Lula defende quebra total de sigilo do caso Master em meio à crise no STF
Léo Carvalho
Publicado em 9 de setembro de 2026 às 13:37 | Atualizado há 35 minutos
Lula defendeu a quebra completa dos sigilos das investigações envolvendo o caso Banco Master | Foto: Pedro Ladeira/FolhaPress
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta quarta-feira (9) a quebra completa dos sigilos envolvidos nas investigações do caso Banco Master. Para o presidente, a medida é necessária diante da crise institucional instalada na cúpula do Judiciário.
“Diante da gravidade do maior crime financeiro da história do Brasil, o povo brasileiro precisa de explicações e medidas imediatas para enfrentar a crise institucional que tomou conta do Poder Judiciário”, escreveu Lula no X, antigo Twitter.
O presidente também criticou o que classificou como “vazamentos seletivos que impactam a disputa eleitoral”. A declaração faz referência, de forma indireta, às informações divulgadas sobre a relação entre o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, antigo dono do Banco Master.
“É urgente a quebra completa do sigilo das investigações de todos os envolvidos no caso Master, seja quem for, doa a quem doer. O Brasil precisa saber a verdade”, declarou o petista.
Lula cita Operação Spoofing
Na publicação, Lula também citou o ex-ministro do STF e ex-ministro de seu governo Ricardo Lewandowski como exemplo de condução de uma investigação considerada sensível.
“A divulgação da verdade, como aconteceu na Operação Spoofing, conduzida pelo então ministro Lewandowski, é um exemplo a ser seguido”, afirmou.
A Operação Spoofing investigou a invasão de celulares de autoridades envolvidas na Operação Lava Jato.
O STF enfrenta uma das maiores crises institucionais de sua história recente após o ministro André Mendonça, responsável pela investigação relacionada ao Banco Master, levantar o sigilo de informações que colocaram Alexandre de Moraes sob pressão.
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Segundo informações que vieram a público, Moraes teria sido consultado por Daniel Vorcaro sobre a possibilidade de deixar o país para evitar uma prisão. A troca de mensagens teria ocorrido poucos dias antes da detenção do empresário.
Também veio à tona um contrato de R$ 131 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro.
As revelações deram novo impulso à pauta de impeachment de Moraes, defendida por grupos bolsonaristas há anos. O ministro foi um dos principais responsáveis pela condução do processo que culminou na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por tentativa de golpe.
Caso Master entra no cenário eleitoral
O episódio também gera desgaste político para Lula, que manteve uma relação próxima com o STF durante o atual mandato. A reaproximação entre o presidente da República e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), por exemplo, teve início em um encontro na residência de Moraes.
Aliados de Lula avaliam que a divulgação integral das investigações do Banco Master poderia atingir também adversários políticos do presidente.
Um dos principais alvos seria o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontado como candidato da oposição. Um áudio interceptado pelos investigadores mostra Flávio pedindo dinheiro a Vorcaro para concluir um filme sobre seu pai, Jair Bolsonaro.
Petistas também questionam a demora para que mais informações sobre a relação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro sejam divulgadas.
Entre aliados de Lula, ganhou força a avaliação de que André Mendonça estaria atuando para favorecer Flávio Bolsonaro na disputa eleitoral deste ano. Essa avaliação, porém, é uma interpretação do grupo político do presidente e não uma conclusão comprovada sobre a atuação do ministro.
Disputa eleitoral
O caso Master também passou a repercutir diretamente no cenário eleitoral.
A última pesquisa Quaest, divulgada na segunda-feira (7), aponta que Lula perdeu a vantagem que mantinha sobre Flávio Bolsonaro nas intenções de voto para um eventual segundo turno.
Segundo o levantamento, os dois aparecem empatados com 41% das intenções de voto. A margem de erro é de dois pontos percentuais.