Política

“Quero ajudar Bolsonaro na presidência do País”

Redação DM

Publicado em 5 de outubro de 2018 às 02:02 | Atualizado há 8 anos

O senador Wilder Morais (DEM) é um dos articu­ladores da campanha do deputado federal Jair Bolsonaro (PSL) em Goiás. Na última segun­da-feira, Eduardo Bolsonaro, fi­lho do capitão que lidera a disputa para a presidência da República, declarou que “Wilder é o candi­dato de Jair Bolsonaro em Goiás”.

Em entrevista, Wilder reafir­ma que terá no candidato um alia­do político daqui para frente, prin­cipalmente pelos dois caminharem juntos em vários projetos que tra­mitam No Congresso Nacional.

Wilder diz que seu apoio ao ca­pitão não significa uma completa adesão do DEM goiano, mas uma ação pontual e programática. Wil­der ressalta que seu perfil de luta contra a corrupção é idêntico ao do candidato do PSL. Para a reporta­gem, Wilder destaca que não tolera a corrupção E a eleição de Bolsona­ro representará um freio no sistema corrupto que “raptou as esperanças do povo brasileiro”.

Da mesma forma que o senador Ronaldo Caiado (DEM), Wilder sub­linha sua ficha absolutamente limpa dentro do processo eleitoral e reitera queoeleitor devepesarbemseuvoto, já que ele será o “freio” ou o “acelera­dor” de um dos males mais graves do Brasil: “A corrupção não faz parte do meuvocabulário. Nãogostonemque falem essa palavra para mim. Consi­go provar absolutamente cada centa­voqueganheinavida”, dizWilderMo­rais, que pede votos para Bolsonaro e repete a necessidade da sociedade limpar de vez a política de carreiristas, políticos profissionais e quem faz da política sua “moradia”. Para Wilder, a palavra ‘política’ não é nem nunca foi profissão: “Política é ação na cidade, na comunidade. Uma ação cidadã e coletiva. Tenho minha profissão: sou engenheiro civil, formado, com car­reira reconhecida. Não sou político. Estou no exercício de ações políticas por um tempo da vida. É diferente de quem faz dela uma profissão”.

 

 

INTEGRA DA ENTREVISTA

DM–O que levou a decidir por Jair Bolsonaro?

Wilder Morais – Tenho fala­do de forma discreta que o apoio mesmo antes do início do pro­cesso eleitoral. Acho verdadei­ra a sua indignação. Aquilo me diz muito: o Brasil precisa de um freio de arrumação. E só o capi­tão Bolsonaro, neste grupo que aí está, pode fazer isso. Temos ou­tros candidatos com qualidades, claro. Mas o posicionamento dele quanto à corrupção foi o que me fez ser seu eleitor, me tocou.

DM – Acredita que ele será eleito?

Wilder Morais – Ele é o líder desde que a disputa começou, já que sabíamos que o ex-pre­sidente Lula não seria eleito por problemas judiciais. Penso que ao começar o segundo turno, com certeza, Bolsonaro terá uma grande concentração de votos de vários matizes – e não só da direita, como dizem. Depende­rá de seu desempenho e militân­cia. E sabemos que ele tem uma rede imensa de apoiadores dispos­tos a defendê-lo de qualquer ata­que desleal. E no segundo turno, é preciso lembrar: ele terá o mes­mo tempo de tevê. Será igual. Ele vai crescer com isso.

DM – A família Bolsonaro o apoia na luta pelo Senado, já que o senhor é candidato à reeleição. Ele vai participar da campanha?

Wilder Morais – Temos, sim, uma aproximação. Seu filho, Eduardo, gravou um vídeo em minha defesa enquanto o pai está internado. E temos recebi­do apoio dos eleitores de Bolso­rano. Muitos não sabem que es­tamos juntos nesta luta, mas até o fim do pleito espero que se po­sicionem do nosso lado, já que temos consciência de que ele pre­cisará de defensores de seus pro­jetos após vencer as eleições.

DM – Fora corrupção, que motivos levam o senhor apoiar Jair Bolsonaro?

Wilder Morais – Além da luta contra a corrupção, já que é algo que abomino, basta observar meu histórico político, temos vários pon­tos em comum. Vou citar um bem básico: lutar pela redução do tama­nho do Estado. Veja bem: a União concentra a maioria dos tribu­tos. E isso é um absurdo! O Go­verno Federal centraliza quase 70% dos recursos dos impostos, fato que mina a autonomia dos municípios e tira direitos básicos do cidadão. Ou seja: o Estado é grande e consome muito dinhei­ro. Temos, sim, que reduzir, dar mais chances para que a inicia­tiva privada aumente a produ­tividade e possa gerar mais em­pregos. O programa do Bolsonaro também fala de redução da buro­cracia. Veja bem, perdemos por ano pelo menos R$ 8 bilhões com a burocracia da União. Imagina o tanto de casa popular que po­deríamos fazer com estes recur­sos? Quantas escolas?

DM – O que o senhor quer dizer com freio de arrumação?

Wilder Morais – O número de ministérios que temos. É absur­do! Isso cria cargos demais, orça­mento demais, aluguel demais, contrato demais. A União quer fazer coisas que Estado e muni­cípio deveriam fazer. E o que é necessário ela age com negligên­cia, como conter as fronteiras. A estrutura do Governo Federal é muito grande. Freio de arruma­ção é também interferir na se­gurança pública. Como eu, Bol­sonaro defende alguns pontos, caso do fim do Estatuto do De­sarmamento e a instituição de uma lei que possibilite o acesso às armas. Hoje o cidadão de bem anda sem armas, não tem como conseguir, mas o bandido tem ar­mamento de guerra em casa. Te­mos que reduzir a insegurança. Tenho vários projetos em trami­tação e que foram aprovados na Comissão de Constituição e Jus­tiça. Com Bolsonaro no gover­no vamos colocá-los em prática.

DM – O Estado é pesado?

Wilder Morais – Exatamen­te. O Bolsonaro tem uma plata­forma bem simples e clara: Esta­do não gera receita, gera custo. Então tem que agir de forma es­tratégica, pontual, deixar que a economia funcione efetivamen­te. As pessoas vivem de que? Ge­ralmente de emprego. Então tem que incentivar que as empresas possam empreender, gerar mais empregos. E gerando mais em­pregos, acaba que devolve mais receita para o Estado. O Brasil de hoje vive uma distorção: sem empregos, com empregos suca­teados, o povo sonha em passar em concurso público. Não, o cer­to é o Estado garantir uma eco­nomia saudável, e assim todos te­rem uma vida digna a partir da vida privada. Só vocacionados e realmente os melhores e dispos­tos a servir devem se transfor­mar em servidores públicos. Agora no caos que a econo­mia se encontra, ocorrem todas estas distorções. A meta do Estado deve ser reduzir desigualda­de social. Nos países em que ele é menor e que se concentra no neces­sário observamos melhores índi­ces de desenvolvimento humano.

DM–Bolsonaro tem outras discussões polêmicas, como a luta conta a ideologia de gênero. Como o senhor vê isso?

Wilder Morais – Exatamente. Bolsonaro está certo. Hoje o po­liticamente correto quer domi­nar o espaço público, quer lega­lizar tudo. Para tudo tem que ter lei. Ora, nenhuma sociedade do mundo é assim. Hoje o Congresso Nacional quer decidir como você tem que cuidar do seu filho, quer ensinar ideologia de gênero nas escolas. Não pode entrar na vida das pessoas como tem feito. Não sou a favor disso. Antes de Bol­sonaro sempre tive minhas opi­niões: elas se aproximam. Não é função do Congresso fazer isso. Que respeitem o direito da famí­lia, o direito do cristão! Ele tam­bém defende isso. Por isso nós so­mos Bolsonaro.

DM – Bolsonaro disse que violência se combate com violência. O senhor concorda?

Wilder Mo­rais – Veja bem: ele diz que você não podequerer levar uma rosa para o bandido que está em ação. Ele disse assim, com esta pers­pectiva. Isso parece óbvio, não? Evidente que defendemos a vida. Mas nem discuto aqui: defendo a vida do policial, do cidadão que está trabalhando e não de um va­gabundo que está fazendo o mal, matando pessoas na rua. Defendo a mãe que atirou no bandido na frente da escola. E não o bandi­do! Uma vez preso com vida, evi­dente, o criminoso deve ser respei­tado em todos seus direitos. Mas não sei qual direito tem um cri­minoso em ação! Existe a legíti­ma defesa no Código Penal. Existe o exercício regular de um direito. Existe o cumprimento do dever le­gal. Então, violência, sim, se com­bate com violência. Aliás, qual a definição de Estado para muitos pensadores, filósofos, sociólogos? Estado é “monopólio da violên­cia”. Ora se o Estado deve ter em mãos este monopólio, é evidente que deve usá-lo quando alguém, um indivíduo, uma organização criminosa deseja destruir a vida da coletividade. O que acontece é o seguinte: deturpam tudo que Jair Bolsonaro diz. Querem ser es­pertos, mas se esquecem de ana­lisar e pensar o que ele diz. Evi­dente que ele já disse coisas que eu não pactuou, que penso di­ferente, mas é fato: destes que se apresentaram, ele tem este “freio de arrumação” que pen­so ser necessário para o Brasil.

 

 



Defendo a mãe que atirou no bandido na frente da escola. E não o bandido! Uma vez preso com vida, evidente, o criminoso deve ser respeitado em todos seus direitos. Mas não sei qual direito tem um criminoso em ação!

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