Otoni diz que oposição está desesperada com a Lista da Odebrecht
Redação DM
Publicado em 30 de março de 2016 às 23:08 | Atualizado há 10 anosO deputado federal Rubens Otoni (PT) não doura a pílula, vai direto ao ponto: há uma tentativa de golpe em curso no país. Segundo ele, setores da oposição ligados ao PSDB, DEM e outros partidos, cansados de perder as eleições nas urnas, querem um atalho para o poder. O processo de impeachment contra a presidenta Dilma Roussef (PT) corre sem que aja um a única prova contra a sua conduta. Em 2014 a oposição no Brasil não só perdeu a eleição, mas perdeu a paciência de perder eleição e perdeu a paciência de esperar a próxima eleição. Até porque, se esperar a próxima eleição, em 2018, provavelmente terá que enfrentar o ex-presidente Lula, e aí refletem: “por que esperar mais quatro anos se o destino será o mesmo?(a derrota)”, anota.
Entrevistado pelos jornalistas Rubens Salomão, Kleber Ferreira e Eduardo Horário, na Rádio 730 AM, Rubens Otoni alerta que o país vive um momento delicado, pelo açodamento de setores da elite incomodados com as mudanças sociais advindas dos períodos de governos trabalhistas dos presidentes Lula e Dilma. “É um momento delicado, de crise, e também um momento para gente entender o que acontece nos bastidores, além daquilo que a Rede Globo tenta passar para a população através do Jornal Nacional: Uma parcela da oposição – e é importante dizer isto, não toda oposição -, age de maneira oportunista, aproveitando de uma crise econômica que não assola só o Brasil, mas todo o mundo. E uma crise, aliás, que a elite é a grande responsável. Esta parcela da oposição aproveita desta crise como desculpa para chegar ao seu grande objetivo que é chegar ao poder sem ter que passar pela eleição. É evidente que o que acontece hoje é uma tentativa chegar a presidência sem passar pelas urnas, pelo voto”, reitera.
Para Rubens Otoni, a oposição está desesperada com o vazamento da lista da Odebrecht, que apontou seus principais líderes (Aécio Neves, Agripino Maia, Fernando Henrique, José Serra e outros) envolvidos em esquemas ilegais de financiamento de campanha. “Vemos aqui uma tentativa desesperada de tomar o poder. A oposição joga tudo, criando um clima de desestabilização, de insegurança para justificar o impeachment, esta oposição também está correndo um sério risco, basta vez o noticiário da semana passada, com o vazamento da lista da Odebrecht”, aponta. Segundo Otoni, a lista sinaliza, que se existe um problema no sistema político, ou partidário, ou no sistema de governo brasileiro, este problema não passa só pelo governo da presidenta Dilma, ou pelo ex-presidente Lula e pelo PT. “O que existe é um problema no sistema de financiamento de campanhas. Coisa que falávamos a dez, quinze anos atrás. Agora, está estourando, e pode estourar o colo da oposição também”, salienta.
De acordo com o parlamentar, a oposição quer dar velocidade ao processo de impeachment, fazê-lo a toque de caixa, pois os líderes oposicionistas acreditam q que ao fazer o impeachment da Dilma todos se salvam. “Quer dizer, querem acelerar o impeachment para salvar aqueles que estão envolvidos em denúncias graves”, denuncia
O petista diz que não há nada conclusivo sobre a situação do PMDB em relação ao apoio ao governo federal. Observa que a divisão no partido faz parte da contradição do poder político brasileiro. Ele lembra que na campanha de 2014, metade do PMDB estava na campanha da Dilma e a outra metade na estava na campanha de Aécio Neves. “Esta é a contradição do sistema político brasileiro. O Brasil tem um sistema partidário que não dá governabilidade para ninguém, seja a Dilma ou qualquer um que vier a governar”, atesta. Rubens relata que a presidenta Dilma foi reeleita com mais de 51% dos votos, mas o partido dela, o PT, fez pouco mais de 15% dos deputados federais na Câmara Federal. “Ora, se o partido do governo tem apenas 70 deputados numa casa com 513, para ter maioria tem que fazer composição. E fazer composição num sistema partidário pulverizado como no Brasil, em que esta elite incentivou para que fosse mais pulverizado ainda, é muito complicado”, sintetiza. “Quando cheguei na Câmara dos Deputados em 2003, nós tínhamos 16 partidos políticos, hoje temos mais de 30. Como é que se faz governabilidade com isto?”, arremata.
Conspiração
Na avaliação de Rubens Otoni, a oposição entrou num jogo de tudo ou nada. Não tem limites, não tem fronteiras, o que torna mais difícil enfrentar dentro nas normas comuns de convivência numa democracia. Ele entende que este vale-tudo evidencia que existe uma grande conspiração por detrás de todo este radicalismo. “Hoje temos uma tentativa de golpe em curso, uma grande conspiração onde a oposição se fortaleceu. Antes o PT enfrentava o PSDB e o DEM sem nenhum problema e o PT também aprendeu a o poder econômico e a grande mídia. Agora, enfrentar o PSDB, o DEM, o poder econômico, a grande mídia e parcelas do Judiciário, do Ministério Público e até da Polícia Federal envolvidos, aí a coisa realmente aperta”, admite. Rubens diz que é preciso repudiar os vazamentos seletivos,as investigações seletivas, feitas pelos setores do judiciário comprometidos com o golpe. “As pessoas devem se perguntar, por exemplo, por que agora fazem questão que as investigações sejam sigilosas? Porque a lista da Odebrecht atinge pessoas que não podem aparecer? Então é o que eu digo: há agora uma tentativa desesperada de fazer o golpe”, resume.