Relação entre Lula e Caiado: cordial, harmônica e respeitosa
Redação DM
Publicado em 13 de dezembro de 2022 às 14:59 | Atualizado há 4 anos
Não haverá dificuldades na relação entre os governos de Goiás e o Federal, pelo fato de o governador reeleito, Ronaldo Caiado (União Brasil), e o presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) serem adversários desde que surgiram na política. Notícias divulgadas nos meios de comunicação têm colocado dúvidas sobre o assunto.
O relacionamento entre os dois será o melhor possível, por um conjunto de fatores: primeiro porque qualquer tentativa de prejudicar não apenas Goiás mas a qualquer unidade da Federação, por questiúnculas políticas, seria vista como mesquinharia, o que não combina com o histórico de um político preste a assumir seu terceiro mandato de presidente; segundo, porque o próprio presidente eleito vem alertando desde a pré-campanha e pós-eleição do 2º turno, que seu governo não será de um partido apenas mas de uma coalizão de vários partidos que o apoiaram.
Lula vem alertando também por repetidas vezes, desde a pré-campanha, que a sua primeira ação como presidente, caso fosse eleito, seria reunir os 27 governadores para diagnosticar as prioridades nas áreas da Educação, Saúde e Infraestrutura. “Se eu ganhar as eleições, a primeira coisa que quero fazer é reunir os 27 governadores, para entender o que é prioritário na área da educação, da saúde, da infraestrutura em cada estado”, disse Lula em sua conta no Twitter, no dia 24 de junho.
Diante deste compromisso do futuro presidente, não há que se falar em relação dificultada entre os governos de Caiado e o de Lula. Ao contrário, a relação entre os governos goiano e o federal tem tudo para ser o melhor, com bom resultado.
Há que se destacar ainda a relação respeitosa entre Caiado e petistas durante a campanha, tanto em nível estadual quanto nacional. Sabiamente, Caiado adotou a postura de não agressão ao adversário do presidente Bolsonaro (PL), a quem apoiou no 2º turno.
Até entre Caiado e o candidato do PT ao governo no 1º turno, Volmir Amado, o tom dos discursos foi bastante moderado e respeitoso.
Como em 2018
A exemplo do que ocorreu na campanha de 2018, Caiado adotou posição de neutralidade na campanha presidencial no primeiro turno. Apoiou o presidente Jair Bolsonaro (PL) no segundo, mas sem fazer qualquer referência ao petista. Afinal, atacar adversário faz parte das estratégias de campanha, o que compete ao candidato que está disputando a eleição e não necessariamente a apoiadores.
Busca de apoios
Com o bolsonarismo ainda irado e protestando País afora contra a derrota de Bolsonaro para Lula e necessitando compor uma base sólida para apoiar seus projetos no Congresso, o presidente eleito desenvolve articulações com praticamente todos os partidos, inclusive com os setores do PL (sigla de Bolsonaro) dispostos a conversar.
O União Brasil (UB), do qual o governador Ronaldo Caiado é um dos fundadores, tem papel de destaque neste contexto por ter uma das maiores bancadas na Câmara e no Senado, o que reforça a necessidade de manter boa relação do governo Lula com o governo de Ronaldo Caiado, em Goiás.
Durante a campanha do 2º turno surgiram especulações segundo as quais, se perdesse a eleição de governador na Bahia, ACM Neto (UB) poderia ser convidado a integrar a equipe do novo presidente. Como ele não venceu, não será surpresa se o ex-prefeito de Salvador vier a integrar à equipe do governo Lula (PT).
De forma geral, a relação entre o governador Ronaldo Caiado e seus adversários no estado tem sido respeitosa e cordial, desde que assumiu o governo. Um dos governadores mais bem avaliados do País, Caiado é discreto na forma de fazer política: tem postura bastante reservada e mantém boa relação com os prefeitos.
Programas sociais
Em relação ao presidente eleito, também não há registro de que tenha discriminado estados e municípios, na distribuição de recursos federais via implantação de programas e projetos, por questões de natureza política, como o Programa Bolsa-Família, destinado à compra de alimentos e o Minha Casa Minha Vida, programa de moradia popular destinado ao atendimento de famílias pobres.
No entanto Lula e Caiado têm algo em comum: a solidariedade em momentos difíceis. Assim que foi informado da morte do filho do governador, Ronaldo Caiado Filho, ocorrida em julho, Lula postou mensagem de pesar no Twitter ao governador e à mãe de Ronaldo Filho, Thelma Gomes. Caiado, segundo uma fonte próxima da família, ficou sensibilizado com a mensagem de Lula.