Política

Janela partidária mexe no equilíbrio do poder

Redação DM

Publicado em 11 de abril de 2018 às 03:06 | Atualizado há 1 ano

  •  DEM, Podemos, Pros crescem. MDB, PT, PSD, PSB, PTB e PR perdem parlamentares. PHS, PSL, PMN e PSC ficam sem representantes e PSDB praticamente dobra a bancada no Legislativo

 

O balanço final da chamada janela partidária, que cor­responde ao período de 6 de março até 7 de abril para mudan­ças de partido, trouxe mudanças no cenário político. A oposição ganhou mais um senador – Wilder Morais que trocou o PP pelo DEM e passa a fazer dupla com Ronaldo Caiado -, mas o governo conseguiu garantir a maioria no Legislativo estadual e na Câmara Federal. O troca-troca de legendas na base situacionista e nas hostes oposicionistas acabou sendo aquela conta de “seis por meia dú­zia”. Após assumir a direção do PP o ministro das Cidades, Alexandre Baldy, revigorou o partido com no­vas filiações. A senadora Lúcia Vânia estancou perdas na sua legenda, o PSB, e o Podemos e o DEM passaram a existir na Assembleia Legislativa.

  • Governo x oposição

 

A balança entre governo e oposi­ção pouco se alterou, formalmente, na Assembleia Legislativa. A princí­pio a base situacionista perdeu um deputado. Dos trinta que elegeu em 2014 ficou com 29 e a oposição pas­sou de onze para doze. Somente após as coligações partidárias será possível saber como ficará cada partido no jogo do poder. Considerando o mo­mento atual, a bandada situacionis­ta conta com os 13 deputados esta­duais do PSDB, três do PTB, três do PSD, dois do Pros, dois do PSB e com umdeputadocada, somandoseisvo­tos estão o PCdoB, o PDT, o PRTB, o PRB, o PR e PPS . A oposição está re­presentada na Alego por quatro de­putados do MDB, três do DEM, dois do PT, dois do Podemos e um do PRP.

  • Perdas e ganhos

 

Os partidos que proporcional­mente mais perderam deputados foram o PHS e PSL, que tinham dois deputados e agora não têm nenhum, o PMN, o PSC, que foram zerados na Alego, o PT, que elegeu quatro e agora tem dois, o PR, que tinha dois e agora só tem um, o PTB e o PSD, que elege­ram cinco e perderam dois e o MDB que elegeu cinco e agora tem quatro depuatdos. Quem mais ganhou foi o Podemos, que não tinha nenhum e ganhou dois deputados, o DEM que passou de um para três e principal­mente o PSDB, que quase dobrou a bancada, de sete para treze repre­sentantes, com adesões de deputa­dos da própria base antes e durante a janela partidária, sendo dois do PHS, (Francisco Oliveira e Jean Carlo), um doDEM(HelioSousa), umPSD(Die­go Sorgato), um do PMN (Eliane Pi­nheiro) e um do PTB (Talles Barreto).

Na oposição, o MDB tomou dois deputados do PT (Renato Castro, que se elegeu prefeito de Goianésia e Humberto Aidar que deixou a legen­da), perdeu dois para o Podemos (José Nelto e Lívio Luciano) e no ba­lanço final ficou com quatro deputa­dos. O DEM que iniciou a legislatura com o deputado Helio Sousa che­ga agora a três deputados com as fi­liações de Iso Moreira, quatro vezes eleitopeloPSDB, com Alvaro Guima­rães, que deixou o PR, e Dr. Antônio, que foi eleito pelo PDT, passou pelo PSDB e finaliza aderindo ao DEM.

  • Surpresas

 

Entre as surpresas de última hora registra-se a saída do ex-vereador Thiago Albernaz do PSDB. Neto de Nion Albernaz, ele havia sido elei­to presidente do diretório munici­pal do PSDB. O agora ex-tucano fi­liou-seaoSolidariedadedodeputado federal Lucas Vergilio. O ex-deputa­do estadual Tulio Isac, que ocupava a Secretaria de Comunicação da Ale­go, trocou o PSDB pelo Podemos. O tambémex-deputadoFredericoNas­cimento, ex-diretor de Assuntos Ins­titucionais da Assembleia, assinou ficha no Pros do deputado estadual Lincon Tejota, que vai disputar ca­deira na Câmara Federal.

A decisão do deputado José Nel­to de se filiar ao Podemos já era es­perada. O DM havia antecipado esta tendência no MDB, o diferencial foi a filiação do deputado estadual Lí­vio Luciano, nas últimas eleições acompanhou as indicações políti­cas do casal Iris Rezende-Iris Araú­jo. Também merece registro a saí­da de Simeyson Silveira do PSC, partido no qual foi vereador, dis­putou a Prefeitura de Goiânia em 2012 e foi eleito deputado estadual.

  • Bancada de Baldy

 

O ministro das Cidades, Alexan­dre Baldy (PP), fortaleceu a chapa de deputados federais do PP. Ele ga­rantiu a filiação do professor Alcides, que nas últimas eleições ficou na su­plência da Câmara Federal. Ex-can­didato a prefeito de Aparecida pelo PSDB, ele tenta novamente a elei­ção ao Parlamento desta vez no PP. Ex-diretor de Cultura da Assembleia Legislativa, Joel Santana Braga Fi­lho também se filiou ao PP. Ele é ir­mão do ministro Baldy e provavel­mente será candidato a deputado federal. O deputado federal Heuler Cruvinel trocou o PSD pelo PP e se junta ao deputado federal Rober­to Balestra e ao suplente Sandes Jú­nior na disputa pela reeleição. Outra grande aquisição de Baldy foi a filia­ção do ex-prefeito de Senador Ca­nedo Vanderlan Vieira. Candidato por duas vezes ao governo do Estado (2010e 2014) e à Prefeitura de Goiâ­nia em 2016, Vanderlan aposta no recall destas campanhas para plei­tear a vice ou uma vaga ao Senado na chapa do governador José Eliton.

  • Bancada da Flávia

 

O PDT, que iniciou a legislatura com o deputado estadual Dr. Antô­nio, manteve o seu representante. Suplente do PT, o deputado Karlos Cabral se filiou à legenda ao tomar posse em 2015, e deve contar com companheiros de chapa para a ree­leição com os também suplentes José de Lima e Santana Gomes. Ex-ve­reador em Anápolis, José de Lima foi deputado estadual na última le­gislatura (2011-2014) e apesar de ter tido quase 20 mil votos ficou na su­plência. Ele estava filiado ao PV e re­tornou ao PDT. Santana Gomes foi eleito deputado estadual pelo PSL com pouco mais de dez mil votos. Re­contagem pedida pelo PRB fez com que fosse afastado do mandato, que agora tenta retomar pelo PDT, que tem como principal representan­te a deputada federal Flávia Morais.

  • Bancada da Lúcia

 

A senadora Lúcia Vânia trabalhou forte nos bastidores e evitou que sua bancada fosse extinta na Alego. Além do deputado Diego Sorgato, de Lu­ziânia, os deputados Marlúcio Pe­reira, de Aparecida de Goiânia e Lis­sauer Vieira, de Rio Verde, estavam de saída do partido. Marlúcio rece­beu convite para retornar ao PTB, no qual foi eleito em 2014 e Lissauer foi convidado pelo DEM do senador Ronaldo Caiado com respaldo do prefeito Paulo do Valle (MDB). No balanço final, a senadora ficou no lu­cro, com a manutenção de dois im­portantes representantes da legenda.

  • Novos tucanos

 

Secretária de Educação em duas gestões do governador Marconi Pe­rillo (2003-2006 e 2015-2018), Ra­quel Teixeira desincompatibilizou­-se da pasta e assinou novamente ficha de filiação ao PSDB, onde foi deputada por dois mandatos. Com trabalho reconhecido pelos servi­dores de sua pasta, Raquel Teixei­ra é querida pelos profissionais da Educação e pode ser candidata a deputada federal mas uma vez, po­rém, pelo seu perfil pode ser cha­mada para compor a vice. O depu­tado estadual Jean Carlo trocou o PHS pelo PSDB objetivando elei­ção à Câmara Federal. Fábio Sou­sa, que chegou a cogitar a saída do partido, mantém a candidatu­ra à reeleição ao Parlamento. Eleito pelo PSD, com passagem pelo PSB, Diego Sorgato se filiou ao PSDB e vai trabalhar pela reeleição ten­do como principal base Luziânia, onde o deputado federal Célio Sil­veira (PSDB) rivaliza com o prefeito Cristovão Tormin (PSD). Eleita pelo PMN, a deputada estadual Eliane Pinheiro reforça a chapa tucana.

Dois ex-prefeitos também in­gressaram no tucanato. João Go­mes, ex-prefeito de Anápolis, e Tião Caroço, ex-prefeito de For­mosa e ex-conselheiro do TCM (Tribunal Contas Municípios). Joao Gomes governou Anápolis pelo PT. Após o fim do mandato se filiou ao PP e agora optou pelo PSDB. Tião Caroço, que foi depu­tado estadual pelo PP, aposentou­-se recentemente no TCM e re­toma as lides políticas no PSDB.

 

 

O troca-troca partidário envolveu, por trinta dias, parlamentares do especto político da situação e da oposição em Goiás, movimentou o poder e promoveu uma correria por filiações, transformando a disputa por apoio numa guerra de nervos entre os principais pré-candidatos ao Palácio das Esmeraldas – Zé Eliton, Ronaldo Caiado e Daniel Vilela


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