PT pressiona por aliança com Juliana Brizola e enfrenta resistência no RS
Fernando Henrique - Estágio DM
Publicado em 8 de abril de 2026 às 10:08 | Atualizado há 3 meses
Lideranças históricas do PT gaúcho participam de ato em defesa da candidatura de Edegar Pretto ao governo estadual | Foto: Divulgação
A pressão do diretório nacional do Partido dos Trabalhadores (PT) para que a sigla no Rio Grande do Sul abra mão de candidatura própria ao governo estadual e apoie Juliana Brizola (PDT) enfrenta resistência de lideranças históricas no estado.
O grupo técnico do diretório nacional responsável por estratégias eleitorais publicou, nesta terça-feira (7), uma carta cobrando que o partido integre a chapa liderada pela neta de Leonel Brizola.
O documento afirma que o PT gaúcho deve considerar a estratégia nacional de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, baseada em uma ampla aliança de centro-esquerda, e construir “uma tática eleitoral conjunta com o PDT e demais partidos do campo democrático, sob a liderança da companheira Juliana Brizola”.
Resistência interna e defesa de candidatura própria
No estado, a preferência é pelo lançamento de Edegar Pretto, ex-presidente da Conab, como candidato ao governo. Ele já disputou o cargo em 2022. Em resposta à carta, Pretto afirmou que solicitou uma reunião do diretório estadual para discutir o tema e ressaltou a autonomia da instância local. “A instância partidária que definiu a tática eleitoral no Rio Grande do Sul é soberana para decidir o meu papel nas eleições deste ano”, declarou o pré-candidato.
Durante ato de campanha realizado na segunda-feira (6), lideranças como os ex-governadores Tarso Genro e Olívio Dutra, além do ex-prefeito de Porto Alegre Raul Pont, defenderam publicamente a candidatura própria.
Tarso criticou a possibilidade de intervenção nacional. “Eu não acredito que eles tenham coragem de fazer uma intervenção para dizer para a militância aqui no estado que a nossa candidata é de outro partido”, afirmou.
Já Olívio Dutra puxou palavras de ordem em apoio a Lula e Pretto, defendendo a união das forças de esquerda contra o que chamou de “estado privatizado”.
Desempenho eleitoral e articulações
Edegar Pretto ganhou projeção após o desempenho nas eleições de 2022, quando ficou em terceiro lugar com 26,77% dos votos, ficando a apenas 2.441 votos de levar a disputa ao segundo turno contra o atual governador Eduardo Leite.
Ligado à agricultura familiar, Pretto foi escolhido por Lula para presidir a Conab no atual mandato. A principal ausência no ato foi o deputado federal Paulo Pimenta, aliado próximo do presidente e pré-candidato ao Senado. Segundo sua assessoria, ele cumpria agendas relacionadas à CPMI do INSS.
Aliados de Pimenta, como a deputada estadual Laura Sito e a vereadora de Porto Alegre Natasha Ferreira, também não compareceram.
Impacto nas alianças e reação de partidos
A articulação nacional inclui diálogo com o PDT. Lula chegou a receber Juliana Brizola e o presidente da sigla, Carlos Lupi, no Palácio do Planalto em fevereiro. No entanto, o PSOL já sinalizou que pode ficar fora da aliança caso Juliana encabece a chapa. A possível saída impactaria a disputa ao Senado, que tem como pré-candidata Manuela D’Ávila.
A deputada federal Fernanda Melchionna afirmou que pesa contra o PDT o apoio ao governo de Eduardo Leite nos últimos anos, criticado por privatizações e políticas econômicas. Raul Pont também questionou alianças com o PDT, citando o apoio histórico do partido a governos anteriores, como o de José Ivo Sartori.
Posicionamento de Juliana Brizola
Juliana divulgou nota conjunta com o PDT reiterando apoio à reeleição de Lula e destacando seu histórico contrário às privatizações de empresas como CEEE e Corsan. Ela também afirmou ter buscado diálogo com setores do centro e da centro-direita durante a reconstrução de Porto Alegre após a tragédia climática de 2024.
Na eleição municipal, Juliana ficou em terceiro lugar com 19,96% dos votos, atrás de Maria do Rosário, e a disputa foi vencida em segundo turno por Sebastião Melo.
O PDT confirmou ainda que deixou a base do governo estadual, que agora trabalha pela candidatura do vice-governador Gabriel Souza como sucessor. (Carlos Villela/FOLHAPRESS)