Os excluídos de Marconi em números
Redação DM
Publicado em 31 de julho de 2015 às 23:07 | Atualizado há 2 anosA presença do grupo denominado “Tempo Novo” vai chegar a 20 anos em 2018 em Goiás e, naturalmente, os desgastes políticos são visíveis. Em 1998, a oposição, liderada pelo jovem deputado federal Marconi Perillo (PSDB), afastou o PMDB do poder do Estado, através de uma memorável e histórica vitória sobre o ex-governador Iris Rezende.
Presidente da transição democrática, Tancredo Neves dizia: “Não há como atuar na política sem fazer vítimas”. Assim sendo, nesses quase 20 anos de ocupação de poder em Goiás, o governador Marconi Perillo conquistou adversários, atropelou projetos eleitorais e transferiu, à oposição, antigos aliados políticos.
É aquela velha história: não há como fazer omelete sem quebrar os ovos. Em política, quando se prestigia um aliado, corre-se o risco de contrariar outro companheiro. E isso acontece, principalmente, quando se ocupa o poder por longo período, como ocorre, em Goiás, com o PSDB e seus partidos aliados.
Observa-se esse comportamento na base aliada principalmente no interior do Estado, quando há um revezamento permanente entre quem acompanha Marconi Perillo – se na primeira hora de 1998 ou na última circunstância, em 2014.
O médico e líder ruralista Ronaldo Caiado conquistou cinco mandatos à Câmara Federal ao lado de Marconi Perillo. Em 2000, o primeiro abalo na relação Marconi/Caiado: o governador convence 23 prefeitos do então PFL a se transferir para o PSDB. Caiado sentiu o golpe e já, na eleição de 2002, deu o troco: lançou o senador Demóstenes Torres na disputa direta com Marconi na corrida ao Palácio das Esmeraldas. Caiado e Demóstenes perderam o confronto político, mas ficou a mágoa. O rompimento definitivo entre Marconi e Caiado veio nas eleições do ano passado. O líder do DEM abandonou a base marconista e migrou para a banda do PMDB de Iris Rezende e elegeu-se senador da República.
Demóstenes Torres convivia bem com Marconi Perillo, já que teve o seu apoio nas duas eleições para o Senado. De repente, aceita enfrentar o governador, na disputa direta ao Palácio das Esmeraldas. Perdeu. Na Operação Monte Carlo, Demóstenes não poupou o governador tucano. Em recente artigo publicado no DM, o ex-senador voltou a alfinetar o governador tucano.
O empresário de caça-níqueis Carlos Ramos Cachoeira tinha boa convivência com Marconi Perillo, até estourar o escândalo da Operação Monte Carlo. A partir daí, se distanciaram.
O empresário Ernani de Paula, quando exercia o mandato de prefeito de Anápolis, colidiu politicamente com o então governador Marconi Perillo, em 2003. Resultado: o Estado promoveu intervenção na prefeitura, Ernani foi afastado e, posteriormente, teve o mandato cassado pela Câmara de Vereadores.
O médico Alcides Rodrigues Filho foi vice-governador na chapa de Marconi Perillo, vitoriosa nas eleições de 1998 e 2002. Depois conquistou o governo de Goiás, em 2006, com o apoio da base marconista. Governou com 80% dos cargos ligados ao PSDB, mas não foi o bastante e houve o rompimento político. De aliados, passaram a ferrenhos adversários na política de Goiás.
O advogado Ernesto Roller exerceu mandato de deputado estadual pela base marconista, filiado ao PP. A partir de 2007, quando houve o rompimento Marconi/Alcides, optou pela fidelidade ao governador Alcides e passou ao bloco oposicionista a Marconi. Filiou-se ao PMDB e elegeu-se novamente deputado estadual.
O deputado estadual Major Araújo elegeu-se, pela primeira vez, pela base aliada do governador Marconi Perillo, filiado ao PRB. Defendia o tucano na Assembleia Legislativa, até que deixou a bancada governista e migrou para a oposição. Agora, no PRP do ex-secretário da Fazenda (no governo Alcides) Jorcelino Braga, Major Araújo é um dos oposicionistas mais críticos do governo estadual.
Sandro Mabel ocupava mandato à Câmara Federal, pelo PR, quando estourou o escândalo do mensalão. Responsabiliza Marconi Perillo pela citação de seu nome no episódio (o de aliar deputados para a base do governo Lula em troca de dinheiro e cargos), a partir de relatos feitos ao governador pela então deputada federal Raquel Teixeira. Mabel trocou o PR pelo PMDB.
O executivo Henrique Meirelles, ex-presidente mundial do Banco de Boston, deixou o PFL para ingressar no PSDB com a garantia de que teria a legenda para disputar vaga ao Senado, em 2002. Teria o aval do governador Marconi Perillo e do presidente Fernando Henrique Cardoso. A vaga tucana foi oferecida a Lúcia Vânia. Meirelles, contrariado, disputou cadeira à Câmara Federal, sendo o mais votado da bancada de Goiás. Só tomou posse na Câmara e foi presidir o Banco Central, a convite do presidente Lula. Depois, desfiliou-se do PSDB.
O empresário José Batista Júnior, o Júnior Friboi, filiou-se ao PSDB, em 2010, na expectativa de que teria o apoio de Marconi Perillo para disputar o governo de Goiás. Como o aval não veio, afastou-se do ninho tucano, ficou um período sem filiação partidária e apenas em 2013 ingressou no PMDB.
Armando Vergílio começou sua trajetória política pelas mãos de Marconi Perillo tendo, inclusive, ocupado espaço no secretariado do tucano em dois governos. Elegeu-se deputado federal em 2010 pelo PMN. Migrou para o PSD e depois para o Solidariedade. Deixou a base governista e aliou-se ao PMDB, em 2014, sendo candidato a vice-governador na chapa encabeçada por Iris Rezende.
Aliado de Marconi Perillo desde a primeira campanha de 1998, já que foi um dos fundadores do PSDB, o deputado federal Jovair Arantes teve o primeiro choque com o governador tucano este ano, quando o PTB, partido que preside no Estado, não foi ouvido para a formação do secretariado. Os trabalhistas foram ignorados, mesmo contando com um deputado federal e cinco estaduais. Chateado pelo tratamento recebido, Jovair afastou-se do convívio palaciano. O PTB se contenta com cargos de segundo e terceiro escalões do governo Marconi.


