Política há cem anos estava efervescente como hoje
Redação DM
Publicado em 5 de setembro de 2022 às 13:37 | Atualizado há 2 anos

E a Semana de Arte Moderna, que ocorre no mesmo ano? Claro, impacta na política com a base de oxigenação social que vai trazer novas ideias e ideais. A arte inspira movimentos de esquecimento da estética da República Velha. Em contrapartida à política do interior, a Semana de Arte Moderna vai buscar definir os parâmetros da arte urbana, através do diálogo com a mentalidade dos grandes centros. Neste sentido, ela se junta ao tenentismo indiretamente para enfraquecer as oligarquias que estavam no poder. Mas sem o engajamento que teremos cem anos depois.
E a criação do PCB traz à tona, por fim, a insatisfação do movimento operário nascente nos grandes centros contra tudo o que se passava no período. No mesmo ano de sua criação, foi colocado na ilegalidade, pelo presidente Epitácio Pessoa. Ou seja, desde sempre os movimentos de trabalhadores são sabotados, seja com a lei seja por meio de políticas populistas que ganham apoio do não-proletário – desempregados, pessoas que vivem na informalidade, prostitutas, agora vigias de carro, vigaristas, artistas de rua, etc. E com apoio destes miseráveis, elites governam, pulando direitos de trabalhadores e classe média.
O grupo do “Partidão” esteve sempre organizado e afastado dos ensaios para a revolução de 1930. Foram contra o Golpe Militar de 1930 que retirou do poder Washington Luís. Denunciaram que o movimento que eclodiu, com apoio dos tenentistas e cara de paisagem dos modernistas, iria, na verdade, dar ar fresco para novas oligarquias agrárias e impedir a revolução das massas.
E mundo em crise, os fazendeiros-políticos não conseguem vender seus produtos. Ebulição! Querem (mais uma vez e sempre) perdão de dívidas com a União.
Tempestade perfeita
É a tempestade perfeita para a chegada ( modo dizer, pois já estava: era ministro de Washington Luís!) de Getúlio Vargas, que não passava de filho de estancieiros (fazendeiros) do Rio Grande do Sul querendo o mesmo espaço dado a Minas e São Paulo.
Derrotado nas urnas, na disputa para presidente, Getúlio ( a história é longa. Mas Washington Luís, paulista, decide que nas eleições de 1930 um novo paulista será o presidente, e não um mineiro. Então os mineiros se rebelam e lançam seu governador, Antônio de Andrada, que, ao fim, declinou da disputa e chamou justamente Getúlio para concorrer. E Getúlio perde para Júlio Prestes. Mas vai lá na marra e tira este fazendeiro do poder) encarna o golpista, ainda que a história não seja muito bem contada. Getúlio esteve sempre ligado às mais altas elites do Rio Grande do Sul. Era há quatro anos, nessa época, só o ministro da Fazenda da oligarquia presidencial de Washington Luís.

Paralelo: Artur Bernardes, eleito em 1922, é considerado por muitos acadêmicos, pesquisas e imprensa como o pior presidente da história. Dizem que foi vingativo e chegou a prender todos adversários. Marca o período mais emblemático do voto de cabresto, que era vigiado pelo coronel ( não era secreto). Governou o Brasil causando tensões. Jornais relatam que ele torturava psicologicamente a nação com seu estado de sítio.
Bolsonaro
E Jair Bolsonaro, cem anos depois? Pesquisa Ipespe de abril de 2022 indica que 40% dos entrevistados considera Jair o pior presidente da história. Em segundo lugar, aparece Dilma Rousseff (21%) e depois Lula (14%). Ou seja, números que retratam apenas o momento e não a história.

Para piorar: um processo eleitoral que terá a vitória de Artur Bernardes (café) contra Nilo Peçanha (dissidente revoltado). Eleito, Bernardes mandou fechar o Clube Militar e prendeu o ex-presidente marechal Hermes da Fonseca, por conta de uma fake news que quase o prejudicou nas urnas: na mensagem fake, Bernardes espinafra os sentidos militares por ‘orgias’. A tensão de 1922 desembocaria na crise de 1930, envolvendo elites que se engalfinhavam pelo orçamento público e defesa de elaboração de leis favoráveis para as famílias ricas.
Qual impacto disso hoje na sociedade e na política? O tenentismo que se desdobrou do Movimento 18 do Forte deu aos militares muito o que pensar: que eles poderiam interferir mais (cada vez mais) também nos resultados políticos, reforçou a classe e, por fim, criou um fato que entrou para a história. Quando 18 militares do Forte de Copacabana ficaram até o fim no enfrentamento contra legalistas, a mensagem que fica é: descontentamento gera revoltas. E foram várias. Revoltas republicanas? Em parte, sim.
Esse grupo inspira o tenentismo, que combate a corrupção da política “café com leite”, participa da aliança com Getúlio Vargas, que destitui as antigas oligarquias e concentra espaço em outras (vide o ludoviquismo, em Goiás). Esse movimento defende o voto das mulheres e o fim do voto de cabresto.
Mas se caracterizou mesmo como grupo insatisfeito em não ter controle das eleições.

E a Semana de Arte Moderna, que ocorre no mesmo ano? Claro, impacta na política com a base de oxigenação social que vai trazer novas ideias e ideais. A arte inspira movimentos de esquecimento da estética da República Velha. Em contrapartida à política do interior, a Semana de Arte Moderna vai buscar definir os parâmetros da arte urbana, através do diálogo com a mentalidade dos grandes centros. Neste sentido, ela se junta ao tenentismo indiretamente para enfraquecer as oligarquias que estavam no poder. Mas sem o engajamento que teremos cem anos depois.
E a criação do PCB traz à tona, por fim, a insatisfação do movimento operário nascente nos grandes centros contra tudo o que se passava no período. No mesmo ano de sua criação, foi colocado na ilegalidade, pelo presidente Epitácio Pessoa. Ou seja, desde sempre os movimentos de trabalhadores são sabotados, seja com a lei seja por meio de políticas populistas que ganham apoio do não-proletário – desempregados, pessoas que vivem na informalidade, prostitutas, agora vigias de carro, vigaristas, artistas de rua, etc. E com apoio destes miseráveis, elites governam, pulando direitos de trabalhadores e classe média.
O grupo do “Partidão” esteve sempre organizado e afastado dos ensaios para a revolução de 1930. Foram contra o Golpe Militar de 1930 que retirou do poder Washington Luís. Denunciaram que o movimento que eclodiu, com apoio dos tenentistas e cara de paisagem dos modernistas, iria, na verdade, dar ar fresco para novas oligarquias agrárias e impedir a revolução das massas.
E mundo em crise, os fazendeiros-políticos não conseguem vender seus produtos. Ebulição! Querem (mais uma vez e sempre) perdão de dívidas com a União.
Tempestade perfeita
É a tempestade perfeita para a chegada ( modo dizer, pois já estava: era ministro de Washington Luís!) de Getúlio Vargas, que não passava de filho de estancieiros (fazendeiros) do Rio Grande do Sul querendo o mesmo espaço dado a Minas e São Paulo.
Derrotado nas urnas, na disputa para presidente, Getúlio ( a história é longa. Mas Washington Luís, paulista, decide que nas eleições de 1930 um novo paulista será o presidente, e não um mineiro. Então os mineiros se rebelam e lançam seu governador, Antônio de Andrada, que, ao fim, declinou da disputa e chamou justamente Getúlio para concorrer. E Getúlio perde para Júlio Prestes. Mas vai lá na marra e tira este fazendeiro do poder) encarna o golpista, ainda que a história não seja muito bem contada. Getúlio esteve sempre ligado às mais altas elites do Rio Grande do Sul. Era há quatro anos, nessa época, só o ministro da Fazenda da oligarquia presidencial de Washington Luís.

Paralelo: Artur Bernardes, eleito em 1922, é considerado por muitos acadêmicos, pesquisas e imprensa como o pior presidente da história. Dizem que foi vingativo e chegou a prender todos adversários. Marca o período mais emblemático do voto de cabresto, que era vigiado pelo coronel ( não era secreto). Governou o Brasil causando tensões. Jornais relatam que ele torturava psicologicamente a nação com seu estado de sítio.
Bolsonaro
E Jair Bolsonaro, cem anos depois? Pesquisa Ipespe de abril de 2022 indica que 40% dos entrevistados considera Jair o pior presidente da história. Em segundo lugar, aparece Dilma Rousseff (21%) e depois Lula (14%). Ou seja, números que retratam apenas o momento e não a história.
Brasil há cem anos, exatamente em 1922: surgia o Partido Comunista Brasileiro (PCB) fruto da grande agitação nas fábricas com o segmento operário, ocorria o Movimento 18 do Forte (que reunia a baixa patente nos protestos) e a Semana de Arte Moderna ( evento mais ou menos uniforme apenas nos primeiros meses).

Para piorar: um processo eleitoral que terá a vitória de Artur Bernardes (café) contra Nilo Peçanha (dissidente revoltado). Eleito, Bernardes mandou fechar o Clube Militar e prendeu o ex-presidente marechal Hermes da Fonseca, por conta de uma fake news que quase o prejudicou nas urnas: na mensagem fake, Bernardes espinafra os sentidos militares por ‘orgias’. A tensão de 1922 desembocaria na crise de 1930, envolvendo elites que se engalfinhavam pelo orçamento público e defesa de elaboração de leis favoráveis para as famílias ricas.
Qual impacto disso hoje na sociedade e na política? O tenentismo que se desdobrou do Movimento 18 do Forte deu aos militares muito o que pensar: que eles poderiam interferir mais (cada vez mais) também nos resultados políticos, reforçou a classe e, por fim, criou um fato que entrou para a história. Quando 18 militares do Forte de Copacabana ficaram até o fim no enfrentamento contra legalistas, a mensagem que fica é: descontentamento gera revoltas. E foram várias. Revoltas republicanas? Em parte, sim.
Esse grupo inspira o tenentismo, que combate a corrupção da política “café com leite”, participa da aliança com Getúlio Vargas, que destitui as antigas oligarquias e concentra espaço em outras (vide o ludoviquismo, em Goiás). Esse movimento defende o voto das mulheres e o fim do voto de cabresto.
Mas se caracterizou mesmo como grupo insatisfeito em não ter controle das eleições.

E a Semana de Arte Moderna, que ocorre no mesmo ano? Claro, impacta na política com a base de oxigenação social que vai trazer novas ideias e ideais. A arte inspira movimentos de esquecimento da estética da República Velha. Em contrapartida à política do interior, a Semana de Arte Moderna vai buscar definir os parâmetros da arte urbana, através do diálogo com a mentalidade dos grandes centros. Neste sentido, ela se junta ao tenentismo indiretamente para enfraquecer as oligarquias que estavam no poder. Mas sem o engajamento que teremos cem anos depois.
E a criação do PCB traz à tona, por fim, a insatisfação do movimento operário nascente nos grandes centros contra tudo o que se passava no período. No mesmo ano de sua criação, foi colocado na ilegalidade, pelo presidente Epitácio Pessoa. Ou seja, desde sempre os movimentos de trabalhadores são sabotados, seja com a lei seja por meio de políticas populistas que ganham apoio do não-proletário – desempregados, pessoas que vivem na informalidade, prostitutas, agora vigias de carro, vigaristas, artistas de rua, etc. E com apoio destes miseráveis, elites governam, pulando direitos de trabalhadores e classe média.
O grupo do “Partidão” esteve sempre organizado e afastado dos ensaios para a revolução de 1930. Foram contra o Golpe Militar de 1930 que retirou do poder Washington Luís. Denunciaram que o movimento que eclodiu, com apoio dos tenentistas e cara de paisagem dos modernistas, iria, na verdade, dar ar fresco para novas oligarquias agrárias e impedir a revolução das massas.
E mundo em crise, os fazendeiros-políticos não conseguem vender seus produtos. Ebulição! Querem (mais uma vez e sempre) perdão de dívidas com a União.
Tempestade perfeita
É a tempestade perfeita para a chegada ( modo dizer, pois já estava: era ministro de Washington Luís!) de Getúlio Vargas, que não passava de filho de estancieiros (fazendeiros) do Rio Grande do Sul querendo o mesmo espaço dado a Minas e São Paulo.
Derrotado nas urnas, na disputa para presidente, Getúlio ( a história é longa. Mas Washington Luís, paulista, decide que nas eleições de 1930 um novo paulista será o presidente, e não um mineiro. Então os mineiros se rebelam e lançam seu governador, Antônio de Andrada, que, ao fim, declinou da disputa e chamou justamente Getúlio para concorrer. E Getúlio perde para Júlio Prestes. Mas vai lá na marra e tira este fazendeiro do poder) encarna o golpista, ainda que a história não seja muito bem contada. Getúlio esteve sempre ligado às mais altas elites do Rio Grande do Sul. Era há quatro anos, nessa época, só o ministro da Fazenda da oligarquia presidencial de Washington Luís.

Paralelo: Artur Bernardes, eleito em 1922, é considerado por muitos acadêmicos, pesquisas e imprensa como o pior presidente da história. Dizem que foi vingativo e chegou a prender todos adversários. Marca o período mais emblemático do voto de cabresto, que era vigiado pelo coronel ( não era secreto). Governou o Brasil causando tensões. Jornais relatam que ele torturava psicologicamente a nação com seu estado de sítio.
Bolsonaro
E Jair Bolsonaro, cem anos depois? Pesquisa Ipespe de abril de 2022 indica que 40% dos entrevistados considera Jair o pior presidente da história. Em segundo lugar, aparece Dilma Rousseff (21%) e depois Lula (14%). Ou seja, números que retratam apenas o momento e não a história.