Política

Justiça aponta que irregularidades na Codego começaram em 2017

Redação DM

Publicado em 17 de julho de 2020 às 15:35 | Atualizado há 6 anos

As sucessivas investigações enfrentadas pela Companhia de Desenvolvimento Econômico de Goiás (Codego) tem como origem a antiga Agência de Transporte e Obras (Agetop), matriz de escândalos que teve seus departamentos destrinchados após várias operações policiais nos últimos anos.

Nas gestões anteriores a atual, a Codego tornou-se subsidiária de supostos ilícitos que nasciam dentro da Agetop e migravam para outras pastas de governo.  Na investigação, existe a suspeita de que um dos diretores da Codego teria cobrado propina para manter contratos com as empresas privadas que desde 2017 atuam junto a órgãos estatais.  

A última ação na Codego, realizada nesta quarta-feira, 15, trouxe à tona a prisão de políticos, empresários e o cumprimento de mandados de busca e apreensão de várias empresas de tecnologia que participaram de várias concorrências, algumas com valores acima de R$ 61 milhões. Assim como o episódio da comercialização de terreno que envolveu um filho do empresário Carlos Cachoeira, o novo escândalo data de 2017, ano em que tanto Agetop quanto Codego estavam submetidas à gestão anterior.

Na atual decisão da Justiça, realizada a pedido da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), que apura casos de corrupção ativa e passiva, os fatos alcançados começaram ainda em 2017.

Um dos advogados de suspeitos diz que a decisão mostra claramente a origem temporal dos delitos: “Sobre os fatos delituosos, mencionou que, no decorrer da investigação, sobrevieram elementos indicativos de que um dos casos de atuação do grupo teria sido a fraude ao procedimento licitatório SRP n. 05/2018-PR-NELIC, realizado no ano de 2018 pela então Agência Goiana de Transportes e Obras (Agetop)”, diz a juíza Placidina Pires em referência ao que foi relatado pela autoridade policial, que busca provar as acusações encontradas.

Conforme a decisão do Poder Judiciário, “(…) no dia 09/10/2017, sob a presidência de Jayme Eduardo Rincon, a Agetop celebrou contrato n. 071/2017 com a LOG  LAB INTELIGÊNCIA DIGITAL LTDA, para a prestação de serviços na área  de tecnologia da informação, que teve como base o pregão eletrônico de registro de preços n. 020/2016 da Assembleia Legislativa do Estado do Mato Grosso, começando a relação com essa empresa”.

MUDANÇAS

De acordo com a investigação, teriam ocorrido mudanças de pregão eletrônico para presencial a pedido de Rincon, fato que chamou atenção tanto dos próprios servidores da extinta Agetop quanto da Controladoria Geral do Estado (CGE), que, em 16 de maio de 2019, apontou irregularidades por dificultar a concorrência. O órgão de controle do Governo de Goiás, agora na gestão Ronaldo Caiado, teria indicativos de ilícitos no pregão presencial, além de apontados outros riscos nos desdobramentos dos negócios realizados pelas empresas com o Estado de Goiás.

O caso investigado envolve troca de influências, lavagem de dinheiro e fraudes milionárias. Um dos citados, Weliton “Nenzão”, ex-prefeito de Campinaçu, diz a Justiça, teria recebido vários depósitos injustificados entre 2018 e 2019. Ele acabou preso temporariamente.

A Codego informa por meio de nota que colaborará com todas as investigações e que pretende seguir sua gestão com transparência.

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