Política

Movimento Fica Iris mostra desespero peemedebista em evento

Redação DM

Publicado em 15 de julho de 2016 às 19:34 | Atualizado há 10 anos

O movimento que pede “Fica Iris” realizou nesta sexta-feira, 15, no escritório político do líder peemedebista, no setor Marista, T-9, na tarde desta sexta-feira, um pedido em uníssono para que ele não abandone a política.

O ex-cacique do PMDB escreveu carta há duas semanas, em que abre mão de disputar as eleições em Goiânia, apesar de liderar as pesquisas. O fato caiu como uma bomba para a sigla, que não tem plano B na Capital.

O ex-prefeito fez discurso em que declara amor por Goiânia e comenta a situação da política na atualidade. “Já fui homenageado centenas e centenas de vezes. Mas essa homenagem foi a que mais me tocou. Hoje, um político não pode chegar em um restaurante que é vaiado”, disse Iris ao pegar o microfone e mostrar o motivo de ser um animal político.

Enquanto Iris discursava, um cachorro latia próximo dos interlocutores. Por sua vez, os admiradores gritavam: “Fica, Iris! Fica, Iris!

 

O discurso longo não levou a lugar nenhum: Iris despistou e manteve a palavra de se afastar da política.

O conteúdo do discursos variou do messiânico ao saudosista, passando para o autoelogio piegas.

Ao fazer uma retrospectiva de sua vida, ao lado da esposa, por exemplo, afirmou que sabe lidar com todo tipo de trabalho de roça.  Após aplausos, se caracterizou como “rapazinho de mãos calejadas” quando chegou na capital. De Chico Bento pulou para o amante apaixonado. Disse que amou Goiânia, a única cidade que “não tem favela”.

Emocionado ao citar sua trajetória, de vereador a prefeito, Iris perguntou: “Tem alguém nessa cidade que deve mais à Goiânia do que eu? Não tem!!!”.

 


“Não é fugir à luta não. É movido por amor que acredito que minha paralisação vai dar oportunidade a dezenas de jovens  realmente se consolidarem como líderes desta cidade, deste estado e deste país!” – Iris Rezende


 

No ‘bis’ do seu discurso disse que seu patrimônio surgiu na advocacia, como que defendendo de onde surgiu sua riqueza

E ao citar o religioso Paulo, fez de novo uma citação bíblica: “Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé”.

Iris ainda fez incursões às passagens bíblicas. Em seu discurso, saiu das coisas mundanas para o numinoso: “Mas muita coisa não se encontra explicação. Só Deus sabe o que se passa em seu íntimo. Só Deus!”, disse ao citar Moisés, Jesus e apóstolo Paulo.

A plateia assistia como se fosse um filme. Iris interpretava Charlton Heston como Moisés. E ali ele narrava os feitos ora do Mar Vermelho ora de sua vida pública.

O momento mais triste (ou tenso) foi quando tocou na piedade de sua decisão: “Não fiquem chateados comigo, me compreendam: porque essa decisão que tomei eu disse… não mudaria!”.

AMOR

Em seguida, emendou: “Não é fugir à luta não. É movido por amor que acredito que minha paralisação vai dar oportunidade a dezenas de jovens  realmente se consolidarem como líderes desta cidade, deste estado e deste país!”.

De repente, Iris puxou pelo braço Bruno Peixoto, Andrey Azeredo, Daniel Vilela e Agenor Mariano e disse que qualquer um deles que se candidatarem vai “dar o recado que essa cidade quer”.

“Se estou errando, me perdoem. Mas no meu íntimo estarei me esforçando para que as jovens lideranças possam acentuar que Iris estava certo”, disse.

 

“Olhe, o líder não se consolida por eleição, por discurso histórico. Se consolida quando ele não tem medo!” – Iris Rezende

 

Quando o jogo já estava perdido para o time “Fica Iris”, entretanto, ele mandou um recado polissêmico: “Uma coisa posso dizer: nunca fui de me acovardar.! Me consolidei como líder!”.

A frase enigmática abre um sentido: estaria Iris se preparando para 2018? Com nítido vigor físico, o líder peemedebista pode preparar seu retorno a partir do próprio desastre nas urnas em outubro que já se anuncia, caso a legenda não se organize urgentemente.

NOVA INDIRETA

Quando menos se esperva, ele voltou a falar em língua difícil, como os pentecostais: “Olhe, o líder não se consolida por eleição, por discurso histórico. Se consolida quando ele não tem medo!”, estocou novamente.

Estaria Iris falando de forma subliminar novamente?

Em seguida, ao falar que não sabe como o líder decide suas posições e mesmo seu futuro, dona Iris de Araújo fez um discurso desesperado, olhando nos olhos da juventude peemedebista: “Tenho 50 anos de PMDB! Quero fazer um apelo público para a juventude do PMDB!!! Daniel, Agenor, você, Bruno, e todos que compõem essa juventude: não abandonem o partido, não entreguem a sigla em nome da história do Iris, de Goiás e do Brasil!!!”.

LOUVAÇÃO

Antes de Iris, as lideranças do partido e de legendas próximas, como o Democratas, discursaram e pediram para que o peemedebista não abandone a carreira política.

Fogos comemoravam não se sabe bem o que.

Os olhares dos políticos mais jovens estavam assustados com a força do peemedebista frente aos populares. Deputado estadual Bruno Peixoto, por exemplo, apresentava um semblante incomodado: antes defensor de Iris, nos últimos meses se afastou do líder.

Ali, na tragédia shakesperiana, ocuparia o papel do traidor. Os vídeos estão gravados para se observar como caminhavam seus olhos.

Dos mais jovens, os únicos à vontade eram Andrey Azeredo e Agenor Mariano – verdadeiros seguidores de Iris.

 

 

 

No evento desta sexta-feira, o líder peemedebista recebeu como presente uma carta com milhares de assinaturas para que ele permaneça na política.

O prefeito de Aparecida de Goiânia, Maguito Vilela, defendeu a permanência de Iris: “Ele tem tudo: experiência, história… Ele ainda está com todo o gás e saúde e vigor para enfrentar e vencer uma eleição e administrar bem uma cidade como Goiânia”.

Defendeu o cacique no episódio Henrique Meirelles, em que na indicação da candidatura ao governo, em 2010, Iris teria convidado o atual ministro da Fazenda para ser candidato ao governo. “Iris deu a ele 30 dias”, disse Maguito.

 

O prefeito de Aparecida nega que a ala jovem da legenda tenha tomado o comando do partido do ex-governador, apesar da esposa de Iris, Iris de Araújo, usar as redes sociais para demonstrar insatisfação com críticas e alfinetadas – e no discurso ter nomeado os jovens e os convocado para uma missão.

Maguito diz que não é verdade a crítica de que os jovens isolaram o ex-governador e defende o atual comando do partido, concentrado nas mãos de Daniel Vilela, seu filho.

 

“Isso não é verdade. O diretório, todos os deputados estaduais e federais, eu próprio, o Daniel Vilela, nós viemos entregar aqui o comando do partido a ele, para que ele fosse o presidente do partido ou indicasse uma pessoa da sua confiança para continuar conduzindo o PMDB. Afinal, ele sempre teve o comando político. O partido apoia todas as suas decisões. O partido é 100% Iris Rezende”.

CONSTRANGIMENTO

Nos bastidores, o encontro desta tarde foi constrangedor principalmente para o grupo que almeja disputar as eleições em 2018.

Sem o comando de Goiânia e a presença dos iristas a tendência é que o partido entre ainda mais frágil nas eleições de 2018.

O partido tem pelo menos duas alternativas em 2018:  apoiar Ronaldo Caiado (DEM) ou Daniel Vilela. Caso a posição peemedebista seja o apoio ao líder do Democratas, é provável que o PMDB apoie Maguito, pai de Daniel, ao Senado.

E sem Iris toda a conjectura da oposição se enfraquece, já que o líder do PMDB é ainda o maior puxador de votos da legenda.

Durante o encontro desta sexta-feira, Iris escutou cantores, poetas e lideranças de bairro que pediram sua permanência na disputa de outubro e na política.

Em conversa com jornalistas, após seu pronunciamento messiânico, disse que se comunica com o povo pelo “olhar”, como se fosse um ungido da política.

Como se vê, os dados ainda não foram jogados.


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