Lula promete fim da escala 6×1 e pede mais mulheres na política em BH
Fernando Henrique - Estágio DM
Publicado em 29 de agosto de 2026 às 16:05 | Atualizado há 51 minutos
Lula participa de encontro com eleitorado feminino neste sábado (29), em Belo Horizonte | Foto: Ricardo Stuckert/Equipe de Lula
O presidente Lula (PT) participou neste sábado (29) de encontro voltado ao eleitorado feminino na Serraria Souza Pinto, região central de Belo Horizonte, onde ressaltou a importância da participação das mulheres na política e disse pretender aprovar, já na próxima semana, o fim da escala de trabalho 6×1.
O evento teve exaltações de Lula à primeira-dama Janja e protesto de militantes que ergueram faixa com recados críticos ao partido, devido à disputa por recursos de campanha, com a mensagem de que mulheres do PT-MG não aceitam serem tratadas como laranjas.
Lula dividiu palanque com diversas aliadas, entre elas a ex-prefeita de Contagem, Marília Campos, candidata do PT ao Senado que criticou a sigla antes da campanha devido à opção do comando partidário de lançar candidatura própria ao Governo de Minas Gerais.
Lula defende fim da escala 6×1

“Nós vamos aprovar nessa semana o fim da escala 6×1 para que as mulheres e os homens tenham mais tempo de cuidar da sua vida própria, das crianças, e mais tempo pra namorar também, porque ninguém pode ficar correndo, tendo pressa”, discursou o presidente.
Em sua fala, em grande parte voltada a ressaltar políticas públicas direcionadas às mulheres promovidas em seu terceiro mandato, Lula elogiou a mãe, a quem chamou de “heroína”, e destacou a participação de Janja em ações relacionadas ao segmento, dizendo que a primeira-dama o fortalece política e ideologicamente. “Enquanto eu tiver uma causa, eu estarei com 30 anos de idade, e isso eu devo a vocês, a cada mulher desse país”, afirmou.
Presente ao evento com Lula, Marília Campos recusou em junho o convite para lançar seu nome ao pleito estadual e criticou a decisão do PT de recusar apoio a candidatos de outros partidos na disputa ao governo mineiro, afirmando que a escolha era um “equívoco estratégico” e poderia “reproduzir uma disputa fortemente polarizada”.
Militantes protestam contra o PT
Antes da chegada do presidente, militantes ergueram faixa com críticas ao PT. Num manifesto entregue à imprensa assinado por 13 deputados federais e estaduais da sigla, elas afirmam: “destinar recursos ínfimos e irrisórios configura a mais grave instrumentalização da mulher na política”.
Candidatas ao Senado apoiadas pelo PT em diversas regiões do país também estavam presentes, como Manuela d’Ávila (PSOL-RS) e Soraya Thronicke (PSB-MS), além de ministras e secretárias do atual governo, como Márcia Lopes, do Ministério das Mulheres, Miriam Belchior, da Casa Civil, e Margareth Menezes, da Cultura. Três mulheres que acessaram políticas públicas promovidas pela atual gestão também foram convidadas a discursar.
Antes das falas, foi exibido um vídeo narrado por Janja no qual ela diz também ser “mais uma Silva”, numa referência ao jingle de campanha do próprio presidente. A peça diz que as mulheres são guardiãs da democracia e pede “mulheres vivas com Lula presidente”.
O candidato a governador Patrus Ananias (PT), único homem a discursar no evento, além de Lula, também exaltou as mulheres presentes e acusou omissão das últimas gestões estaduais no enfrentamento à violência de gênero. Segundo dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, Minas Gerais é o segundo estado com mais feminicídios no Brasil, atrás apenas de São Paulo.
Lula pede maior participação das mulheres na política

Neste sábado, Lula destacou a particularidade do ato, afirmando nunca ter participado de um palanque onde apenas dois homens falaram. O presidente fez ainda um apelo para que as mulheres, que são maioria entre beneficiários de diversos programas sociais citados, votem para diminuir a desigualdade feminina no Legislativo.
“A democracia é o exercício do voto”, disse o presidente, candidato a reeleição. “E veja a contradição: vocês são a maioria. Por que vocês têm que ser representadas por homens?”, questionou. “Estou fazendo um chamamento a vocês. Deus já fez vocês maioria, exerçam esse direito de vocês”.
Lula disse ainda que os três Poderes atuam de forma articuladas em ações de proteção às mulheres. A declaração vem na esteira do acordo definido, nesta quarta-feira (26), entre o Palácio do Planalto e os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que acertou o avanço de pautas caras à gestão petista, como a própria PEC do fim da escala 6×1 e a PEC da Segurança.
Políticas voltadas às mulheres
A frequência de agendas voltadas ao público feminino durante a gestão do presidente foi intensificada a partir do segundo semestre do ano passado segundo auxiliares do Planalto, sob forte influência da primeira-dama.
Apesar de ter promovido políticas voltadas ao segmento, como a lei de igualdade salarial, a Política Nacional de Cuidados e o Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios, entre outras frentes, pesam contra o petista declarações consideradas machistas e a baixa presença feminina na chefia de ministérios de seu último mandato.
“Estamos com 38% de participação de mulheres em cargos de gestão no governo, e é pouco. Precisamos chegar a 50% ou mais”, disse Lula neste sábado.
Durante a gestão, contrariando as expectativas pela indicação de uma ministra negra ao STF (Supremo Tribunal Federal), grande parte delas vindas do próprio campo da esquerda, Lula nomeou três homens ao cargo: Cristiano Zanin, empossado em 2023, Flávio Dino, em 2024, e Jorge Messias, que teve a indicação rejeitada pelo Senado.
Datafolha aponta Lula à frente entre mulheres
Segundo pesquisa Datafolha divulgada em 21 de agosto, Lula lidera entre as mulheres o petista marca 51% das intenções de voto, ante 38% de Flávio Bolsonaro. O resultado reflete os percentuais da rodada de julho, onde os candidatos marcaram 50% e 40%, respectivamente, dentro da margem de erro de três pontos.
No levantamento de abril deste ano, Lula e Flávio chegaram a marcar um empate técnico no segmento. (Gabriel Araújo/FOLHAPRESS)