Política

 “Não posso dizer  que não serei candidato”

Redação DM

Publicado em 28 de outubro de 2015 às 22:32 | Atualizado há 11 anos

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Na primeira entrevista à imprensa depois das eleições de 2014, quando perdeu a disputa pelo governo de Goiás para o tucano Marconi Perillo, o peemedebista Iris Rezende evitou confirmar se irá concorrer, pela quarta vez, à prefeitura de Goiânia, em 2016. “Eu não posso dizer que não sou candidato a prefeito, porque depois irão dizer, o Iris não tem palavra. Hoje, não seria candidato.”

Ao deixar, em aberto, a possibilidade de disputar o Paço, Iris ressaltou que participa de um projeto segundo as necessidades, “do meu país, do meu estado, do meu município e do meu povo.” Por que me considero um escravo da minha gente? Porque nunca um homem público recebeu em Goiás, do povo, o tanto que eu recebi.

Ao participar do programa “Jornal da Sucesso, da rádio Sucesso/FM, sábado passado, dia em que Goiânia completou 82 anos de fundação, Iris falou de sua trajetória política construída a partir da cidade, onde foi vereador e prefeito eleito por três vezes. “Se não fosse Goiânia, eu não seria o político vitorioso que sou.”

Em conversa descontraída com os entrevistadores Jones Matos e Ulisses Aesse, Iris Rezende respondeu perguntas dos ouvintes e reafirmou estar com “saúde de ferro”. E justifica: “Chego aos 82 anos com ótima saúde, uma dádiva de Deus. Costumo dizer que tenho esse vigor físico porque fui criado no cabo da enxada, na roça, em Cristianópois.”

Fez referência ao fundador de Goiânia, Pedro Ludovico Teixeira, “um exemplo de homem público”. O peemedebista lembrou que, sem a construção de Goiânia, dificilmente Juscelino Kubitschek teria consolidado Brasília.

Iris Rezende preferiu não avaliar o desempenho da presidente Dilma Rousseff e do prefeito de Goiânia, Paulo Garcia.

LEIA A ENTREVISTA

Candidatura a prefeito

“Eu não posso dizer que não sou candidato a candidato a prefeito, porque, depois, irão dizer, o Iris não tem palavra. Hoje, não seria candidato. Participo um projeto segundo as necessidades, do meu país, do meu estado, do meu município e do meu povo.” Por que me considero um escravo da minha gente? Porque nunca um homem público recebeu em Goiás, do povo, o tanto que eu recebi. O povo de Goiás fez daquele menino, daquele rapaz que veio da roça, vereador, deputado, prefeito, governador, me proporcionou ser ministro. Então, tenho que morrer preocupado com o estado, sobretudo com Goiânia. Porque se não fosse Goiânia, eu não seria o político vitorioso que sou. Posso dizer que trabalhei, em três mandatos, muito por Goiânia. No primeiro mandato, organizamos os mutirões, que virou exemplo para o país inteiro. Ninguém sabia o que era mutirão. Jornalista, empresário, ninguém sabia o que era mutirão. É a solidariedade das pessoas em favor de muitos, de milhares. Através dos mutirões, construímos muitas obras em Goiânia, principalmente casas. No segundo e terceiro mandatos, também não foi diferente: construímos casas, asfaltamos todas as ruas habitadas da cidade. Fizemos uma revolução em Goiânia.

Alvarás da prefeitura

Não tenho acompanhado os trabalhos a CEI instalada pela Câmara Municipal. Apenas me coloquei à disposição dos vereadores para prestar esclarecimentos, comparecendo ao plenário da comissão. Não há nada a esconder. Isso ocorreu quando da aprovação de um projeto que estabelecia limites de áreas para construção e aqueles que haviam comprado terrenos, já com projetos de edificações já aprovados, com protocolos da prefeitura. As pessoas investiram na aquisição de terreno mais caro, na elaboração de projetos e a prefeitura recebeu por isso e de repente proibiram. À época, eu acatei até uma orientação do Ministério Público que me sugeriu encaminhar projeto de lei à Câmara Municipal para regularizar aquela situação e assim eu agi. Em uma administração que eu presido, pode ter erros, pode. Quem não erra? Mas má-fé ou aproveitamento ninguém encontra não.

Concurso da PM

Sou absolutamente suspeito para responder uma pergunta dessa natureza, no caso, a suspensão, pelo Estado, do concurso para os policiais militares, porque perdi as eleições para o atual governador. Indagação como essa que sirva de advertência para o eleitor. No dia da eleição, quem decide? É o pai, a mãe, a jovem, o jovem, que, com suas próprias mãos, decidem o seu futuro. Tudo isso serve de lição: quando chegar as eleições e aparecer gente querendo ganhar eleições e gastando muito dinheiro, com farras financeiras, comprando consciências, manda essa gente para longe, expulsa de sua rua, de seu bairro, de sua cidade, de seu estado.

Gestão de Paulo Garcia

Sou suspeito para fazer uma avaliação da administração de Goiânia. Tenho que respeitar Paulo Garcia, pois tenho notado o esforço dele à frente da prefeitura.

Boa saúde física

A minha boa saúde física é dádiva, presente de Deus.Muitos me perguntam: “Iris, porque você está tão forte? Eu respondo: “Porque fui criado no cabo da enxada. Portanto, a minha têmpera tem que ser diferente, porque cresci fazendo exercício físico”. Deus dá às pessoas, também, longevidade até como prêmio pelo comportamento de vida. Por isso, eu procuro sempre, sempre, sempre ser digno das bênçãos de Deus.

 

Terceirizações de serviços

Sempre fui contra terceirização de serviços em determinadas áreas do Estado. Eu pergunto: um governo que não é capaz de nomear um reitor de uma universidade, de nomear um diretor de um colégio estadual, então para que serve esse administrador? Estão terceirizando tudo em Goiás. Eu construí o Centro de Convenções de Goiânia no segundo governo e a primeira coisa que fizeram foi terceirizar. E o que fizeram do Crisa, do Dergo? Uma vez  comprei quinhentos caminhões para atuar nos serviços de infraestrutura rodoviária. E o que aconteceu depois? Esse governo terceiriza tudo e tudo passa a custar três vezes mais. Vou citar outro exemplo: durante dezessete anos, existia em Goiânia uma empresa que varria as ruas e coletava o lixo. Assumi a prefeitura e afastei essa empresa. Adquiri cinquenta caminhões para pagar em 15 prestações iguais. Abri concursos para os operários e o custo dos serviços foi reduzido em um terço. E os serviços tiveram outros resultados. É mais uma prova de que a cidade bem administrada presta bons serviços e reduz custos, sem terceirizar para enriquecer alguns.

Suspensão de pensões

A minha consciência me tem ditado posições importantes na minha vida. Quando assumi o governo em 1982, vivíamos a ditadura militar ainda. Foi a ditadura que abriu as urnas para o povo voltar a eleger governadores, mas não revogou os atos que permitiam prisões e cassações sem processos de qualquer um, há qualquer hora. O primeiro ato meu foi suspender as pensões de ex-governadores. Eram todos ricos. Ainda eram vivos Jonas Duarte, Coimbra Bueno. Instituíram a pensão, excetos àqueles que haviam sidos punidos pelo regime militar. Apenas Pedro Ludovico e Mauro Borges não recebiam a pensão. Determinei ao secretário da Fazenda: “Suspenda o pagamento”. Ele respondeu: “Mas não pode governador, é lei”. Eu disse: “Deixe que eles recorram à Justiça o pagamento”. Ninguém teve coragem. Por que fiz aquilo? Eram todos ricos. Se tivesse um mais pobre, a sociedade não o deixaria morrer à mingua.

Sem aposentadoria

Alguém me perguntou: “Mas, Iris, você não é aposentado pelo Senado?” Respondi: “Não, porque não quis”. É um questão de princípio, de consciência.

Quando o senador que presidia o Instituto de Previdência do Senado me chamou, logo após perder a reeleição, em 2002, e me pediu para assinar a aposentadoria. E acrescentou: “Você foi deputado por três anos e se pagar essa taxa, e é uma resolução recente, vai aposentar-se com valor integral”. Respondi: “Não colega, não quero a aposentadoria nem a parcial nem a integral.” Quem me elegeu senador trabalha 35 anos e, portanto, a consciência não me permite isso.”

Investigação do MP

A minha vida tem sido assim. Um dia, o atual governador fez uma denúncia contra mim, em um debate, e eu fiz uma contra ele. Olha, o Ministério Público de Goiás, durante seis anos, fez profunda investigação sobre a minha vida e de meu pai. Eu tenho esse documento em minhas mãos. É um documento precioso, pois não há nada de irregular na minha patrimonial. Nada, nem direta ou indiretamente. Muitas vezes as pessoas ocupam cargos públicos não metem as mãos nos cofres, mas  usam a influência indiretamente, para fazerem negócios escusos. Comigo, não. Eu me apresento, diante de Deus e do povo goiano, permanentemente, com a consciência tranquila de que honrei todos os mandatos que Deus e o povo colocaram nas minhas mãos. Podem dizer que eu falo isso porque sou candidato a prefeito de Goiânia. Não, porque não estou falando em candidatura, em eleições. Digo isso para que às pessoas que militam na política tomem jeito, se concertem, respeitem o povo. Entendam que política não é brincadeira, seja vereador, prefeito, deputado estadual, federal, senador, governador, presidente da República. O povo merece respeito.

Não é justo cobrar quase 30% de (CMS na conta de luz de um operário ou motorista e gastar milhões e milhões em viagens. Ou o mundo político toma jeito ou não saberemos que será desse país.

Impeachment de Dilma

Hoje, aniversário de Goiânia, não é o momento para analisarmos a política brasileira. Prefiro deixar esse assunto para outra oportunidade. O que posso dizer é que estamos vivendo um momento de grandes preocupações. Já vi tantas situações graves na política brasileira e posso dizer que nunca vi momentos tão sérios como o Brasil vive hoje.

Corrupção no Brasil

O Brasil inteiro está surpreendido. Nunca imaginávamos na vida que tantos figurões hoje estivessem no xadrez. Tantos empresários, os mais poderosos do Brasil, estão na cadeia. E aquele juiz do Paraná, Sérgio Moro, está mostrando: Olha, só o Judiciário é capaz de consertar esse brasil. No momento em que os bandidos chegarem à conclusão de que, efetivamente, serão presos e que não haverá jeitinho brasileiro para protegê-los, aí o Brasil conserta. Espero que essa lição que vem lá do sul se espalhe pelo brasil inteiro.

Atuação na política

É preciso convocar as pessoas de bem à prática política. Tenho dito isso, há muitos anos. A minha grande frustração é que o povo brasileiro não gosta muito de a política. O dia que o povo brasileiro se voltar para a política, como se volta para o futebol, a situação do país vai melhorar consideravelmente.

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