Lula tenta se afastar da crise no STF enquanto disputa contra Flávio se acirra
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 4 de setembro de 2026 às 09:41 | Atualizado há 35 minutos
Lula se manifestou pela primeira vez sobre a crise envolvendo o STF e o Banco Master | Foto: Reprodução
A disputa pela Presidência entra em uma fase decisiva com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ainda na liderança das pesquisas, mas diante de um cenário mais apertado para o segundo turno. Ao mesmo tempo em que tenta sustentar a vantagem eleitoral, o petista passou a lidar com a repercussão da crise no Supremo Tribunal Federal (STF), que ganhou força após revelações envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Embora Lula não seja alvo das investigações relacionadas ao caso, os desdobramentos envolvendo integrantes do Supremo ocorrem em meio à corrida eleitoral e acrescentam um novo elemento ao cenário enfrentado pelo presidente.
O caso ganhou repercussão após a Polícia Federal divulgar um relatório que registra contatos entre Moraes e Vorcaro. O banqueiro também prestou depoimento ao gabinete do ministro André Mendonça, relator do caso no STF, e atribuiu ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, indicado por Lula, a responsabilidade pela falta de avanço nas tratativas para uma delação premiada.
Presidente se manifesta sobre a crise
Lula decidiu se manifestar sobre o assunto na noite da última quinta-feira (3). Em um vídeo publicado nas redes sociais, o presidente falou pela primeira vez diretamente sobre a crise que envolve o Judiciário e o Banco Master.
Sem citar Alexandre de Moraes ou qualquer outro integrante do STF pelo nome, Lula defendeu que as instituições sejam fortalecidas e afirmou que o país não pode depender de “vazamentos seletivos”. O presidente também voltou a defender a criação de um código de ética para o Judiciário e o Ministério Público, proposta que já é defendida por setores do PT.
Lula sustentou ainda que as investigações devem alcançar todos os envolvidos, sem proteção a qualquer pessoa. Para o presidente, “é fundamental que se investigue todo mundo, sem blindagem de ninguém, doa quem doer”.
No mesmo discurso, o petista avaliou que mudanças são necessárias no funcionamento das instituições brasileiras. “Fica claro que o nosso sistema político e judiciário precisam de reformas profundas”, afirmou.
Entre terça-feira (1º) e quarta-feira (2), Lula se reuniu separadamente com o presidente do STF, Edson Fachin, os ministros Gilmar Mendes e André Mendonça e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.
Pesquisas mostram vantagem menor no segundo turno
A crise chega ao ambiente eleitoral justamente quando Lula começa a encontrar uma disputa mais equilibrada pela Presidência. Os levantamentos recentes mantêm o presidente à frente no primeiro turno, mas mostram uma distância cada vez menor em uma eventual segunda rodada contra Flávio Bolsonaro (PL).
Na pesquisa Datafolha divulgada na última quinta-feira (3), Lula aparece com 38% das intenções de voto no primeiro turno. Flávio Bolsonaro tem 33%, enquanto o escritor Augusto Cury (Avante) alcança 8%.
A diferença fica ainda mais estreita no segundo turno. Lula soma 46%, contra 44% de Flávio. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, os dois estão tecnicamente empatados.
O resultado representa uma mudança em relação ao levantamento anterior do Datafolha, divulgado em 21 de agosto. Na ocasião, Lula tinha 47% e Flávio Bolsonaro, 43%, uma vantagem de quatro pontos para o presidente.
A pesquisa Quaest, divulgada na quarta-feira (2/9), apresentou números semelhantes no primeiro turno. Lula registrou 37%, seguido por Flávio, com 30%, e Augusto Cury, com 10%. O levantamento tem margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Quando considerados apenas Lula e Flávio em um segundo turno, a distância também desaparece dentro da margem de erro. O presidente aparece com 42%, enquanto o senador marca 41%.
Outro levantamento, realizado pela Real Time Big Data e divulgado na última terça-feira (1º), reforça a tendência. Sem a presença de Pablo Marçal (PRTB), Lula tem 38% no primeiro turno, contra 30% de Flávio Bolsonaro e 11% de Augusto Cury.
Na simulação de segundo turno entre Lula e Flávio, os dois chegam ao mesmo percentual: 44% das intenções de voto.
Com pouco mais de um mês para o primeiro turno, Lula, portanto, preserva a liderança na primeira etapa da disputa, mas enfrenta uma corrida mais apertada na segunda. É nesse contexto que a crise envolvendo o Supremo e o Banco Master passa a representar mais um fator de atenção para a campanha do presidente.