Jayme Rincón: “O candidato da base deverá ter histórico de luta junto de Marconi”
Redação DM
Publicado em 9 de novembro de 2015 às 20:55 | Atualizado há 11 anosJayme Rincón diz que não há nada que preocupe o governo na Operação Compadrio e que um veto de Nion Albernaz vai pesar muito na indicação do candidato da base
O presidente da Agetop, Jayme Rincón, é virtual candidato a prefeito de Goiânia nas eleições do próximo ano pelo PSDB, como já anunciado por lideranças da base aliada do governo. Mesmo assim ele prefere deixar a discussão de nome para a chapa para 2016 e que agora o debate seja somente sobre considerações acerca das condições da capital e do que o Governo do Estado faz na cidade.
“A definição sobre o nome que irá para a disputa deverá ser tomada no próximo ano e agora devemos nos concentrar em outros temas”, defende ele. Jayme falou em entrevista ao DM que a hora é do PSDB e que a “última gestão eficiente que Goiânia teve foi de um prefeito do PSDB”, em referência ao ex-prefeito Nion Albernaz. Aliás, Nion foi tema de outro comentário de Jayme Rincón, quando lembrado que o ex-deputado Luiz Bittencourt é cogitado para ser candidato da base aliada do governador pelo PTB. Jayme é enfático ao dizer que a restrição que Nion tem para com o recém-chegado à base pode inviabilizar sua pretensa candidatura.
O presidente falou também das obras que o Governo do Estado destinou a Goiânia nos últimos anos e que isto servirá para cacifar a candidatura de um aliado para a sucessão do prefeito Paulo Garcia. “O Estádio Olímpico, o Centro de Excelência do Esporte, a iluminação da BR 153, a duplicação da rodovia GO 020, viadutos como nas rodovias GO 060, 070 e 040 além do HUGOL, que é o maior e mais moderno complexo hospitalar do Centro-Norte do País. Todos esses benefícios entregues pelo governador Marconi Perillo para a população de Goiânia serão lembrados quando da escolha de quem é melhor para administrar Goiânia”.
Jayme enfatizou que “Goiânia precisa de um choque de gestão”, enumerou as virtudes de um candidato que unifique a base e demonstrou segurança ao falar sobre a Operação Compadrio, desencadeada pelo Ministério Público e que prendeu o gerente de obras rodoviárias da Agetop e investiga suspeitas de irregularidades em licitações e obras na agência.
Confira a entrevista na íntegra:
DM – O senhor será candidato a prefeito em 2016?
Jayme Rincón – Desde o início do ano eu tenho dito que o PSDB não tem que discutir nomes para a disputa agora, a definição de nomes é para o próximo ano. Felizmente o PSDB tem variados e excelentes nomes para apresentar para a disputa como o presidente da Câmara Municipal, vereador Anselmo Pereira e os deputados federais Fábio de Souza e Giuseppe Vecci. São pessoas com representatividade dentro do partido e que conhecem Goiânia. Não tenho dúvidas que chegaremos em 2016 com um nome competitivo e com condições de vencer as eleições. O que tenho repetido insistentemente é que o PSDB deve discutir projetos para amenizar os problemas da capital. Goiânia vive hoje seu pior momento e nós temos que ter projetos consistentes para isto. Primeiramente identificar todos os problemas que a capital vive e propor soluções para prosseguir com nossa proposta de mudar a situação de dificuldade que vive nossa população. Em seguida discutir um nome que melhor se enquadra dentro desse projeto, qual é o melhor nome que o PSDB tem para colocar nessa disputa na eleição de 2016. Nome agora é absolutamente prematuro. Os partidos da base aliada terão um nome competitivo com certeza.
DM – O PSDB desde 2000 não tem candidato próprio. Isso vai ser mudado?
Jayme Rincón – Sim, claro. Essa é uma das razões da situação de penúria que Goiânia está. A última vez que o partido teve candidatura própria à Prefeitura de Goiânia foi em 2000 com a então deputada Lúcia Vânia. O último bom prefeito que Goiânia teve foi o professor Nion Albernaz. Desde então foi uma sucessão de prefeitos ruins, inoperantes e que colocaram Goiânia na situação que está hoje. O caos que a cidade vive hoje é produto do Plano Diretor feito pelo ex-prefeito Iris Rezende Machado. Se fosse o PSDB o Plano Diretor teria sido o que Nion Albernaz aprovou quando foi prefeito. Chegou a hora de nós retomarmos a gestão de Goiânia para o PSDB.
DM – O partido não abre mão de um candidato?
Jayme Rincón – Não se trata de dizer que não abre mão, mas acho que chegou a hora do candidato ser do PSDB. Mas, isso deve ser bem conversado e os partidos da base terão a sabedoria de apresentar o melhor nome e acreditamos que esse nome sairá do PSDB.
DM – Como o senhor vê a propositura do PTB de lançar o nome do ex-deputado Luiz Bittencourt à prefeitura?
Jayme Rincón – Todos os partidos têm o direito de apresentar seus pleitos. Isso é legítimo e o PTB tem esse direito. Acho o nome do ex-deputado Luiz Bittencourt um nome consistente, mas precisamos saber o que a população quer, por isto discussão de nomes agora é prematura. Vejo até com maior preocupação, porque acredito que forçar um nome agora pode significar a inviabilização desse nome no futuro e a c colocação do nome do ex-deputado é totalmente prematuro. Aliás, é preciso considerar também que a população não aguenta mais discutir eleição com tanta veemência. Nós acabamos de sair de uma eleição em 2014 e já estamos falando em outra eleição para 2016. Vamos deixar o debate eleitoral para o ano eleitoral. Essa antecipação não agrega nada no debate.
DM – O que vocês propõem para administrar Goiânia?
Jayme Rincón – Goiânia precisa efetivamente de um choque de gestão. Os problemas que afligem nossa população não serão resolvidos politicamente nem com poder de polícia, mas somente com uma gestão eficiente. O perfil que o goianiense quer é de um gestor eficiente e nós temos pessoas assim no partido.
DM – Qual será o perfil político desse nome?
Jayme Rincón – Creio que alguns critérios serão fundamentais. Um muito forte pode ser visto no histórico do governador Marconi Perillo de prestigiar companheiros e pessoas que tenham uma história junto a ele vai pesar muito na definição. Esse critério de lealdade e de histórico de luta junto com o governador vai pesar muito na hora de definir o nome. Não tenho nada contra o ex-deputado Luiz Bittencourt, mas vejo com muita dificuldade ele ser eventualmente escolhido candidato como representante da base do governador Marconi Perillo pelo fato de que ele não tem uma história de luta ao lado do governador, pelo contrário. Outra situação que é falada, quanto seu envolvimento com a investigação sobre desvios na utilização de passagens aéreas na Câmara Federal, eu não conheço detalhadamente esse assunto, mas se houver com certeza isso será levantado durante o debate eleitoral.
DM – O ex-prefeito Nion Albernaz tem restrição quanto ao nome do ex-deputado. Isso é um problema?
Jayme Rincón – O professor Nion Albernaz é sem dúvida um dos expoentes do PSDB e das vezes que ouvi referências a isto eu soube por pessoas ligadas ao ex-prefeito. Já ouvi que existe de fato uma resistência muito grande do ex-prefeito Nion Albernaz em relação a uma possível candidatura do Luiz Bittencourt pela base aliada. Mas, cabe ao Luiz Bittencourt aparar essas arestas junto ao professor Nion Albernaz. Eu não tenho dúvida alguma que a opinião do ex-prefeito Nion Albernaz vai pesar muito na indicação do nome da base aliada para ser candidato, pela história e pela referência dele dentro do partido.
DM – O que o governo de Goiás tem para mostrar em cidades onde ele não tem hegemonia há tempos, como Goiânia?
Jayme Rincón – Em Goiânia há um portfólio de obras muito grande para mostrar. Nenhum governador fez por Goiânia o que Marconi Perillo está fazendo. Aliás, se somarmos tudo o que foi feito por outros governadores juntos Marconi terá realizado mais. Considerando toda a dificuldade por que passa o País e as dificuldades econômicas que o Estado atravessa também vemos que o governador Marconi Perillo está conseguindo passar ao largo dessa crise, fruto de planejamento e de um trabalho muito firme em todas as áreas do governo. Nós fizemos a iluminação da BR 153 no trecho urbano da capital, construímos viadutos importantes como nas rodovias GO 060, 070 e 040. Estamos entregando o novo Estádio Olímpico com o Centro de Excelência do Esporte e entregamos o HUGOL, que é o maior e mais moderno hospital público da Região Centro-Norte do País, entregamos o autódromo totalmente reformado. Vamos conseguir fazer um comparativo de todas as obras e mostrar como fazer obras rápidas, bem feitas e baratas. O governador Marconi Perillo será o grande cabo eleitoral na disputa de 2016.
DM – A Operação Compadrio prendeu um diretor e um gerente da Agetop, além de documentos na agência. Isso preocupa?
Jayme Rincón – De modo algum. O Ministério Público está fazendo o seu trabalho com distinção. Prefiro que o MP peque por excesso do que por omissão. É bom que investigue e todas as informações que foram solicitadas à Agetop foram fornecidas. Os promotores investigaram uma quantidade enorme de licitações e nós fizemos muitas aqui com total transparência. Nós fizemos mais de 700 licitações de médio e grande porte com valor estimado de R$ 1,7 bilhão. Se nós tivéssemos contratado por R$ 8 bilhões ainda assim estaríamos cumprindo rigorosamente a lei, mas contratamos por R$ 6,4 bilhões, numa economia de mais de R$ 2 bilhões e isso se deu exatamente por essa postura que adotamos, tanto que o Ministério Público não encontrou nada nas licitações que investigou, não indicou nenhuma licitação que pudesse ser fraudada, direcionada, superfaturado ou que tenha concedido qualquer tipo de benefício a quem quer que seja. Não encontrando nada eles foram para o acessório, que são as subcontratações de empresas menores para fazerem obras menores. Uma empresa que ganha uma licitação de R$ 50 milhões não tem estrutura para fazer um bueiro, um afastamento de cerca, meio fio, coisas pequenas assim, por isto ela subcontrata outra para realizar, o que é absolutamente normal. Promotores disseram que diretores indicavam empresas para realizar esses serviços. Indicavam e vão continuar indicando. Isso não interfere no preço final da obra e não causa qualquer prejuízo ao erário. O detentor do contrato só subcontrata por um preço inferior. Nós temos aqui 1.200 funcionários e o Ministério Público levantou suspeitas sobre dois apenas. Eles terão oportunidade de se explicar e dizer que o que foi feito, ademais temos de partir do pressuposto que todos são inocentes até prova em contrário.