Mabel protocola ação contra Clécio Alves, que reage com pedido de impeachment
Léo Carvalho
Publicado em 20 de fevereiro de 2026 às 11:36 | Atualizado há 5 meses
Troca de acusações entre deputado Clécio Alves e prefeito Mabel deve se estender à Câmara Municipal de Goiânia | Foto: Alego/Reprodução
O prefeito de Goiânia, Sandro Mabel (UB), anunciou que protocolou ação penal contra o deputado estadual Clécio Alves (Republicanos) após ataques e declarações feitas pelo parlamentar durante sessão da Assembleia Legislativa do Estado de Goiás (Alego), na última quartra-feira (18).
Segundo relato do prefeito, o deputado o teria ofendido durante a solenidade de abertura do ano legislativo, chamando-o de “bandido” e fazendo referência a suposta prática de corrupção. Mabel informou que registrou representação no Conselho de Ética da Casa e apresentou queixa-crime por calúnia, difamação e injúria. Ele sustenta que as declarações extrapolam os limites da imunidade parlamentar por não estarem vinculadas à atividade legislativa.
O caso ocorreu após o encerramento da sessão, quando Clécio Alves deixou sua bancada e se dirigiu à Mesa Diretora, onde estavam o governador Ronaldo Caiado (PSD), vice-governador Daniel Vilela (MDB) e o presidente da Casa, Bruno Peixoto (UB). Diante da situação, Peixoto interveio para encerrar a manifestação.
Por que o impeachment
Em resposta, Clécio Alves afirmou que irá protocolar, na próxima quarta-feira (25), às 9h, pedido de impeachment contra o prefeito Sandro Mabel na Câmara Municipal de Goiânia. Durante pronunciamento no Pequeno Expediente, o deputado questionou atos administrativos da Prefeitura de Goiânia, mencionando o fechamento da usina de asfalto, contratos envolvendo a Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg) e o Instituto Municipal de Assistência à Saúde dos Servidores de Goiânia (IMAS), além da cobrança da taxa de lixo. Segundo ele, as medidas exigem esclarecimentos e fiscalização.
Análise política
O confronto ocorre em meio a um ambiente de desgaste entre o Executivo municipal e o integrante do Legislativo estadual. Ao levar a queda de braço ao Judiciário e ao Conselho de Ética, o prefeito Mabel transfere parte da disputa para instâncias formais de apuração e estabelece um novo patamar institucional para o embate.
A reação do deputado, ao anunciar pedido de impeachment, eleva a temperatura do ambiente político e desloca o foco do embate para a Câmara Municipal, instância responsável por analisar a admissibilidade e eventual abertura de processo. O avanço ou arquivamento da iniciativa dependerá da fundamentação jurídica apresentada e da correlação de forças entre as bancadas.
O que causa perplexidade é o fato de as trocas de farpas terem ocorrido diante das principais autoridades estaduais do Estado, circunstância que projeta o conflito para além do campo administrativo e tende a influenciar o ambiente político da capital, com reflexos na relação entre o Paço Municipal e o Legislativo nas próximas semanas.