

A Missão Permanente da República Islâmica afirma o desejo de um diálogo baseado no respeito mútuo, mas estará pronto para se defender como nunca antes.

Investindo na diplomacia, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, e o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Ali Larijani, estiveram em contato com os aliados dos Estados Unidos dentro do Oriente Médio, como o herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, e o primeiro-ministro do Qatar, xeque Mohammed bin Abdulrahman Al Thani.

“Todos os esforços estão voltados para reduzir a escalada e buscar soluções pacíficas, reforçando a segurança e a estabilidade na região”, disse o xeque Mohammed.

Simultaneamente, a Turquia também tentou apaziguar a situação. O ministro das Relações Exteriores aconselhou a capital americana a reabrir a negociações e declarou publicamente que “é errado iniciar a guerra novamente”.

O ministro iraniano Araghchi disse: “os países do entorno entendem que qualquer ameaça militar desestabiliza toda a região”.


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