Nikolas pediu ajuda a Vorcaro para liberar ativo de minério, diz reportagem
Léo Carvalho
Publicado em 3 de setembro de 2026 às 11:32 | Atualizado há 47 minutos
Mensagens mostram conversa entre Nikolas Ferreira e Daniel Vorcaro sobre ex-assessor do deputado | Foto: Reprodução
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) pediu que Daniel Vorcaro, do Banco Master, ajudasse seu ex-assessor de gabinete, Thiago Faria, e seu advogado a liberar “um ativo de minério”, segundo coluna da jornalista Juliana Dal Piva no ICL Notícias.
A reportagem procurou, na manhã desta quinta-feira (3), a defesa de Vorcaro e a assessoria de imprensa do parlamentar, por meio de seus contatos oficiais, mas não teve resposta. Faria não foi localizado ao ICL, ele negou irregularidades.
O áudio obtido pelo ICL foi enviado em 30 de março de 2025, um domingo. Nele, o parlamentar chama o ex-banqueiro de “Dani” e afirma que gostaria de ter mais proximidade com Vorcaro, que respondeu com um áudio de visualização única. Na sequência, Nikolas agradece e envia o contato de Thiago Faria, e Vorcaro encerra afirmando: “Amém irmão. Estamos na guerra juntos”.
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No dia seguinte, o deputado avisa a Vorcaro que Faria estaria à disposição em Brasília. O conjunto de mensagens não revela se o ex-banqueiro atendeu ao pedido do ex-assessor de Nikolas. Ainda na mensagem de voz, o parlamentar pede desculpas por publicações em que ciriticou um evento financiado pelo Banco Master em Londres.
“Troquei ideia lá com o pastor Valadão naquela época, lá naquela postagem, eu falei: Pastor, eu não fazia ideia que era este o banco do Dani etc. e tudo, se não, obviamente eu não teria postado, já teria conversado anteriormente, mas enfim, acabou que a palavra dita não tem como voltar, né? Mas espero que tenha sido esclarecido, enfim, depois vamos marcar da gente se encontrar também, tá bem? Um abraço, lindão.”
Mensagens obtidas pela coluna também mostram que, em 2024, em conversa com o empresário Flávio Carneiro, Vorcaro afirma ter custeado voos de Nikolas, sem detalhar quantos e em qual período. “Esse Nikolas eu banquei todos os voos dele”, diz, ameaçando divulgar a informação.
Ao ICL, Faria justificou os contatos em razão de todos os envolvidos na história serem de Minas Gerais: “O Vorcaro é de Belo Horizonte e eu sou de Belo Horizonte e a gente conhece todo mundo.”
“Uma vez eu, enfim, tinha um ativo minério porque eu trabalho nessa área de mineração e mandei um ativo minerário pra todo mundo de um contrato que todo mundo sabe que já saiu de uma pessoa que teve um problema e ao qual eu nunca fui chamado para depor na PF porque eu não tenho nada a ver com isso”, disse ao site.
Essas mensagens se somam a uma enorme quantidade de conversas que veio a público nos últimos dias envolvendo Vorcaro e diversas autoridades brasileiras.
Documentos revelados pelo jornal Estado de São Paulo e também obtidos pela Folha colocaram o Supremo Tribunal Federal (STF) em uma das maiores crises de sua história ao mostrarem que o ex-banqueiro manteve conversas com o ministro Alexandre de Moraes para tratar da investigação do Master.
Os diálogos aconteceram inclusive no próprio dia em que Vorcaro foi preso. O conteúdo revela ainda que o dono do Master pediu encontros com o magistrado para tratar dos negócios que o tornaram alvo da apuração por fraude bancária bilionária e que eles se encontraram pelo menos seis vezes.
As informações em poder da PF mostram também que Moraes fez edições no contrato de R$ 131 milhões firmado entre o escritório de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, e o Master, antes de o documento ser assinado. Procurado pela reportagem, o ministro não se manifestou.
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Além de acirrar uma guerra interna dentro do STF e de mobilizar a oposição pelo impeachment de Moraes, as revelações geraram reação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, também citado nas conversas. Ele pediu a anulação do relatório da PF e disse que Mendonça “se valeu da polícia” para “impor a investigação” de Moraes, exercendo “atividades que não lhe foram assinaladas”.
Mendonça solicitou ao presidente do STF, Edson Fachin, para que seja marcada sessão presencial do plenário do STF para debater as mensagens. Ele havia pedido que a PGR (Procuradoria-Geral da República) se manifestasse sobre o caso, no qual aparecem também mensagens em que Vorcaro pede a um interlocutor a atuação de “Andrei e Paulo” a seu favor as referências seriam a Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF, e Paulo Gonet
Relator do caso no STF, Mendonça teve um encontro com Vorcaro em 2025, como mostrou o repórter Paulo Motoryn em sua página Noites Húngaras, e tem sido criticado por parte da PF que vê possível excesso na atuação do ministro.
Segundo o magistrado, a agenda não tratou de Moraes e ele se limitou a ouvir o que o ex-banqueiro tinha a dizer.
Outros documentos tratam de um contrato de cerca de R$ 131 milhões entre o Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, e de uma segunda proposta, de R$ 50 milhões, que previa o pagamento com cotas de um jatinho e de um helicóptero. (MARINA COSTA/Folhapress)