Política

“Números de pesquisa seriam apenas retrato de um cenário momentâneo”

Redação DM

Publicado em 15 de maio de 2018 às 03:49 | Atualizado há 1 ano

  •  Doutor da UFG, Romualdo Pessoa lembra que campanhas de TV e rádio não começaram, porcentual de indecisos é alto e estrutura e alianças pesariam
  •  Sair na frente no início de um processo eleitoral pode não significar o voto consolidado do eleitor, afirma o mestre em História do IFG Paulo Winícius
  •  Cientista social Lucas Marques diz que Marconi Perillo seria o favorito ao Senado, mas a segunda vaga continua aberta e é impossível prever o resultado final

 

Resultados de pesquisas de opinião pública realizadas em maio não podem ser compreendidos como tendências consolidadas ou irreversíveis.

É o que pensa Frank da Matta Machado, doutor da UFG. A elei­ção de 2018, em Goiás, será acirra­da, define-a. Disputada, resume. De um lado Ronaldo Caiado e de ou­tro, um grupo político no exercício do poder há 20 anos, formula. Não existem elementos para a antecipa­ção de resultados eleitorais, pontua. A principal dúvida ao Senado resi­de na definição dos nomes da Base Aliada, crê. Resta aferir se Jorge Ka­juru surpreenderá, sublinha. Já sob Luiz Inácio Lula da Silva, o Brasil vi­veu o seu último ciclo de crescimen­to econômico, um avanço no Índi­ce de Desenvolvimento Humano [IDH], saiu do Palácio do Planalto com 80% de aprovação popular e as suas políticas públicas executadas contribuíram para a redução de in­dicadores de fome, miséria social e desigualdades econômicas, sociais e culturais, destaca. Os números da pesquisa Grupom/Diário da Ma­nhã estariam coerentes com esse capital político, afirma.

– A pesquisa Grupom/Diário da Manhã é apenas o retrato de um momento.

É o que afirma o doutor da Uni­versidade Federal de Goiás, com graduação e mestrado em História e doutorado em Geografia & Geo­política, Romualdo Pessoa Cam­pos Filho. A campanha não come­çou ainda, observa. O porcentual de eleitores indefinidos, indecisos é elevado, explica. Estrutura partidá­ria, tempo no rádio e na TV, alian­ças políticas e eleitorais, debates, de­núncias sempre colocam o primeiro lugar nos levantamentos estatísticos de opinião pública nas cordas, ava­lia o pesquisador. Um especialis­ta na área de Política. 7 de outubro de 2018 poderá atingir um recorde de abstenção nas urnas eletrônicas, acredita. Apesar disso, não há nada definitivo, pontua. A referência é ao primeiro lugar ocupado por Ronal­do Caiado, senador democrata que disputa as eleições ao Palácio das Esmeraldas. Nem apontar o nome de que chegará ao segundo turno do pleito no Estado de Goiás e no Brasil, diz

– Já Luiz Inácio Lula da Silva é o maior quadro com inserção nas clas­ses trabalhadoras desde Getúlio Var­gas [Presidente da República que se suicidou em 24 de agosto de 1954, acuado]

Autor de ‘Guerrilha do Araguaia–A Esquerda em Armas’, o professor de linhagem marxista, sublinha que as es­querdas, hoje, estão em uma encruzilha­da. Abatidas com o fogo cruzado de de­núncias dispara­do pelos grandes conglomerados de comunicação, destaca. Divididas, dispara. Longe da unidade necessá­ria, fuzila. Não exis­te a possibilidade real de unidade entre PT; PDT, que lançou Ciro Go­mes [CE]; Psol e PCB, com Guilher­me Boulos e Sônia Guajajara; PSTU, com a operária e sapateira de Sergi­pe, Vera Lúcia. Não se sabe se o PC do B [Partido Comunista do Brasil] manterá até o fim o projeto políti­co e eleitoral de Manuela D´Ávila à Presidência da República. Mes­mo assim, como registra os índi­ces da Pesquisa Grupom/Diário da Manhã, somente preso Luiz Inácio Lula da Silva, ex-operá­rio metalúrgico, que exerceu dois mandatos consecutivos e ele­geu e reelegeu Dilma Vana Rousseff não será eleito, metralha ele.

– Ronaldo Caiado pode, sim, ven­cer no primeiro turno.

Peruano, com graduação em seu País, mestrado no México e dou­torado no Brasil, com projeto pós­-doutoral programado para a Itá­lia, Carlos Ugo Santander, professor da UFG, não descarta a possibili­dade de vitória do democrata, ex­-presidente da União Democráti­ca Ruralista [UDR] e membro da bancada da ruralista no Congresso Nacional. Não existem diferenças substanciais e programáticas en­tre seu projeto e do bloco de poder no Palácio das Esmeraldas desde 1999, afirma. O pesquisador apon­ta a margem de erro do levantamen­to estatístico do Grupom/Diário da Manhã para dizer que a eleição ao Senado da República será disputa­da e cujo resultado não se pode pre­ver com antecipação. O especialis­ta em Ciências Sociais Comparadas avalia que o eleitor vê, hoje, a prisão de Luiz Inácio Lula da Silva como in­justa e como evidente perseguição política e compara as realizações de suas gestões com as administrações anteriores.

– Ronaldo Caiado, que lidera a corrida, como apontam Grupom & Diário da Manhã sai na frente por ser mais popular. O que não quer di­zer voto consolidado.

A análise é do Historiador Paulo Winícius, mestre em História pela UFG e professor do curso de História do Instituto Federal de Goiás [IFG]. Mestre em História e doutorando em Educação pela Universida­de Fede­ral de Santa Catarina [UFSC], Fernando Santos vê incertezas até 7 de outu­bro. No cenário político, em Goiás, frisa. Com os desdobramentos das investigações da Política Federal e Ministério Público Federal, atira. O estudioso revela que Ronaldo Caia­do dá sinais de estabilização. Em comparação com os últimos levan­tamentos estatísticos, diz. A evolu­ção da Economia terá influência na decisão do eleitor, crê. Para o Senado da República, o docente admite que a pole position estaria com Marco­ni Ferreira Perillo Júnior, ex-governa­dor do Estado por quatro mandatos e atual vice-presidente nacional do PSDB. Lúcia Vânia na segunda po­sição, com leve vantagem, analisa. “O PT Nacional aguarda mudança de conjuntura”.

– Um vácuo político.

É o que explica o democrata Ro­naldo Caiado ocupar o primeiro lu­gar na pesquisa Grupom/Diário da Manhã, avalia Paulo Henrique Cos­ta Mattos, graduado em História e mestre em História, Cultura e Po­der. É a volta ao passado, insiste. Um personagem conservador que ten­ta uma reciclagem, desabafa. O lí­der do DEM, em Goiás, porém, surfa em uma onda conservadora, expli­ca. O governador do Estado, José Eli­ton [PSDB], possui a força da má­quina administrativa, o prestígio de Marconi Perillo, um amplo leque de alianças com legendas de cen­tro e de centro-direita, capilaridade social, suporte nos 246 municípios e na Assembleia Legislativa e pode, sim, chegar ao segundo turno das eleições, observa. O quadro nacio­nal mostra que se Luiz Inácio Lula da Silva disputar as eleições pre­sidenciais o PT projetará no­mes locais, sublinha. “Para o Senado, Jorge Kajuru pode se aproveitar da rejeição a Marconi Pe­rillo e Lúcia Vânia”.

– Ronaldo Caia­do lidera a pesquisa Grupom & Diá­rio da Manhã porque está ex­posto, como pré­-candidato e no Senado Federal, há anos. O tempo irá desidratá-lo.

É o que avalia o jorna­lista po­lítico e opera­dor do Direito Nilton Perillo. Um ob­servador refinado e criterioso do espectro político estadual e nacio­nal. O Democrata não possui es­trutura partidária, frisa. O seu tem­po de rádio e TV será menor do que o de José Eliton e talvez até que o de Daniel Vilela [MDB], registra. Kátia Maria, pré-candidata do PT à Casa Verde, deve subir com o efeito Luiz Inácio Lula da Silva, aposta. A Ope­ração Lava Jato derreterá, calcula. A ocupação do tríplex do Guaru­já [SP], executada pelo MTST [Mo­vimento dos Trabalhadores Sem Teto], mostra que o apartamento, que era da OAS e hoje está em lei­lão da Caixa Econômica Federal [CEF], não sofreu uma reforma de R$ 1.250.000,00, vocifera. A farsa do juiz de Direito Sérgio Moro caiu, co­memora. Para o Senado, o pensador afirma que Marconi Perillo possui um eleitorado cativo nos 246 muni­cípios de Goiás, e que deve ser eleito.

– É natural Ronaldo Caiado sair na frente. Ex-deputado federal, se­nador da República, ex-presiden­te do PFL e atual do Democratas, derrotado em 1994. A eleição terá 2º turno, sim

A observação é do sociólogo, do cientista social, Lucas Marques Ribeiro. Graduado na UFG, ele vê uma disputa acirrada pela hege­monia do eleitorado em Goiás. De três forças de centro-direita – Ronaldo Caiado [DEM], José Eli­ton [PSDB] e Daniel Vilela [MDB]. Ao Senado, a indefinição é maior, acredita. Marconi Perillo seria o favorito, admite. A segunda vaga continua aberta, afirma. É im­possível prever o resultado final, bate de primeira. Arriscar é um chu­te no escuro, pro­jeta. O eleitor do Brasil já perce­be, hoje, que o impeachment, sem crime de responsa­bilidade, de Dilma Rousseff, em 2016, teria sido um golpe parlamen­tar, líquido e frio, com o su­porte dos apara­tos policial e jurídi­co do Estado, com a falsa e já desmontada narrativa construída pelos grandes conglo­merados de comunicação, frisa. A aprovação das reformas ultralibe­rais e o agravamento da crise eco­nômica, social e política expli­cariam o motivo de Luiz Inácio Lula da Silva, mesmo preso, li­derar a pesquisa, em Goiás, Gru­pom/Diário da Manhã, diz.

– Ronaldo Caiado lidera, hoje, com folga, mas poderá, sim, haver segundo turno nas eleições ao Go­verno do Estado de Goiás.

A análise é do doutor do De­partamento de História David Ma­ciel. A sucessão no Estado pode sofrer influência da corrida eleito­ral à Presidência da República, diz. Uma eventual ida de Jair Bolsona­ro ao segundo turno, caso ocorra uma rejeição, o democrata pode­rá ser associado ao capitão da re­serva, frisa. É cedo, porém, para afirmar quem será eleito ao Se­nado, conta. O apoio do governo do Estado favorece Marconi Pe­rillo, tucano, admite. O primeiro lugar de Luiz Inácio Lula da Silva, em Goiás e no Brasil, se explica em virtude de que uma comparação com as gestões anteriores – Fer­nando Henrique Cardoso, Itamar Franco, Fernando Collor de Mello, José Sarney, João Baptista de Oli­veira Figueiredo, além da de Mi­chel Temer – foi muito mais favo­rável aos pobres e despossuídos, apesar de seu caráter neoliberal, dispara o autor do livro “De José Sarney a Fernando Collor: refor­mas políticas, democratização e crise[1985-1990]”.

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