Marina defende Lava jato e pede voto em Djalma com alma
Redação DM
Publicado em 22 de agosto de 2016 às 13:52 | Atualizado há 2 anosDurante o lançamento oficial da candidatura do vereador Djalma Araújo a prefeito de Goiânia pelo Rede Sustentabilidade, no auditório da Acieg, em Goiânia, na noite da última sexta-feira, a presença da porta voz nacional da legenda, Marina Silva, dominou os olhares.
Líder nas pesquisas de opinião para a presidência do país, Marina pediu voto com a “alma em Djalma” e defendeu a operação da Lava jato, que poderá afastar os criminosos da política. “Assim, a política ficará desinteressante para eles”.

No evento, Marina lembrou aos integrantes da Rede que o partido não pode fazer alianças a qualquer preço e que não deve deixar de considerar o programa de governo debatido com a sociedade para se colocar como candidato.
A festa teve a presença do vice Valmiro Batista, dos porta-vozes Edson Braz e Meire Nalva Maria, do coordenador nacional Pedro Ivo, procurador e ex-candidato ao Senado Aguimar Jesuíno, dentre outros.
Em seu discurso Djalma Araújo chamou os demais candidatos para o “contraditório” e pediu que analisassem seu passado.

“Nós não podemos temer o contraditório. A vida esquenta, esfria, a vida desinquieta, inquieta…Mas a vida quer de nós coragem. Já dizia Guimarães Rosa, nosso grande escritor mineiro. E digo mais: ela quer da gente metamorfose”, disse de forma poética o candidato da Rede, que se referia à necessidade da mudança na política da Capital e do país.
“Analisem minha vida lá no Tribunal de Justiça, meu passado, quero que analisem. Pois aqui temos uma vida limpa. Não é à toa que criei no município a lei da Ficha Limpa. Prefiro comer cascalho do que afanar dinheiro público. Se não ganhar estas eleições, prefiro arrumar um empreguinho qualquer e viver minha vida. Fome, amigo, não vou passar. Por que nordestino come cuscuz, come beiju, come o que der”.

Djalma disse que os candidatos da Rede são os mais técnicos e preparados para enfrentar os dilemas sociais e apresentou os postulantes à Câmara Municipal de Goiânia e de outras cidades para Marina. Em cada ponto, uma crítica ao que chama de velha política.
“Me perguntam o motivo de ser candidato. Aqui fizeram uma lambança tão grande. Veja bem: um candidato que era oposição ao governador agora está junto. Temos candidatos que são grandes empresários, mas que não colocaram empresa em Goiânia. Temos outro candidato que desistiu, depois voltou atrás e não quer nunca mais largar o osso. Tem outro que defende OS, as organizações sociais; tem outro que vai resolver a situação da cidade na bala, e o vice de outro candidato que defende bolsa arma. Para esses, amigos, temos a bolsa livro e bolsa escola. Arma não resolve nada”, discursou.
Devido a grande lotação do auditório, o comando de campanha do vereador decidiu realizar transmissão ao vivo pelo Facebook via streaming, tendo em vista os internautas que desejavam acompanhar o evento na noite de sexta-feira e não puderam se dirigir para Goiânia.
Participaram pré-candidatos da Rede de Goianira, Valparaíso, Águas Lindas, Inhumas, Catalão, dentre outras cidades. Requisitada, Marina e Djalma fizeram fotos com todos postulantes da Rede.
Em seu discurso, Marina Silva elogiou os programas de governo que funcionaram no país, mas sem “fulanizá-los”. A líder do Rede Sustentabilidade afirmou que programa bom precisa ser institucionalizado – seja de FHC ou Lula.
“Política pública que deu certo tem que continuar. Por isso quando assumimos compromisso, tenha certeza, nós vamos manter. Já as coisas erradas nós vamos corrigir. E as coisas que não foram feitas, nós vamos começar. É muito difícil reconhecer os feitos alheios. Coisa boa a gente institucionaliza”.
Uma das líderes das pesquisas para a disputa presidencial de 2018, Marina tem contemporanizado as disputas e as relações políticas. “A Rede não é oposição cega, muito menos situação cega. Se o Djalma ganhar, ele precisará de vereadores. Mas Djalma não é Deus. Logo, ele pode cometer erros e as pessoas podem, sim, mostrar que ele errou. Oposição cega só vê defeitos. Isso não é bom para Goiânia. O certo é assumir oposição. Mas isso dá trabalho. Quando a crítica é consistente, assim, é o certo. O Djalma disse ‘eu estudei, levantei o assunto, assumi posição’. Pra assumir, tem que aprofundar a matéria, buscar especialista e falar com propriedade”.
Marina reconheceu as dificuldades do candidato da Rede na disputa deste ano. Mas não o desanimou. “Começamos com dificuldade. Djalma só tem 12 segundos de horário eleitoral, mas dá para fazer assim: chama o povo, ‘olhem, assista mais na internet’. E vamos fazer o programa com três minutos na rede de computadores. Não precisa ser muito cumprido não. Três está bom. Vamos criar espaços criativos, fazer transmissões ao vivo”, disse Marina.
[box title=”Rede sofreu pressão para cancelar lançamento“]
Durante o evento, a ex-candidata a presidente da República Marina Silva disse que a Rede enfrenta perseguições. “Afinal, somos diferentes”. Ela acusou, por exemplo, a tentativa de impedir que o partido participe de debates durante o período eleitoral. “Mudaram a lei para não participarmos de debate. Isso é manobra para que a gente não participe. Nós não somos contra alianças, nem somos donos da verdade. Precisamos melhorar o Brasil com os melhores de vários partidos. No entanto, não é poder pelo poder. Se não concorda com nossa postura, evidente, não dá para fazer aliança”.
Ao comparar a política com um desfile de escolas de samba, Marina disse que não adianta lamentar o pouco tempo de TV. “Pode ter certeza que nós temos uma boa comissão de frente. Temos um candidato com seis mandatos de vereador, que conhece a cidade com a palma da mão e que as pessoas conhecem até seu último fio de cabelo. Nós vamos então para a avenida, pois sabemos o samba enredo. Djalma tem na alma escrito que a política é pra servir e não se servir. Vamos conversar com as pessoas, dialogar com todo mundo”.
Marina disse ainda que a legenda não pode fazer alianças com o “diabo”. “Se com 12 segundos nós formos para o segundo turno, então, vamos ganhar estas eleições. Se ele chegar lá contra esta estrutura faraônica de campanha não tem quem tire a vitória de nosso candidato. Mas não vamos fazer qualquer coisa, se juntar ao diabo, para vencer não. Vamos ganhar ganhando, sendo coerente com o que acreditamos. E se perdermos, vamos perder ganhando. É perder apresentando nossa proposta e sair muito maior do que quando entramos”.
Após o evento integrantes que organizaram o lançamento da candidatura de Djalma divulgaram um diálogo entre os responsáveis por locar o auditório da Acieg com a Rede. Na conversa, a entidade resolveu cancelar a locação do auditório menos de 24 horas antes do evento, com nítido interesse em prejudicar o partido.
Djalma Araújo disse que avalia as medidas que tomará. No diálogo, existe temor de que os participantes destruiriam o local e que eles seriam reembolsados. Mas antes o diálogo indicava que ainda não teria sido adimplida a locação. Fato contestado pelos organizadores com o boleto já quitado.
Nos bastidores, foi comprovado que uma ala jovem da política conservadora, ligada aos segmentos empresariais, teria realizado pressão para que o evento não ocorresse no local. Com a ameaça de que o assunto seria levado para a Justiça e imprensa a entidade optou em manter o contrato.
Recentemente a residência de Djalma sofreu atentado com tiros, fato que é investigado pela Polícia Civil. O vereador questiona vários segmentos empresariais, como o imobiliário e tem recebido constantes ameaças de morte de segmentos ligados ao transporte e a máfia dos combustíveis. O candidato diz que o atual prefeito é fantoche dos grupos econômicos da Capital. “Tem candidato jovem aí com sobrenome de velho que vai dar a continuidade a que sempre se fez de errado na Capital: sequestrar a cidade para as elites”.
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