Maguito reprova rompimento com PT
Redação DM
Publicado em 19 de novembro de 2015 às 23:14 | Atualizado há 11 anosFica claro que, além do conflito com o PT, deflagrado há duas semanas, o PMDB ainda se vê tomado pela disputa interna entre os aliados de Iris Rezende e a turma de Maguito Vilela. Na coluna Giro (O Popular) de ontem, o prefeito de Aparecida de Goiânia critica os ataques do partido ao prefeito Paulo Garcia e externa que não concorda com a estratégia de Iris, que pretende romper com o PT em Goiânia.
“O caminho não é este. O PMDB já brigou com todo mundo. Se continuar neste caminho, ficará ainda mais isolado, vai perder as próximas eleições. A estratégia correta é ampliar nossa aliança no Estado. É preciso repensar a direção do PMDB em Goiás”, disse Maguito.
O PMDB sinaliza o fim da aliança porque não concorda com o aumento no valor do IPTU proposto por Paulo Garcia. O vice Agenor Mariano classificou o reajuste como “estupidez”.
“As dificuldades de gestão não são apenas nos municípios do PT, mas do PMDB também. Ninguém gosta de aumentar impostos, mas quem está no comando é quem sabe o que precisa ser feito. A função de vice-prefeito é harmonizar, não ficar criticando”, afirmou Maguito.
O prefeito de Aparecida resgatou uma derrota de dez anos atrás para alertar que a união é essencial na política. “Eu perdi eleição praticamente ganha para o governo em 2006 porque não me deixaram fazer aliança com o PT, que é meu aliado em Aparecida, onde fui eleito e reeleito prefeito com 11 partidos. É a forma correta de conduzir o PMDB”.
As divergências entre maguitistas e iristas vêm desde 1994, quando o atual prefeito de Aparecida de Goiânia foi escolhido candidato a governador, em quebra-de-braço com os iristas Napthali Alves, Haley Margon Vaz e Rubens Cosac. Na formação de seu secretariado, como governador empossado, Maguito excluiu os cardeais do PMDB ligados a Iris Rezende.
Em 1998, quando Maguito Vilela liderada todas as pesquisas na corrida ao Palácio das Esmeraldas, os seguidores de Iris Rezende foram buscá-lo no Ministério da Justiça para disputar a sucessão estadual. O peemedebista perdeu as eleições para o jovem tucano Marconi Perillo.
Em 2002, Maguito enfrentou o governador Marconi Perillo, que concorreu e ganhou a reeleição. Os iristas não se engajaram na campanha do candidato oficial do PMDB.
Em 2006, Maguito liderou as pesquisas, durante quase toda a campanha eleitoral, na disputa pelo governo de Goiás. Iris, no Paço Municipal, cogitou renunciar ao cargo de prefeito para concorrer às eleições. A primeira dama Iris Araújo chegou a “convocar” os prefeitos peemedebistas para lançar Iris ao Governo de Goiás. Não havia ambiente para o irismo atropelar Maguito. Nova divisão do PMDB levou Maguito à derrota. O vencedor foi o então governador Alcides Rodrigues (PP).
Em 2010 e 2014, Iris Rezende impôs sua vontade e disputou o Palácio das Esmeraldas, colecionando duas derrotas para Marconi Perillo, sempre em um ambiente de divisão interna do PMDB.
Sem comando
Este ano, mais uma vez os iristas e maguitistas promoveram o racha do PMDB. Agora, se tratava da eleição para o diretório estadual. Com o lançamento da candidatura do deputado federal Daniel Vilela à presidência da executiva, o irismo reagiu e estimulou o ex-prefeito de Bom Jardim de Goiás, Nailton de Oliveira a concorrer ao cargo.
Diante da divisão interna, o ex-deputado José Essado acionou a Justiça e conseguiu “melar” a convenção estadual, marcada para o dia 29 de outubro, que elegeria o diretório e, consequentemente, a executiva e a nova presidência, em substituição ao ex-deputado Samuel Belchior.
Agora, caberá ao presidente nacional do PMDB. Michel Temer, nomear a comissão provisória estadual, com sete integrantes, e designar o novo presidente. Essa comissão terá 90 dias para convocar nova convenção para a eleição do diretório estadual.
Enquanto os cardeais peemedebistas não se entendem o principal partido de oposição em Goiás enfrenta dificuldades para a escolha de candidatos a prefeito, vice e vereador, nos 246 municípios, às eleições do ano que vem. “Temos que resolver rapidamente esta questão sobre a direção estadual do PMDB, porque a cobrança, por parte das lideranças e possíveis candidatos a prefeito, é muito grande”, sustenta o líder da bancada estadual do PMDB, José Nelto.