Pecados capitais de Gustavo Mendanha nas eleições
Redação DM
Publicado em 24 de setembro de 2022 às 17:47 | Atualizado há 4 anos
Uma das candidaturas mais aguardadas dos últimos anos em Goiás, a postulação do educador físico e ex-prefeito Gustavo Mendanha (Patriota) ao Governo de Goiás corre o risco de terminar a campanha nesta semana sem vitória ou mesmo frutos a colher com a derrota anunciada nas urnas – existe frente de mais de 30% para o primeiro colocado nas pesquisas, que pode vencer no primeiro turno.A reportagem do DM consultou especialistas em marketing, jornalistas de bastidores, políticos que acompanham o processo eleitoral e gestores para entender onde foi que a grande promessa da política errou. A maioria dos consultados acredita que a campanha do Patriota foi uma “sucessão de erros” que teve início quando ele abandonou a prefeitura de Aparecida de Goiânia, saiu do MDB e, por fim, escolheu disputar o governo. Mendanha jamais cogitou, por exemplo, o Senado. Era o momento certo para disputar o governo?Para os especialistas, quando ocorre este quadro, de erro no início, o mais comum é a derrota e, em seguida, a desmobilização das pessoas em torno da liderança.
Os oito erros de Mendanha
1- Não aceitou a decisão da maioria
Em 2021, Gustavo Mendanha tentou se impor como pré-candidato do MDB ao governo. Seu argumento: contava com apoio dos prefeitos do partido. Quando todos os 31 prefeitos da sigla sinalizaram o contrário, que queriam apoiar Caiado, ele propôs uma consulta aos diretórios municipais. A consulta foi feita e mais de 90% deles seguiram a tese defendida pelos prefeitos e lideranças expressivas. O MDB tentou de todas as formas manter Gustavo no partido. Mas ele, então, decidiu sair do MDB, reclamando que não foi ouvido. Seu antigo partido é uma legenda histórica, que se difere das demais em muitos aspectos. Primeiro, suas lideranças verdadeiras são chamadas de “homens” e “mulheres” de “partido” – ou seja, seguem as regras da sigla e morrem com ela. Maguito, Iris, Ulysses Guimarães entraram e jamais saíram da legenda. Mendanha se posicionou até mesmo contra orientação de Iris Rezende, que clamou pela aliança do MDB com Ronaldo Caiado. Apenas este conflito já cria desconfiança e desgastes na postura individualista do candidato.
2- Se uniu a políticos desgastados, sentenciados e duvidosos
Em vez de se aproximar dos jovens políticos e lideranças sem suspeitas e atritos, Gustavo Mendanha contou com nomes controversos como Magda Moffato, Marcelo Augusto, Sandro Mabel, Alcides Rodrigues, Cristóvão Tormin, etc. Para os líderes de opinião, pessoas que conhecem o segmento e bastidores, o “jovem” anulou sua principal arma (ser a novidade) ao se aliar a políticos manjados.
3 – Ignorou a necessidade de estudar Goiás
Um dos erros que chamou a atenção nacionalmente para sua inexperiência. Em uma entrevista para rádio, ele mostrou desconhecer até mesmo o orçamento público – erro gravíssimo para postulante a gestor. O desconhecimento se desdobrou: propostas inexequíveis (como reduzir o Fundo Protege e, ao mesmo tempo, ampliar programas sociais) e a falta de criatividade em propor ideias diferentes para o Estado empobreceram o debate sobre soluções para Goiás.
4 – Neo-bolsonarista
Gustavo Mendanha tentou ser bolsonarista. Mas não colou, já que tinha um passado de alianças com PT e outros partidos, como MDB, PSB, PSDB, etc. Nos bastidores, Bolsonaro teria dito para um ex-parlamentar goiano que preferia até mesmo a sinceridade de Ronaldo Caiado (que foi duro com Jair Bolsonaro, mas de forma republicana) a possíveis adesistas de última hora.
5 – Rejeitou Marconi. Mas namorou meses com ele
Após romper com o MDB, esperava-se naturalmente que Gustavo Mendanha caminharia com seu ‘mentor’ após sua saída da sigla. Considerado cria política de Marconi, nesta disputa, o tucano dava como certo que seria candidato ao Senado na chapa mendanhista. Depois de fazer toda pré-campanha escorado nas lideranças do PSDB nos municípios, Gustavo tentou se desvencilhar dos desgastes de Marconi. Na vida social, em um relacionamento, ele teria “ficado” várias vezes com o namorado. Mas decidiu assumir que nada tinha com ele. As viúvas tucanas choraram por dias, mas – depois de recuperadas – atacaram Mendanha.
6 – Dinheiro público para salvar a Enel
Uma proposta considera esdrúxula marcou a metade da campanha de Gustavo. Ele falou para a imprensa que poderia dar R$ 2 bilhões de recursos do Estado para a Enel realizar investimentos, sendo que a empresa tem obrigação contratual de cuidar da qualidade da energia – e não mais o Estado, que passou a ser o regulador.
7 – Adotou um conceito de marketing confuso: Estado inteligente
Não conseguiu desenvolver um discurso que explique o que é o “Estado inteligente” ou a “Cidade inteligente”. Tratou, por exemplo, de fibra ótica e câmeras, que teria adotado em Aparecida de Goiânia, mas o mesmo se vê em diversos municípios goianos. A cidade inteligente é uma das últimas no Ideb, divulgado na semana passada. Como explicar isso?
8 – Não confiar nas pesquisas
Antes mesmo do processo eleitoral, as pesquisas indicavam que não existia espaço para uma campanha sem consistência. O atual governador já vem acumulando aprovação do mandato antes mesmo do processo eleitoral e tornou-se mais conhecido nacionalmente por ter coragem e postura para tratar de temas sérios como a pandemia e segurança pública. Mendanha sabia dos números e o potencial de sua campanha.