“Quero prefeito de Goiânia. Não quero ser pré-candidato para ser um secretário”
Redação DM
Publicado em 29 de fevereiro de 2016 às 21:39 | Atualizado há 10 anos
Em outubro deste ano os cidadãos dos municípios irão às urnas para escolher quem serão seus representantes dos poderes Executivo e Legislativo municipais. Em Goiânia, uma série de políticos já colocaram seus nomes à disposição dos partidos para se tornarem o próximo prefeito da Capital. O deputado estadual Virmondes Cruvinel Filho (PSD) é um dos postulantes, sendo um dos pré-candidatos pelo seu partido, disputando internamente com o também deputado estadual Francisco Júnior (PSD).
Advogado por formação, mas com veia política – já que é filho dos ex-deputados Virmondes Borges Cruvinel e Rose Cruvinel -, Virmondes foi três vezes vereador por Goiânia e, em 2014, foi eleito como deputado estadual. Em entrevista ao Diário da Manhã, o pré-candidato do PSD destaca o porque deseja ser prefeito, quais os principais problemas da cidade e como será pautada sua campanha, caso seja o candidato pelo partido. “
Quero ser pré-candidato para ser prefeito de Goiânia. Não quero ser pré-candidato para ser um secretário, ser vice de uma chapa ou querer negociar. Quero que a vontade do PSD seja a minha vontade, de buscar ser essa referência junto com as pessoas e realmente dar uma representação na prefeitura, onde o cidadão possa ter vez, voz e voto”, assegura.
O pré-candidato também destaca o uso da tecnologia como forma de auxilio à gestão e aproximação da população ao poder público. “ Sou uma pessoa que defendo muito o uso de tecnologias, incentivo a inovação e pesquisa, que são mecanismos que vêm trabalhando a possibilidade de, inclusive, melhorar a sociedade que vivemos”, afirma.
Prévias
O PSD, desde a sua estruturação – inclusive eu participei da fundação do partido -, tem procurado incentivar a filiação de quadros qualificados, pessoas preparadas, que tenham formação e, nós fizemos isso também em relação à Goiânia. Nós tivemos quatro pré-candidaturas ventiladas: o deputado e secretário Thiago Peixoto, o secretário Vilmar Rocha – que é o presidente do partido -, a minha pré-candidatura e o deputado Francisco Júnior. Então, esse processo veio afunilando até ficar o nosso nome e do deputado Francisco, que também é uma pessoa extremamente preparada. O que temos procurado é mostrar que o PSD pode dar essa linha de consenso, de maturidade, de buscar elevar quadros, inclusive, para alianças futuras. Temos trabalhado, principalmente, a tese de um consenso. Ao invés de trazer alguma divergência ou até mesmo prévias, temos trabalhado a questão de quem está no melhor momento. Momento nesse diálogo com a sociedade civil, com bairros, com segmentos organizados e, dentro dessa perspectiva, possivelmente nesse mês de fevereiro devemos tomar a decisão de quem será o nome, isso de forma consensual.
Candidatura
Quero ser pré-candidato para ser prefeito de Goiânia. Não quero ser pré-candidato para ser um secretário, ser vice de uma chapa ou querer negociar. Quero que a vontade do PSD seja a minha vontade, de buscar ser essa referência junto com as pessoas e realmente dar uma representação na prefeitura, onde o cidadão possa ter vez, voz e voto. Esse termômetro da sociedade tem sido meu principal aspecto para efetivar a defesa do meu nome na pré-candidatura. Ter passado pela Câmara, ter dobrado os votos, então, ter uma progressão, tendo sido o deputado mais votado do PSD em Goiânia, isso mostra que talvez seja essa a forma de estar ouvindo e representando bem a sociedade. Nós respeitamos qualquer forma de diferença que aconteça no partido, até o fato de ter vários nomes fortalece os quadros do partido. Mas queremos dar a prova de unidade, já que uma vez saindo com unidade dentro do partido, vamos poder fazer uma aliança muito grande com partidos políticos e uma referência nessa questão do tom da campanha, sem agressão, mas sim propositiva e com resultados para a sociedade.
Pré-campanha
Temos defendido, desde a formação política. Eu vim do movimento estudantil, com a experiência de três mandatos como vereador e com uma bagagem muito interessante e propriedade para dialogar com vários bairros. Meu trabalho comunitário é muito constante com associações de moradores, com igrejas, com segmentos da sociedade civil e minha formação como professor permite muito esse diálogo com universidades. Então, nesse primeiro momento, temos procurado ao longo do mês de janeiro o contato pessoal. Já visitamos cerca de cinco maiores universidades em Goiânia pedindo sugestões para elaboração do plano de governo, sugestão de nomes de pessoas que tenham capacitação em determinadas áreas para que possam ajudar. Com esse passo, a formatação da nossa pré-campanha é a possibilidade de ouvir o máximo de pessoas em Goiânia, com sugestões. Não existe plano de governo pronto e pré-elaborado, nossa ideia é fazer uma forma mais aberta e, dessa mesma forma, dá o tom da característica da gestão, que seja referência nacional dessa forma colaborativa de ouvir e tomar decisões rápidas a partir dessas sugestões da população.
Críticas
O prefeito deixou de ouvir a sociedade. Falta comunicação com a Câmara, com os bairros, com entidades da sociedade civil. Esse é o próximo passo que tem que ser dado, tanto a interação e participação. Uma oitiva maior presencial, visitando, tendo uma agenda constante de diálogos com entidades , como também reforçando o uso da tecnologia para facilitar a comunicação. Na época que era vereador criei no Facebook o chamado Gabinete Digital, justamente para aproximar. Porque as pessoas não precisam ir ao gabinete cobrar alguma coisa e dar alguma sugestão em projeto. Essa mesma forma colaborativa, talvez, seja o principal problema da prefeitura. Outro ponto é a busca da questão da eficiência. Temos observado que alguns serviços públicos básicos (limpeza urbana, iluminação, tapa-buracos, coleta seletiva e outros) são problemas que têm demorado a ser dado resposta. O que a sociedade quer é um prefeito e uma administração que procure conhecer os problemas e executar, de forma rápida, a solução. Por isso, queremos trazer esse aspecto, característica da nossa própria pré-campanha, para busca um modelo de gestão que saiba ouvir, mas que também saiba dar respostas rápidas, com o uso da tecnologia e associando experiências positivas em algumas áreas.
Apoios
Percebo, hoje, que nada se faz em política a não ser buscando parcerias. Dessa forma, esse elo muito grande que nós temos tanto no plano federal, com o ministro Kassab [Gilberto], e no plano estadual, com o secretário Vilmar Rocha, também de Cidades, permite a possibilidade de ter um acesso muito grande a recursos em áreas estratégicas na gestão da cidade, como saneamento básico e estruturação da parte de habitação. Enfim, são temas muito relevantes que dão um mote ao desenvolvimento da cidade. Com projetos e pesquisa, nós precisamos ter um elo muito grande em Brasília e isso permitirá, através dessa parceria com o ministro, projetos interessantes que possam facilitar a captação de recursos. O que temos percebido é a dificuldade da prefeitura fazer isso, ter bons projetos, pessoas que acompanham a tramitação dos projetos e que tragam recursos. Existe uma demanda muito grande, mas também existe uma grade quantidade de recursos, que uma vez bem orientados, com essa parte técnica bem encaminhada para o Ministério, pode trazer esse recurso para Goiás e para Goiânia.
Aliança PT
O que percebemos e o que prega o nosso presidente Vilmar Rocha é que se prese o máximo do diálogo e essa, talvez, seja a receita para alianças e parcerias administrativas. Sempre temos mantido um diálogo aberto, independente de partidos políticos. Isso é o que nós pensamos com relação ao diálogo do presidente do partido com o prefeito de Goiânia, que é uma parceria mais no plano administrativo. No plano político, nós respeitamos porque eles [PT] têm três nomes como pré-candidatos, pessoas com potencial e que vão defender o projeto deles. Queremos deixar o diálogo aberto, não na questão de Goiânia, mas talvez em outras cidades do Estado. Esse é o objetivo do nosso presidente também, deixar o diálogo aberto com alianças para que em outras cidades isso aconteça, como aconteceu na Cidade de Goiás, onde PT e PSD tiveram aliança e hoje têm a prefeitura.
Aliança PSDB
Esse diálogo tem sido feito de forma muito respeitosa. Respeitamos a postulação do PSDB, até porque já tem um certo tempo que o partido não tem um candidato próprio em Goiânia. Só que, dentro do PSD, até por uma estratégia nacional de incentivar candidaturas nas capitais, isso ocorra muito com relação aos projetos, as propostas, algumas linhas de raciocínio que o partido defende como sua gestão. Nós temos defendido que tenhamos também candidatura própria. Entendemos que até a própria base aliada do governo tenha a possibilidade de lançar duas ou três candidaturas, porque presenciamos em eleições passadas alguns equívocos de estabelecer um nome e não chegar nem em um segundo turno. Agora, queremos de forma ampla, fazer um debate pela cidade, conhecer de perto os problemas, acompanhar lideranças, ouvir várias pessoas que são de opinião e que o cidadão de bem possa cobrar uma postura do próximo prefeito em cima disso, de fazer uma linha de ação que vai trazer resultados para a cidade.
Redes sociais
Nós presenciamos hoje uma crítica muito grande a imagem do político, a classe política e até a forma de se fazer eleição. Queremos dar um tom da possibilidade de trazer as pessoas para mais próximo, inclusive, desse processo eleitoral. É a ideia de ter as pessoas junto do projeto, na discussão do plano de governo, no conhecimento dos problemas da cidade, apontando também as soluções. Isso um diálogo com pré-candidatos a vereadores, com partidos que vão ser parte da nossa aliança e, principalmente, a sociedade civil. Queremos dar um tom diferenciado desse modelo tradicional de campanha. Por isso tenho defendido alguns aspectos, como evitar fazer carreatas, porque o caos que está o trânsito em Goiânia e você testemunhar situações como essa, que venham constranger o cidadão. E pensar em alternativas mais rápidas de poder comunicar com as pessoas, como fazendo visitas, intensificando mais o corpo-a-corpo e intensificar o uso das redes sociais. As pessoas também não querem só aquele candidato na rede social que vá colocar a foto do “santinho”, isso é até dá um distanciamento maior. Nós queremos que as redes sociais sejam esse espaço para críticas e sugestões. Sou uma pessoa que defendo muito o uso de tecnologias, incentivo a inovação e pesquisa, que são mecanismos que vêm trabalhando a possibilidade de, inclusive, melhorar a sociedade que vivemos. Isso também através da comunicação. Acredito ser um tom interessante a se observar, até por uma análise da votação em Goiânia eu ter sido o vereador mais votado e, agora na eleição para deputado ter dobrado o número de votos, muito disso se valeu desse contato constante nas redes sociais, porque aproxima muito as pessoas, dá dinamismo a alguma sugestão e pedido. Vários projetos que recebi ao longo do mandato foram vindos da rede social e isso facilita muito a busca de resultados. Dessa forma, vejo que é a administração dos dias de hoje, porque não adianta mais se esperar criar um órgão, hoje, tem que se ter uma resposta rápida e isso pode acontecer através das redes sociais e o uso de aplicativos. Incentivando, inclusive, talentos a trazerem modelos de eficiência para a administração, colaboradores, pessoas das universidades. Um exemplo são os modelos de startups, que são soluções que são criadas e que podem melhorar a gestão. Temos que trazer para os pontos principais que causam problemas na cidade, como transporte coletivo, saúde e de como interagir com segurança pública. Essa interação nas redes sociais pode facilitar, inclusive, essas demandas que são rápidas de serem resolvidas, como iluminação, buracos, mato. Isso tudo pode ser feito de forma mais ágil se tiver uma comunicação mais efetiva do cidadão com o poder público.
Prioridades
São três pontos que tenho visto com muitos problemas: saúde, transporte e o debate sobre segurança. São três pontos que devem ser encarados com responsabilidade. Em relação ao transporte e mobilidade, vejo que tem a questão das empresas que fazem o transporte coletivo. Temos que cobrar alguns pontos, como a fiscalização e a busca de metas, eles podem dar resultados mais rápidos. Como por exemplo, cobrar a questão do horário, o ônibus ter um horário para chegar e isso já acontece em algumas cidades. Com um monitoramento e acompanhamento de dados e métricas é possível alcançar esse resultado. É um problema muito grave do transporte coletivo quanto a isso, que é a pessoa ter condição de chegar no seu trabalho, no estudo e convivência em lazer no horário que determina. Isso as empresas públicas têm o compromisso contratual, que as vezes não está sendo cumprido e nós queremos cobrar essa responsabilidade.
Da mesma forma é a questão da saúde, que testemunhamos hoje é precária as condições de funcionamento. Temos de buscar as referências da gestão, como essa ideia de OS (Organização Social), em seus aspectos positivos. Não podemos ser arredios a ideias que têm dado resultados na gestão, mas também associar melhorar alguns aspectos. Como por exemplo, já existe o Programa Saúde da Família, que merece pensar em ser ampliado. Quanto mais próximo o poder público das casas das pessoas, isso evita muitas pessoas em Cais e filas. Essa ideia de aproximar o poder público é muito necessária, vejo como extremamente válido pensar nisso agora, dando mais condições para que o cidadão fique mais próximo ao poder público, pois isso vai evitar filas e demandas de pessoas de mais idade sendo desrespeitadas de procurar uma unidade como o Cais e não ser bem atendida e isso também se estende para a relação da segurança pública. Então, vejo que esses três eixos devem ser encarados como prioridade. Em relação à segurança pública, é preciso reforçar essa questão de trabalho da guarda municipal, aproximar ainda mais da sociedade civil, não só pensar nessa questão patrimonial, mas interagir a guarda civil com os outros órgãos da segurança, dando condições que a guarda seja mais um agente próximo ao cidadão.
Soluções
O primeiro passo é dar condições para que essas tomadas de decisão aconteçam sem conflitos, por isso queremos reforçar essa questão do diálogo. Testemunhamos várias vezes na Câmara o prefeito não comparecendo nem mesmo nas datas obrigatórias. Queremos que aconteça um diálogo permanente para que algumas medidas, como por exemplo uso de tecnologias para melhorar o trânsito da cidade, isso aconteça sem divergências. Ter um diálogo prévio, informar as pessoas e garantir que tenham audiências públicas para que com isso se possa dar uma resposta mais rápida. Se evitar conflitos em pontos que são cruciais para serem resolvidos pelo poder público.