Política

Lula: golpismo de Bolsonaro não tem apoio das Forças Armadas

Redação DM

Publicado em 28 de julho de 2022 às 13:29 | Atualizado há 4 anos

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse não acreditar que possa haver um golpe de Estado por parte do presidente Jair Bolsonaroapós as eleições de outubro. O petista comparou o chefe do Executivo ao ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump, que agiu para desacreditar o processo eleitoral daquele país, mas afirmou que uma investida contra a democracia brasileira não teria apoio das Forças Armadas e da sociedade, e que o presidente “vai pagar um preço caro” se “começar a brincar com a democracia”.

“Nós
temos que ter em conta que os militares são mais responsáveis do que
Bolsonaro”, disse, em entrevista ao UOL nesta quarta-feira, 27. “Mantive oito
anos de convivência da forma mais digna possível, eles nunca me criaram um
único problema”.

“Não
acredito em golpe, não acredito que as Forças Armadas aceitem isso, não
acredito que a sociedade brasileira permita. Se esse cidadão começar a brincar
com a democracia, ele vai pagar um preço muito caro”, completou, acrescentando
ter certeza de que as “bobagens” que Bolsonaro fala não têm apoio dos militares
da ativa.

No dia 18 de julho, o chefe do Executivo convidou dezenas de embaixadores estrangeiros para uma reunião no Palácio do Alvorada, desacreditou o sistema eletrônico de votação e tentou descredibilizar os ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), cuja atribuição é garantir a lisura das eleições. A atitude foi repudiada por organizações da sociedade civil, juristas, magistrados e lideranças políticas.

O petista prometeu ainda que, se eleito, nomeará um representante da sociedade civil para o comando do Ministério da Defesa. Hoje, a pasta é chefiada pelo general Paulo Sérgio Nogueira, do Exército. “Eu, quando era presidente, conversei várias vezes com meus comandantes e eles me diziam que não é prudente colocar um militar no Ministério da Defesa”, afirmou. O ex-presidente argumentou que Nogueira deveria fazer “um discurso para dizer em alto e bom som que as Forças Armadas não deveriam dar palpite sobre urnas”. Segundo o petista, “discutir urna é assunto da Justiça Eleitoral”. Como mostrou o Estadão, os militares preparam um programa próprio de fiscalização da eleição. A Defesa montou uma equipe de oficiais do Exército, da Marinha e da Aeronáutica com a missão específica de elaborar o roteiro inédito de atuação no pleito.

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