Queixas do PT e PMDB a Dilma
Redação DM
Publicado em 23 de novembro de 2015 às 20:49 | Atualizado há 1 anoAs bancadas estaduais e federais do PT e PMDB terão com o ministro Ricardo Berzoini (Governo), no Palácio do Planalto, em Brasília, para manifestar contrariedade em relação ao tratamento dado ao governador Marconi Perillo na liberação de obras ao Estado.
Coube ao líder da bancada estadual do PT, deputado Luis Cesar Bueno, também presidente do partido em Goiânia e membro do diretório nacional, encaminhar, pessoalmente, o pedido de audiência ao ministro Ricardo Berzoini. A audiência deverá ser confirmada para semana que vem.
A pressa da oposição goiana em procurar o ministro do Governo se dá, principalmente, depois que a petista Dilma Rousseff concedeu nova audiência ao governador Marconi Perillo (PSDB), quando, na ocasião, a presidente anunciou que irá construir as universidades federais de Catalão e Jataí. Alega que há algum tempo o próprio deputado federal Daniel Vilela (PMDB) solicitara ao Ministério da Educação a construção das universidades federais em Goiás e o assunto foi tratado em “banho-maria”, sem qualquer solução.
Em público e à imprensa, petistas e peemedebistas negam o desconforto em relação à boa relação Dilma Rousseff/Marconi Perillo, mas o certo é que manifestarão ao ministro do Governo queixas em relação à exclusão dos aliados do governo federal no encaminhamento e liberação de verbas da União ao Estado.
Luis Cesar Bueno afirmou à reportagem do Diário da Manhã que não se trata de reclamações, “mesmo porque as obras são feitas pelo governo federal em parcerias com o Estado e as prefeituras”, e sim de mostrar ao Palácio do Planalto a necessidade de “atuar em plena sintonia” com os aliados do governo federal (PT, PMDB, PTB, PDT, PC do B e outros) em Goiás. E acrescentou: “Jamais iríamos fazer reclamações ao Palácio do Planalto. O PT não reclama, agradece. Afinal, são obras do governo do PT e não do PSDB. Vamos agradecer à presidenta pelas obras que tem realizado em Goiás, como a duplicação da BR-060, os Institutos Federais, o aeroporto de Goiás, as universidades federais de Catalão e Jataí.”
No primeiro governo de Dilma Rousseff, deputados federais do PT e do PMDB se queixavam de que a presidente visitava o Estado e sequer convidada parlamentares goianos aliados a acompanharem no avião presidencial. Sandro Mabel, então deputado pelo PR, e Roberto Balestra, do PP, externaram a contrariedade.
Deputado estadual Renato de Castro (PT) aparece na mídia para engrossar a fila dos que se queixam do “tratamento político” dado pelo Palácio do Planalto aos aliados em Goiás. Segundo ele, a presidente Dilma Rousseff deveria tratar o governador tucano como “adversário”. E acrescentou: “O que não dá é o governo Dilma ficar ajudando o governador, e o Marconi não atende uma reivindicação nossa, não tem nenhuma emenda de um deputado petista que já foi aprovada.”
O deputado Humberto Aidar (PT) é contrário a qualquer pressão junto à presidente Dilma Rousseff para impedir a transferência recursos financeiros e benefícios ao Estado. “Não tem de se apequenar e agir dessa forma, pelo contrário. Numa crise dessa, seria irresponsabilidade atuar para que a presidente mudasse seu comportamento com o Estado de Goiás.”
O líder da bancada do PMDB, deputado José Nelto, diz que o Palácio do Planalto não consideram os peemedebistas e petistas goianos como “companheiros políticos” e sim o governador Marconi Perillo. “Por isso é que, desde o início do primeiro mandato, Dilma libera bilhões de reais para obras no Estado através do governador do PSDB.” Para ele, a presidente nunca valorizou o PT e o PMDB de Goiás. “Dilma só quer saber dos nossos adversários.”
Não engoliram
O que se constata, portanto, que os petistas e peemedebistas goianos nunca engoliram a “a relação republicana” entre os governos Dilma e Marconi, que, entre outras consequências, proporcionou a liberação de R$ 10 bilhões para investimentos em obras de infraestrutura do Estado.
Em 2013, a revista “Veja” publicou nota revelando que em uma reunião de bancada do PMDB, a então deputada federal Iris Araújo criticara Dilma por liberar verbas para obras em Goiás. Segundo a peemedebista, ao liberar verbas para o Estado, Dilma estava fortalecendo o governador Marconi Perillo, ou seja, tudo que o PMDB não queria.
Em 2014, a imprensa noticiou que deputados estaduais da oposição em Goiás, entre eles Luis Cesar Bueno e Francisco Gedda, teriam procurado a presidente para reclamar do tratamento dado ao governo de Goiás. A presidente teria dito que não discriminaria nenhum governador por pertencer a um partido de oposição. Ambos os deputados negaram terem tratado desse assunto com Dilma Rousseff.
Deputado federal Daniel Vilela (PMDB) nega que a oposição pressione o Palácio do Planalto a não liberar recursos para Goiás, através do governador. “Não há porque o governo federal discriminar Goiás. O governo federal tem de investir sim. Recursos para Goiás nunca são demais. Até porque nos últimos anos foram os repasses e empréstimos do governo federal que impediram o Estado de parar.”
O deputado federal Pedro Chaves (PMDB) diz não comungar com essa ideia de a oposição goiana pedir à presidente Dilma Rousseff que sonegue benefícios para Goiás. “Eu não participo desse tipo de movimento. Isso não faz sentido. Se temos condições, e fomos eleitos para isso, de ajudar, porque vamos atrapalhar? Já ouvi que tem gente da base dilmista falando em ir a ministro, mas não participo disso.”
O secretário de Articulação Política do governo Marconi, Sérgio Cardoso, diz não acreditar que os deputados do PT e do PT iriam ao ministro Ricardo Berzoini para pedir “boicote” em relação ao Estado de Goiás. “Espero que a oposição vá ao Palácio do Planalto pedir mais verbas para Goiás e não para sabotar. O que se espera da oposição é comportamento elevado e não voltado para picuinhas políticas.”
Sérgio Cardoso ressaltou que a relação entre o governador Marconi Perillo e a presidente Dilma Rousseff é de “respeito mútuo”, tendo como objetivo único os “interesses maiores de Goiás e do País.” E acrescentou: “O governador é grato à presidente por suas ações voltadas para o desenvolvimento econômico e social do Estado.”
Marconi e Dilma: relação republicana, apesar das diferenças partidárias
Em evento realizado, em Goiânia, em março último, o governador Marconi Perillo (PSDB) reafirmou o seu compromisso de estabelecer com a presidente Dilma Rousseff (PT) uma relação republicana, colocando em destaque os interesses de Goiás e do País. “O Brasil não pode ser vítima da intolerância, do desrespeito. Não pode ser vítima de minorias que não querem uma democracia onde o republicanismo possa prevalecer”, disse o governador, destacando seu relacionamento com os prefeitos petistas das principais cidades do Estado.
Perillo disse ainda que já teve a “coragem” de defendê-la em muitos momentos dentro do PSDB. “Sou de um outro partido, que às vezes faz oposição à senhora, mas eu não. Nunca ninguém ouviu aqui em Goiás uma palavra minha que não fosse de respeito e de reconhecimento ao trabalho de Vossa Excelência.”
“Onde quer que eu esteja, continuarei a dizer essas palavras de respeito, de apoio a Vossa Excelência. Não me importo com minorias que muitas vezes atuam tão somente com o objetivo de desrespeitar as pessoas. Não à intolerância, pela democracia no Brasil, pelo republicanismo e pelas muitas parcerias que temos hoje e ainda haveremos de ter daqui pra frente”, concluiu o tucano.
Em retribuição, a presidente também exaltou a “parceria” com o governador goiano, “acima de nossas diferentes filiações partidárias”. E acrescentou: “Somos um país democrático, em que a gente disputa durante a eleição. Acabou a eleição, eleitos aqueles que o povo escolheu, a gente passa a governar. Ele, para toda população de Goiás, e eu para toda a população do Brasil. Por isso, os nossos caminhos, governador, sempre se encontraram, porque somos republicanos e democratas”, declarou Dilma. A petista afirmou que a democracia foi conquistada apesar de “prisões, exílios e mortes”, em um processo que “muitas pessoas mais novas não viveram”.
Em Goiás, o governo Dilma Rousseff realiza obras como a Ferrovia Norte Sul(trecho Uruaçu/Anápolis), reformas do Aeroporto Santa Genoveva, duplicação da BR-060, construção de institutos federais, entre outras obras. Prometeu agora a construção da universidade federal de Goiás em Catalão e Jataí. Com recursos federais, o governo Marconi restaurou e pavimentou rodovias em diversas regiões do Estado.
Iris critica Dilma: “Encheu Marconi de dinheiro”
Iris Rezende (PMDB), candidato ao governo de Goiás, em 24 de julho do ano passado, se associou aos petistas e peemedebistas que se queixavam do tratamento dado pelo governo Dilma Rousseff à administração do tucano Marconi Perillo. Iris disse que Dilma encheu o governador Marconi Perillo (PSDB) de dinheiro e abandonou o prefeito Paulo Garcia (PT).
O peemedebista lembrou que a prefeitura de Goiânia passava por crise grave financeira desde meados de 2013. “Todos nós sabemos que a administração pública tem altos e baixos. Uma queixa eu tenho de tudo isso. A presidente da República encheu o Marconi de dinheiro e está deixando o Paulo Garcia sofrer sozinho aí. Por que ela não deu um pouco de recurso para a prefeitura de Goiânia onde está um companheiro dela? E coloca aí quase R$ 10 bilhões nos últimos meses. Parece a verdadeira farra o que nós estamos observando aí”, disparou Iris.
O peemedebista fez campanha ao lado de Ronaldo Caiado (DEM), candidato ao Senado na sua chapa, um dos maiores opositores a Dilma Rousseff. A relação entre o PMDB goiano e o PT nacional não foi boa desde que o petista Antônio Gomide foi lançado ao governo estadual e o PT goiano decidiu romper a aliança que mantinha com o partido de Iris.
A fúria de Iris contra Dilma veio um dia após a presidente receber o governador em audiência privada, em Brasília. Mesmo sendo de partidos rivais, a Dilma e Marconi sempre mantiveram relação republicana e em maio de 2014, durante a inauguração da ferrovia Norte-Sul, trocaram elogios publicamente.

