Política

Poderes no Brasil podem ser “aperfeiçoados e melhorados”

Redação DM

Publicado em 22 de abril de 2022 às 14:57 | Atualizado há 4 anos


Crítico de decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou que todos os Poderes do Brasil “podem ser aperfeiçoados e melhorados”. Em cerimônia para marcar a entrega de títulos fundiários, em Rio Verde (GO),quarta-feira (20),o presidente também reiterou críticas ao PT, seu principal adversário nas eleições deste ano, e reforçou o discurso conservador que será usado na disputa pela reeleição.

“Temos Três Poderes. Todos eles, sem exceção, podem ser aperfeiçoados e melhorados. Temos eleição no corrente ano em que se pode renovar quase todo o Poder Executivo e também o Poder Legislativo. A decisão cabe a vocês. Não vim aqui tratar de política, mas nós sabemos quem faz, quem vem fazendo ao longo de muitos anos”, afirmou o presidente.

As críticas à esquerda e ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), seu principal adversário, também foram reforçadas pelo chefe do Executivo. “O inimigo da Nação não veste verde e amarelo, veste vermelho e tem foice e martelo”, disse Bolsonaro. “Tem um ladrão por aí que vive dizendo que sonha em voltar a desarmar seu povo”, completou, numa referência ao ex-presidente e em defesa do armamento da população, criticado por especialistas em segurança pública.

Bolsonaro repetiu que o Brasil é um país cristão e pregou novamente a compra de armas. “Somos contra o aborto, a ideologia de gênero. Nós queremos armas de fogo para o cidadão de bem”, declarou o Bolsonaro no evento, arrancando aplausos. Lula defendeu recentemente o aborto como questão de saúde pública e recebeu críticas de evangélicos.

A cerimônia em Goiás também foi marcada por vaias ao governador Ronaldo Caiado (União Brasil), que chegou a romper com o presidente por causa da gestão de Bolsonaro na pandemia de covid-19. A plateia também gritou “Lula, ladrão, seu lugar é na prisão”. Na plateia,estava a claque organizada pelo deputado federal Major Vitor Hugo, governadoriável do PL.

“Hoje vocês são parceiros dos fazendeiros. Juntos vocês vão produzir para todos nós”, disse Bolsonaro, em referência às pessoas que estiveram no encontro para receber o título da propriedade rural. O presidente fez elogios ao setor produtivo e citou a importância da categoria para a produção de alimento que abastece o mundo.

No discurso, Bolsonaro também falou sobre economia e argumentou que o aumento nos preços de produtos, com destaque para os combustíveis, “é reflexo da pandemia e da guerra que acontece a 10 mil quilômetros do nosso País.”

Defesa do ruralista
O discurso do governador Ronaldo Caiado (União Brasil) teve como foco o histórico de seu trabalho como representante ruralista desde a década de 1980, setor que era o principal público do evento organizado por Jair Bolsonaro.

Caiado também relembrou que foi candidato a presidente da República em 1989 e disse que “enfrentamos as esquerdas como ninguém”. No discurso, o governador citou que Bolsonaro conhece o episódio. “Caiado é defensor do produtor rural. Sou médico há 47 anos e produtor rural”, disse o governador.

Caiado também ressaltou conquistas de sua gestão e destacou apoio do governo federal.

Títulos a posseiros
Bolsonaro esteve em Rio Verde para participar de cerimônia de regularização fundiária organizada pelo Incra, que ocorreu no Parque de Exposições da cidade.

Jair Bolsonaro participou da cerimônia de entrega de 376 documentos de assentamentos localizados em 99 municípios goianos. Durante o evento, o presidente disse que mais de 330 mil títulos foram entregues em todo o país durante o seu mandato e que pretende, até o fim do ano, chegar à marca dos 400 mil. Foram entregues no evento 8.037 documentos, entre títulos de domínio e contratos de concessão de uso para beneficiários da reforma agrária.

“Ultrapassamos a casa dos 330 mil títulos no Brasil. Estamos nos esforçando a ultrapassar, este ano, a casa dos 400 mil”, disse Bolsonaro. Segundo o presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Geraldo Melo Filho, o resultado mostra a relevância de parcerias com governos estaduais e municipais.

“Para chegar a esse resultado, precisamos de parcerias com estados e municípios. Dos títulos entregues hoje, cerca de 200 foram emitidos em parcerias com prefeituras. Esse é um dado importante porque mostra que as prefeituras têm trabalho a desempenhar conosco”, disse.

Bolsonaro destacou que, tendo em mãos títulos provisórios e definitivos, agricultores familiares, por exemplo, podem vender parte de sua produção aos municípios, além de terem acesso a crédito bancário.

Bolsonaro andou de camionete e participou de motociata pelas principais ruas e avenidas de Rio Verde.

Em três anos e quatro meses de governo, Bolsonaro já visitou Goiás mais de 15 vezes, para participar de eventos oficiais, motociata e visitas a acontecimentos sociais, a convite de cantores sertanejos e jogadores de futebol.



O que explica crescimento do presidente nas pesquisas

Pesquisas de intenção de voto divulgadas nos últimos três meses mostram um avanço do presidente Jair Bolsonaro (PL) em intenções de voto e recuperação de popularidade, embora o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) continue na liderança e vença em todos os cenários para o segundo turno.

Em média, o percentual dos que avaliam positivamente o governo Bolsonaro subiu de 30% para 35% nos primeiros três meses deste ano. E nas pesquisas de intenção de voto, o presidente cresceu enquanto Lula se manteve estável.

Levantamento da XP/Ipespe, divulgado no dia 6 de abril, após o ex-juiz Sergio Moro trocar de partido e deixar a disputa para presidente, mostra Bolsonaro com 30% das intenções de voto, e Lula, com 44%. Na pesquisa anterior, do mesmo instituto, o presidente aparecia com 26%, e Lula, com os mesmos 44%.

Outra pesquisa, da Genial/Quaest, também divulgada em abril, mostra movimento semelhante. Bolsonaro aparece com 31% dos votos num cenário sem Moro, um avanço de cinco pontos percentuais em comparação com a pesquisa anterior. Lula se manteve estável, com 45%.

Com a melhora na popularidade, a consultoria internacional Eurasia calcula que Bolsonaro passou de uma chance de 20% de ganhar a eleição, para 25%. Mas o ex-presidente Lula segue na liderança e, conforme os cálculos da Eurasia, tem, neste momento, 70% de chance de vencer.

A cientista política Carolina de Paula, especialista em comportamento eleitoral, aponta o Auxílio Brasil e demais promessas ou benefícios concedidos por Bolsonaro a populações de baixa renda como fator determinante do crescimento dele nas pesquisas de opinião.


Leia também

Siga o Diário da Manhã no Google Notícias e fique sempre por dentro

edição
do dia

Impresso do dia