Política

Meirelles não divulga nota que confirma desistência

Redação DM

Publicado em 30 de março de 2022 às 13:07 | Atualizado há 4 anos

Pré-candidato ao Senado por Goiás, Henrique Meirelles (PSD) deu ontem um giro de 360°: nos bastidores, teria optado em desistir da disputa ao Senado e, por fim, até o fechamento desta edição, teria desistido de desistir. Isso mesmo: ele seguirá como pré-candidato.

Até início da tarde, ele estava com um pé na política paulista e outro na gestão do Estado de São Paulo. Secretário da Fazenda na gestão do governador João Doria, ele teria preparado sua equipe de comunicação para realizar uma coletiva no Castro Hotel, às 13h30, de terça-feira.

Neste encontro, explicaria razões sintéticas da desistência. Pouco antes da coletiva, que não ocorreu, circulou a informação de que ele divulgaria nota para comunicar o desinteresse em disputar a única vaga de senador. No final da tarde, veio a possível desistência da desistência. E a nota não foi divulgada.

Político goiano natural de Anápolis, Meirelles, caso desista da disputa pelo Senado, pode ainda ser candidato a vice-governador em São Paulo, finalizar o exercício como secretário da Fazenda ou torcer por uma vitória de Lula, na expectativa de ser chamado para integrar o novo governo petista. Tem, portanto, vários cenários pela frente.

Nos bastidores, existem três hipóteses para a crise de ontem: 1) não teria o apoio que desejava dentro do PSD, que estaria prestes a ‘desistir’ de Meirelles; 2) Não teria vontade de fazer uma campanha desgastante e competitiva ao Senado, que exige inúmeros encontros e eventos; 3) Temor dos rigores da legislação eleitoral.

Início em 2021
As especulações em torno da candidatura de Meirelles iniciaram em 2021, quando o PSD goiano, primeiro através de Vanderlan Cardoso e depois Vilmar Rocha, convidaram o político para disputar a vaga.

O pré-candidato adiou por três vezes sua vinda, de fato, para Goiás tendo em vista iniciar a campanha. Era grande a expectativa de inúmeros pré-candidatos à Assembleia Legislativa do Estado de Goiás (Alego) e Câmara Federal, uma vez que é famoso o patrimônio financeiro do ex-presidente do Banco Central.

Na cabeça dos políticos, semelhante ao que ocorreria com Júnior Friboi, em 2014, Meirelles “despejaria” recursos nos candidatos e partidos. Uma corrente de pré-candidatos já contava exclusivamente com a ajuda financeira de Meirelles, que, por sua vez, teria sido bem orientado por advogados eleitorais a respeito das regras restritivas que motivam perdas de mandato.

O exemplo da ex-senadora Selma Arruda (MT), ex-juíza que teve o mandato cassado por Caixa 2 e abuso do poder econômico, em 2020, ecoou como alerta para campanhas supostamente sustentadas na riqueza dos candidatos.

Sem Meirelles, o PSD teria a alternativa do deputado estadual Lissauer Vieira, nome também bem querido pela base aliada ao governador Ronaldo Caiado. Ele está na fase do ‘esquenta’ e se prepara para a corrida, que já começou.

A hipótese de crise dentro do PSD é forte: o presidente da legenda, Vilmar Rocha, em encontro com Meirelles, horas antes, cobrou dele decisão efetiva, já que a legenda aguarda ansiosa sua candidatura. Meirelles, por sua vez, teria se sentido desprestigiado na legenda e, assim, começou o processo de desistência, que acabou suspenso na tarde de ontem.

O cenário para o Senado, ao contrário do favoritismo visto na luta para governo, está aberto: o deputado federal Delegado Waldir (UB) aparece bem nas pesquisas; o ex -governador por quatro mandatos, Marconi Perillo, é o nome do PSDB e o ex-senador Wilder Morais foi confirmado como pré-candidato pelo presidente Jair Bolsonaro. Mais distantes na construção da candidatura, mas não menos competitivos, aparecem Alexandre Baldy (PP), Luis do Carmo (PSC) e João Campos (Republicanos). A expectativa é de somente em julho o quadro tornar-se claro.

De todos os pré-candidatos, apenas Delegado Waldir já executa atos de pré-campanha sistemática. Participa praticamente de todos os eventos com o governador Ronaldo Caiado e segue com grande movimentação nas redes sociais. Pesa contra ele o fato de ser do mesmo partido do governador.

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