Marketing político diminui gastos com campanha eleitoral
Redação DM
Publicado em 21 de novembro de 2015 às 21:46 | Atualizado há 11 anosPara as eleições municipais de 2016 faltam menos de um ano, porém as articulações entre políticos e alianças partidárias já começaram a ser discutidas e projetadas para as próximas campanhas eleitorais. Não obstante, as campanhas não são períodos planejados de uma hora para outra. Pelo contrário, são meses de discussões e planejamentos que exigem uma equipe preparada e engajada no projeto político.
Com base nessa necessidade que Goiânia sediará a quarta edição do curso ‘Marketing para Campanhas Vitoriosas’ destinado aos próprios candidatos, assessores, jornalista, publicitários e demais interessados no tema. Ministrado pelo especialista em Marketing Político e Eleitoral, Marcos Marinho, o objetivo é apresentar análises teóricas e práticas do Marketing Eleitoral, contextualizadas com a realidade.
Qual o objetivo do curso e quais temáticas serão abordadas em relação ao marketing político?
Marcos Marinho: O curso Marketing para Campanhas Vitoriosas está em sua 4ª edição. É destinado a candidatos(as), assessore(as), jornalistas, publicitários(as), estudantes e demais interessados pelo tema. O objetivo é apresentar análises teóricas e práticas do Marketing Eleitoral, contextualizadas para nossa realidade. Abordando questões estratégicas de uma campanha eleitoral, buscamos auxiliar na montagem das equipes, na elaboração dos material de comunicação, no relacionamento entre políticos e mídia, além de alertar para os riscos de uma campanha eleitoral e as regras do jogo – o direito eleitoral atualizado após a minirreforma de 2015. Realizado com uma turma reduzida onde há a possibilidade de interação e debate, oferecemos um conteúdo adaptado para o cenário goiano das disputas para os cargos de vereador e prefeito que ocorrerão no próximo ano.
Por que é importante incluir marketing político em uma campanha eleitoral?
Marcos Marinho: O momento histórico é crítico e promove um afastamento da população em relação aos assuntos que envolvam eleições e políticos, e isto dificulta muito a conquista do voto. Com novas regras e um cenário complicado, as eleições de 2016 trarão grandes dificuldades para quem deseja se lançar à disputa de uma vaga nas câmaras e prefeituras de nosso país, o que acaba por obrigar a todos que vão participar do pleito a se preparar muito bem para a disputa. O candidato que não consegue se fazer notar entre seus concorrentes, que não promove um discurso capaz de conquistar o eleitor e que não compreende a dinâmica de utilização dos canais comunicacionais fica fora das opções de voto e assim bastante próximo da derrota.
A partir de qual momento político o marketing foi reconhecido como um instrumento relevante?
Marcos Marinho:Antes mesmo de serem conhecidas como estratégias de marketing, muitas ações que estudamos hoje já eram amplamente utilizadas para a conquista e manutenção do poder. Quando imperadores cunhavam moedas com suas faces estampadas já estavam fazendo uso do marketing político. No Brasil podemos considerar Getúlio Vargas como um grande usuário das estratégias do marketing político através do rádio, e Fernando Collor, em 89, como o maior importador de ações de marketing eleitoral e comunicação política do período pós ditadura. Em Goiás, sem dúvida, o governador Marconi Perillo é também um profundo entendedor da importância das ações de marketing e comunicação política.
Os políticos em Goiás entendem essa importância? Estão abertos para utilizar esse instrumento, inclusive nas redes sociais?
Marcos Marinho: Alguns entendem, mas ainda não perfazem a maioria. Há aqui no nosso Estado muito improviso e amadorismo na gestão de campanhas eleitorais e também da imagem dos eleitos. A falta de entendimento sobre o que é, e para o que serve, o marketing político e eleitoral faz com que muitos políticos ignorem elementos primários da boa atuação e comunicação política. Além disto também há muita ignorância sobre o funcionamento dos meios de comunicação, principalmente a internet que por oportunizar ferramentas poderosas e de baixo custo, é utilizada de modo extremamente equivocado.
Qual é a maior resistência dos políticos com relação ao marketing político?
Marcos Marinho:Alguns políticos ainda acreditam exclusivamente na força do sobrenome, na coerção do poder econômico e até nas “boas intenções” como armas capazes de garantir-lhes os votos suficientes para uma eleição, mas geralmente se equivocam. Alguns ainda confundem marketing com enganação, e não percebem que se trata de estratégia e técnica em prol de um objetivo. Ainda há muita alocação de recursos sendo feita de forma equivocada nas campanhas eleitorais, gasta-se muito dinheiro de forma errada, sem efetividade, usando referências que não mais podem ser aplicadas no contexto atual.
O marketing político pode reduzir os gastos de campanha? Qual o papel nesse aspecto?
Marcos Marinho: Com certeza! O marketing político é uma composição de estratégias pautadas em análises técnicas do cenário, das ameaças e oportunidades, e dos recursos disponíveis para o projeto. Trabalhamos com planejamento, pesquisa, testes e ferramentas que otimizem o potencial do candidato e o alinhem com o contexto eleitoral. É uma ciência que se ocupa, da mesma forma que se ocupa no marketing para empresas, em alcançar resultados com mais assertividade e menor custo. Uma campanha eleitoral pode ser comparada a uma empresa que tem dia para abrir, dia para fechar, e apenas um resultado satisfatório, a vitória. Sendo assim o marketing político e eleitoral atua para maximizar forças, reduzir fraquezas, aproveitar oportunidades e combater ameaças durante o projeto.
Onde os políticos mais erram ao pensar em marketing político?
Marcos Marinho: Fundamentalmente ao pensar que só precisam se preocupar com isto durante a campanha eleitoral. O marketing político deve ser feito durante toda carreira do ator político, e será reforçado pelo marketing eleitoral apenas no pleito. Muito políticos buscam utilizar o marketing eleitoral durante a disputa pelo voto, mas não dão continuidade ao trabalho de marketing político durante o mandato, e aí permitem uma degradação do capital político que conquistaram nas urnas. Uma coisa é clara, quem não investe em marketing político gasta bem mais na campanha do que quem faz um trabalho constante de imagem e comunicação política. A cada pleito tem ficado mais evidente que não há espaço para amadores nas disputas eleitorais. Técnica e habilidade comunicacional são fundamentais para oportunizar que os bons políticos sejam vistos, ouvidos e votados