Política

Prefeito de Sorocaba Rodrigo Manga é suspeito de chefiar organização criminosa

Redação Online

Publicado em 12 de novembro de 2025 às 15:15 | Atualizado há 8 meses

A Polícia Federal (PF) aponta o prefeito afastado de Sorocaba (SP), Rodrigo Manga (Republicanos), como chefe de uma organização criminosa e principal beneficiário de um esquema de corrupção envolvendo contratos públicos. A informação está em um documento que levou a Justiça a afastá-lo do cargo por 180 dias.

Segundo as investigações, o grupo comandado por Manga teria cometido lavagem de dinheiro e outros crimes contra a administração pública desde o início do mandato, em janeiro de 2021. O relatório da PF diz que o prefeito é “o líder do grupo criminoso e o principal beneficiário das ações ilegais”.

Na quinta-feira, 6, a segunda fase da Operação Cópia e Cola levou à prisão do cunhado e de um empresário ligado a Manga. Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão na casa do prefeito e na sede da Prefeitura de Sorocaba.

De acordo com a PF, o grupo usava contratos falsos de publicidade para dar aparência legal a dinheiro de origem ilegal. Esses contratos eram feitos pela empresa 2M Comunicação e Assessoria, da primeira-dama Sirlange Rodrigues Frate, com empresas ligadas a outros investigados. Entre elas estão a Sim Park Estacionamento Eireli, de Marco Silva Mott, e a Igreja Cruzada dos Milagres dos Filhos de Deus, ligada ao cunhado de Manga, Josivaldo de Souza, e à irmã da primeira-dama, Simone Rodrigues Frate Souza.

O relatório aponta que os contratos eram falsos e serviam para colocar novamente no mercado o dinheiro desviado dos cofres públicos. A Sim Park teria recebido R$ 448,5 mil, enquanto a igreja movimentou cerca de R$ 780 mil em parcelas mensais.

A PF também encontrou irregularidades em contratos da área da saúde. Entre eles, a contratação sem licitação da Organização Social Instituto de Atenção à Saúde e Educação (antiga Aceni) para administrar a UPA do Éden e indícios de fraude em uma licitação para gerir a UPH da Zona Oeste. Mensagens interceptadas indicam que o prefeito teria pressionado servidores para acelerar a assinatura de contratos emergenciais. O relatório cita ainda a compra de um imóvel por R$ 182,5 mil, com parte do pagamento em dinheiro vivo, o que seria mais um indício de lavagem de dinheiro.

O cunhado do prefeito, Josivaldo Batista de Souza, é apontado como o possível responsável por cuidar do dinheiro do esquema. Segundo a PF, ele mantinha uma “contabilidade paralela” em seu celular, com registros de propina. Já o empresário Marco Silva Mott, dono da Sim Park, é descrito como um membro importante do grupo. Na casa dele, os agentes encontraram R$ 646 mil em dinheiro, carros de luxo — como um Porsche e uma BMW — e armas de fogo.

A defesa de Rodrigo Manga diz que a investigação é “nula” e foi feita “de forma ilegal e por autoridade incompetente”. A defesa da primeira-dama, Sirlange Rodrigues Frate Maganhato, afirma que todas as operações financeiras são legais e comprovadas com notas fiscais.

Os advogados de Josivaldo, Simone e da Igreja Cruzada dos Milagres dos Filhos de Deus negam qualquer envolvimento em crimes e dizem que todos os valores são declarados desde 2018. O empresário Marco Silva Mott afirmou que desconhece os fatos e só vai se manifestar após ter acesso ao processo.

A organização Amhemed, citada em alguns contratos, informou que não foi notificada oficialmente e que trabalha com “legalidade, transparência e responsabilidade”.


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