Política

“Pauto minha trajetória política pela lealdade”

Redação DM

Publicado em 4 de outubro de 2018 às 05:07 | Atualizado há 8 anos

A senadora Lúcia Vânia (PSB), que concorre à reeleição, em entrevista exclusiva ao Diário da Manhã, afirmou que a campanha eleitoral desse ano é mui­to curta, o que, para ela, “dificulta que a mensagem do político chegue à população e as pesquisas, neste vo­lume e nesta insistência, de alguma forma esvazia o debate e estimu­la o fenômeno que muitos analis­tas políticos chamam de voto útil.” E acrescentou: “Nesse jogo, eu aca­bo sendo a maior prejudicada, pois quem não é colocado entre os dois primeiros enfrenta maiores dificul­dades. Mas tenho andado por todo o estado, conversado com as lideran­ças, e o sentimento da população em relação a minha candidatura é mui­to positivo e é isso que me motiva”.

Ela acha que as mulheres terão participação decisiva nas eleições de domingo: “E como 60% dos in­decisos são mulheres, serão elas que vão realmente definir o rumo de Goiás e do Brasil. Entre os elei­tores, nós mulheres somos 7,5 mi­lhões a mais que os homens. Muitas ainda não escolheram seus candi­datos porque a eleição está muito polarizada, há muitos ataques de todos os lados, e acredito que so­mos mais meticulosas em nossas decisões. Nas redes sociais é pos­sível ver muitas mulheres buscan­do informações sobre os candida­tos, ainda procurando se informar.”

Sobre o debate na sociedade em relação a renovação política, Lúcia Vânia questiona: “De qual tipo de renovação estamos falando?” E dá a receita: “ Eu acho que as pessoas querem uma renovação da prática política. A verdadeira renovação se­ria se a maioria dos políticos fosse orientada por princípios e valores como a honestidade e a transparên­cia. Tenho ouvido muitas pessoas nesta campanha. E elas me contam do impacto positivo de meu traba­lho nas suas vidas, dos projetos de lei que aprovei, dos recursos que ajudei a trazer. Todo esse apoio me impul­siona e me dá força: a ideia de que re­presento a renovação da esperança.”

 

 

ÍNTEGRA DA ENTREVISTA

 

Qual o balanço, de forma resumida, que a senhora faz do seu trabalho, no atual mandato, no Congresso Nacional?

No Congresso, sou presidente da Comissão de Educação e tenho dado uma atenção especial à edu­cação na primeira infância. O de­senvolvimento nessa fase da vida é essencial para a formação do in­divíduo. O Brasil precisa, com ur­gência, retomar centenas de obras de creches paralisadas no país em razão de equívocos cometidos pelo governo federal, que centralizou as licitações das obras e adotou um modelo de creches não difundi­do no país. Diante da dificuldade dos municípios, muitas estão pa­radas. Tenho articulado junto ao MEC e ao TCU maneiras de des­bloquear essas obras e, em Goiás, já foram liberadas creches em di­versas cidades. Presidi a Comissão de Assuntos Sociais, onde regula­mentei a Lei Nacional do Idoso e a carreira dos agentes de saúde e combate às endemias. Na área so­cial, tenho vários outros projetos que melhoraram a vida das pes­soas. À frente da Comissão de De­senvolvimento Regional, recriei a Superintendência de Desenvolvi­mento do Centro-Oeste (Sudeco), órgão que coordena as políti­cas de Desenvolvimento na região, e também criei o Fundo de Desenvolvi­mento do Centro-Oeste, o FDCO, que financia obras para impulsio­nar a economia da região. Atualmente, o fundo já financiou R$ 1,9 bilhão na re­gião e gerou 50 mil em­pregos. Além de aten­der todos os municípios goianos em suas demandas. Re­latei uma das mais importantes leis de combate a violência do­méstica –a Lei Maria da Penha. Fui autora e relatora de alguns projetos para equilibrar as con­tas do estado e municípios dentro da Agenda Brasil, Convalidação dos Incentivos Fiscais, reativação do Auxílio Financeiro para Fo­mento das Exportações (FEX), repatriação dos ativos dos bra­sileiros no exterior, entre outros.

Senadora, a três dias da eleição temos ainda um cenário muito indefinido para o Senado. O que justifica um cenário como esse?

As pesquisas que estão sendo publicadas apresentam resulta­dos muito divergentes, mas sem­pre com duas constantes: a proxi­midade entre os quatro principais colocados e um grande número de indecisos. Eu tenho criticado o ex­cessivo número de pesquisas publi­cadas. Às vezes me pergunto o que justifica tal volume de investimento financeiro e de diversidade de em­presas atuantes, às vezes com vá­rias divulgações na mesma sema­na e resultados que não convergem. Isso, além de confundir o eleitor, cria um ambiente de desconfian­ça. Clima que foi acentuado pelo questionamento de um dos can­didatos em relação ao resultado de uma pesquisa, ao qual o insti­tuto se sentiu obrigado a respon­der. Esse é um jogo político peri­goso e que não pode ser explicado somente pela redução do tempo de campanha. Acampanhamuitocur­ta, é verdade, dificulta que a men­sagem do político chegue à popu­lação e as pesquisas, neste volume e nesta insistência, de alguma for­ma esvazia o debate e estimula o fe­nômeno que muitos analistas po­líticos chamam de voto útil. Nesse jogo, eu acabo sendo a maior pre­judicada, pois quem não é coloca­do entre os dois primeiros enfren­ta maiores dificuldades. Mas tenho andado por todo o estado, conver­sado com as lideranças, e o senti­mento da população em relação a minha candidatura é muito posi­tivo e é isso que me motiva. Fico fe­liz por me colocar entre os que ver­dadeiramente podem vencer e pelo meu baixíssimo índice de rejeição.

Falando em indecisos, a senhora acredita que eles terão papel decisivo no resultado da eleição para o Senado?

Com certeza. E como 60% dos indecisos são mulheres, serão elas que vão realmente definir o rumo de Goiás e do Brasil. Entre os elei­tores, nós mulheres somos 7,5 mi­lhões a mais que os homens. Muitas ainda não escolheram seus candi­datos porque a eleição está muito polarizada, há muitos ataques de todos os lados, e acredito que so­mos mais meticulosas em nossas decisões. Nas redes sociais é possí­vel ver muitas mulheres buscando informações sobre os candidatos, ainda procurando se informar. Torço para que façam a melhor escolha em todos os cargos, por­que não podemos votar em qual­quer um para nos governar e nos representar, especialmente em um momento de crise como vivemos; uma crise grave de natureza polí­tica, econômica e moral.

Nesta eleição temos visto dobradinhas de candidatos de chapas diferentes, em alguns casos, inclusive, envolvendo candidatos da chapa da senhora. Esse também era um movimento esperado?

De forma alguma. Quando as primeiras notícias chegaram até mim, tive alguma resistência em acreditar. Só me convenci depois que recebi e vi material gráfico com candidatos de chapas concorren­tes e quando tomei conhecimento de reuniões nas quais foram pedi­dos votos para candidatos de co­ligações diferentes. Fiquei decep­cionada porque tenho pautado minha trajetória pela lealdade aos meus companheiros em todos os momentos. Sinto que tanto o jogo de pesquisas como estes conchavos me atingem por­que sabem que não sou orien­tada por esse tipo de compor­tamento desleal. Às vezes fazem isso porque não esperam que uma mulher possa reagir e demonstrar sua indignação com ações assim. Talvez se esqueçam de minha his­tória de luta, das vezes que enfren­tei batalhas tão duras quanto es­sas. Essa resistência às mulheres me persegue desde que entrei na política e acreditava que já esti­vesse superada. Mas não. Sem­pre que uma mulher avança ela se depara com esse jogo sujo. Mas eu cheguei até aqui apesar disso e não será a deslealdade que vai me impedir de continuar.

As redes sociais estão tendo um papel importante nessa eleição. A senhora considera isso bom ou ruim?

As redes sociais como fonte de informação, em tese, são muito po­sitivas porque democratizam a in­formação, chegam até pessoas em situações que a TV e o rádio já não alcançam ou têm maior dificulda­de de atingir, como os jovens, por exemplo. Mas, infelizmente, a gen­te também percebe o mau uso das redes sociais. Só nesta semana, na reta final da campanha, minha rede social sofreu vários ataques de hackers e a maioria dos comen­tários nas postagens são feitos por robôs. Quase não se vê discussão de ideias e propostas, mas já vi ma­teriais maldosos, com ataques de natureza pessoal. Isso macula o processo eleitoral, desvirtua o bom debate. No whatsapp os ataques apócrifos são ainda mais virulen­tos porque atingem a dignidade da pessoa e tentam manchar o trabalho, sem que seja possível identificar a fonte. Eu entendo essas ações como um bom indi­cativo que estamos fazendo um trabalho certo, porque se nossa campanha não fosse competitiva, eles não se dariam a tanto traba­lho. Da minha parte fiz questão de fazer uma campanha limpa, sem ataques, focada no meu tra­balho, nas minhas realizações e nas minhas propostas. E tenho co­lhido a aprovação de muitas pes­soas justamente por isso. Minha campanha reflete minha trajetó­ria política e eu nunca me apre­sentaria ao eleitor de outra forma.

As pessoas não conseguem entender o papel do senador e como ele pode contribuir, por exemplo, para o país sair da crise. Isso diminui a importância do voto no senador?

Mesmo não diferenciando os papeis de deputado e senador, as pessoas sabem que o estado preci­sa de bons representantes em Bra­sília. O que me preocupa são as pa­lavras fáceis, as promessas que não poderão ser cumpridas. Temos vis­to muitos exemplos durante essa campanha, de proposições irreais e de natureza puramente eleitorei­ra. Vivemos uma grave crise em to­das as áreas e precisamos escolher um senador que tenha condições de apoiar e viabilizar as soluções necessárias para o estado e para o país. Não adianta eleger um can­didato que não ajude a defender os interesses de Goiás em Brasília. Por isso é preciso avaliar também a experiência, a competência, a ca­pacidade de articulação. O fato de ser honesta e nunca ter tido envol­vimento com corrupção, neste mo­mento da história do país, me cre­dencia a participar da política a partir de uma posição séria e res­peitada. Acredito e coloco à dispo­sição do eleitor minha experiência e o trabalho que desenvolvi para que ele compare. Acredite, o eleitor sabe separar o candidato que faz pro­messa daquele que sabe trabalhar.

Mas a senhora não sente que o eleitorado pede renovação?

De qual tipo de renovação es­tamos falando? Eu acho que as pessoas querem uma renovação da prática política. A verdadeira renovação seria se a maioria dos políticos fosse orientada por prin­cípios e valores como a honestida­de e a transparência. Tenho ouvido muitas pessoas nesta campanha. E elas me contam do impacto positi­vo de meu trabalho nas suas vidas, dos projetos de lei que aprovei, dos recursos que ajudei a trazer. Todo esse apoio me impulsiona e me dá força: a ideia de que represento a renovação da esperança.

 



As redes sociais como fonte de informação, em tese, são muito positivas porque democratizam a informação, chegam até pessoas em situações que a TV e o rádio já não alcançam ou têm maior dificuldade de atingir, como os jovens, por exemplo. Mas, infelizmente, a gente também percebe o mau uso das redes sociais”

 

As pessoas sabem que o Estado precisa de bons representantes em Brasília. O que me preocupa são as palavras fáceis, as promessas que não poderão ser cumpridas”

 

Eu acho que as pessoas querem uma renovação da prática política. A verdadeira renovação seria se a maioria dos políticos fosse orientada por princípios e valores como a honestidade e a transparência”

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