Lula planeja ir à posse de José Antonio Kast no Chile
Léo Carvalho
Publicado em 27 de fevereiro de 2026 às 15:23 | Atualizado há 5 meses
Lula e José Antonio Kast se reuniram no Panamá no fim de janeiro e discutiram relação bilateral e a candidatura de Michelle Bachelet à ONU | Foto: Ricardo Stuckert
Ricardo Della Coletta
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) planeja viajar ao Chile para participar da posse de José Antonio Kast. A presença é tratada como sinalização de que a relação com o líder da direita chilena deve ser pautada pelo pragmatismo, em contraste com os atritos mantidos com Javier Milei, da Argentina.
Kast assume o governo em 11 de março, encerrando quatro anos de gestão do esquerdista Gabriel Boric, aliado de Lula na região.
Segundo integrantes do governo ouvidos pela reportagem, a intenção de Lula é comparecer à cerimônia de transmissão de cargo, e os preparativos estão em andamento.
Kast está alinhado à direita
Embora Kast seja apontado como o político mais à direita a comandar o Chile desde o fim da ditadura de Augusto Pinochet, a avaliação no Palácio do Planalto e no Itamaraty é que o risco de repetição do clima de confronto observado na relação com Milei diminuiu após reunião entre Lula e o chileno no Panamá, no fim de janeiro.
No encontro, segundo relatos, Kast defendeu a importância da presença de Lula na posse. Pessoas com conhecimento da conversa afirmam que o presidente brasileiro saiu satisfeito. Ambos reconheceram diferenças ideológicas e defenderam que o relacionamento bilateral seja conduzido de forma pragmática.

Entre os temas de interesse comum estão investimentos diretos do Chile no Brasil, o fluxo de turistas brasileiros ao país andino, a rota bioceânica e o setor aéreo. A reunião no Panamá durou mais de uma hora e foi seguida por conversa informal e troca de broches com as bandeiras dos dois países.
De acordo com relatos, Kast afirmou que seu partido é minoritário no Congresso chileno e que precisará ampliar sua coalizão. Ele também mencionou que indicou ministros com passagem por governos anteriores, como o de Michelle Bachelet.
É o caso de Ximena Rincón, futura ministra da Energia, que ocupou os ministérios do Trabalho e da Secretaria-Geral da Presidência na gestão Bachelet. Jaime Campos, indicado para a Agricultura, integrou os gabinetes de Ricardo Lagos e da própria Bachelet.
A candidatura de Bachelet à Secretaria-Geral da ONU foi apontada como o principal tema levantado por Lula. O presidente afirmou que a ex-mandatária, apoiada por Brasil e México, tem currículo para suceder o português António Guterres no comando das Nações Unidas.
Relação pragmática
Lula disse a Kast que considera Bachelet também candidata do Brasil e que o governo brasileiro deve se engajar na campanha. Segundo interlocutores, o chileno afirmou que analisará o tema após a posse, sem indicar posição definitiva.
Lula não compareceu à posse de Milei, em dezembro de 2023. A relação entre os dois é marcada por declarações públicas e divergências desde a campanha argentina.
Em outras cerimônias na América do Sul, Lula esteve em Assunção para a posse de Santiago Peña e no Uruguai para a cerimônia de Yamandú Orsi.
O presidente brasileiro não foi aos atos em La Paz pelo início do mandato de Rodrigo Paz. Aliados afirmam que a ausência ocorreu porque Lula participou, no dia seguinte, em Santa Marta, da cúpula União Europeia-Celac. O Brasil foi representado na Bolívia pelo vice-presidente Geraldo Alckmin.