Política

Reeleição de Caiado e vitória de Wilder, marcos da política goiana

Redação DM

Publicado em 30 de dezembro de 2022 às 14:54 | Atualizado há 4 anos

A reeleição do governador Ronaldo Caiado (União Brasil) já no primeiro turno, com 51,81% dos votos válidos, foi o principal destaque da política goiana m 2022. A ascensão política de Caiado projeta seu nome como alternativa para uma eventual disputa ao Palácio do Planalto nas eleições de 2026. 

No pleito deste ano, Caiado derrotou o ex-prefeito de Aparecida de Goiânia, Gustavo M|endanha (Patriota), Major Vitor Hugo (PL) e Wolmir Amado (PT), entre outros candidatos.

Caiado foi capaz de montar uma aliança com praticamente todos os maiores partidos, inclusive o MDB de Daniel Vilela, que foi seu adversário em 2018, deixando seus oponentes com poucas opções e, consequentemente, menos estrutura de campanha.

Favorito, o governador decidiu não participar da maioria dos debates, enquanto os demais candidatos lutavam para desgastá-lo e, ao mesmo tempo, crescer nas pesquisas. No fim, a diferença foi menor do que muitos imaginavam, mas sem riscos à reeleição.

Daniel Vilela surpreendeu o meio político ao selar acordo do MDB com o União Brasil (partido que surgiu com a fusão do DEM e PSL), aceitou convite para figurar como candidato a vice-governador na chapa de Ronaldo Caiado. Antes, o MDB tinha dois pré-candidatos a governador: o próprio Daniel Vilela e Gustavo Mendanha. 28 prefeitos emedebistas anunciaram apoio à chapa Caiado/Daniel.

Oposição

Em abril, Gustavo Mendanha (Patriota), que conquistou a prefeitura de Aparecida de Goiânia por dois mandatos graça ao legado do seu padrinho político, o ex-prefeito Maguito Vilela (MDB), renunciou ao cargo em 2 de abril para disputar o governo de Goiás e obteve pouco mais de 25% dos votos válidos. 

Ele desfiliou-se do MDB e rompeu com o seu aliado político, Daniel Vilela, filho de Maguito.

Bolsonarismo

Embora o presidente Jair Bolsonaro (PL) tenha perdido para Lula (PT) no Brasil, seu apoio, em Goiás, se mostrou forte em 2022, tendo ampliado a vantagem em relação ao petista na comparação entre o primeiro e o segundo turno.

O bolsonarismo também impulsionou a campanha ao Senado do ex-senador Wilder Morais (PL), que, surpreendentemente, derrotou o ex-governador Marconi Perillo (PSDB). Além disso, o PL goiano, com quatro parlamentares, elegeu a maior bancada na Câmara dos Deputados.

Wilder Morais (PL), que foi senador entre julho de 2012 e janeiro de 2019, retornará ao Senado em 2023. Ele foi eleito com 799.022 votos (25,25 % dos votos válidos).

Wilder Morais foi senador entre 2012 e 2019 assumindo a vaga de Demóstenes Torres, após o titular da vaga ter tido o mandato cassado. Empresário bem sucedido, Wilder foi um dos fundadores da Orca Construtora em 1997 que, dentre outros clientes, reformou e construiu edificações da rede Carrefour em várias regiões do país.

No setor público, além de senador, Wilder também foi secretário de Estado de Infraestrutura de Goiás, em 2011. No Senado, orgulha-se de ter apresentado mais de 200 projetos e relatorias, ligado a temas como municipalismo e combate à burocracia. Também relata ter viabilizado mais de R$ 4 bilhões para Goiás em destinações orçamentárias, possibilitando a construção de 30 mil casas, dentre outras realizações.

Jair Bolsonaro também surpreendeu ao lançar o deputado federal Major Vitor Hugo ao governo de Goiás (PL), que ficou em terceiro lugar com pouco mais de 15% dos votos válidos.

Tucanos com Lula

Mesmo com a rivalidade histórica entre PSDB e PT, alguns tucanos em Goiás caminharam ao lado de petistas durante as eleições presidenciais com o objetivo de apoiar Lula contra Bolsonaro.

Presidente do PSDB em Goiás, Marconi até ensaiou uma possível aliança com o PT, que acabou não prosperando, mas outros nomes de destaque do partido decidiram seguir esse caminho.

O principal exemplo é o da vereadora Aava Santiago, de Goiânia. Evangélica, ela ganhou destaque nacional, participou de um encontro com Lula e integrou a equipe de transição.

Invasão da Alego

A criação de uma contribuição de parte do agronegócio estremeceu a relação de Caiado com o setor e o presidente da Assembleia Legislativa do Estado de Goiás (Alego), Lissauer Vieira (PSD), que foi o coordenador de sua campanha.

Inconformados com a chamada taxa do agro, alguns desses produtores invadiram o Plenário da Alego e quebraram vidros nas galerias. Por motivos de segurança, a sessão teve que ser cancelada, e uma nova foi convocada para o dia seguinte, sem a presença do público.

Câmara de Goiânia

O final de ano ficou marcado pelo julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) a respeito da legalidade do terceiro mandato consecutivo de Romário Policarpo (Patriota) como presidente da Câmara Municipal de Goiânia. O STF deu a vitória a Policarpo, que se mantém no posto durante o biênio 2023-2024. O caso, contudo, foi muito além disso, e envolveu até mesmo especulações sobre um possível impeachment do prefeito Rogério Cruz (Republicanos), se o comando da Câmara mudasse.

Em 2022, o Legislativo goianiense viu, ainda, alterações em sua composição de vereadores, com a cassação das chapas do PRTB e do Cidadania por não terem cumprido a cota de gênero nas eleições de 2020.

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