Política

Retomada das prévias do PSDB após suspensão da votação acirra disputa entre Doria e Leite

Redação DM

Publicado em 23 de novembro de 2021 às 13:34 | Atualizado há 5 anos

A escolha do candidato do PSDB à Presidência da República, iniciada e interrompida domingo (21), reuniu alguns elementos que marcaram a disputa interna desde o início: divergências entre os candidatos e falhas no aplicativo usado para computar os votos.

Em consequência dos problemas na ferramenta, milhares de filiados não haviam conseguido votar até o fim do dia, quando o presidente da legenda, Bruno Araújo, anunciou a suspensão do processo de escolha do nome que vai representar o partido nas eleições de 2022. Os candidatos apenas concluíram que o processo deve ser retomado o mais rapidamente possível, porém não estipularam uma data.

A suspensão das prévias foi anunciada após uma reunião tensa, realizada na sede do PSDB, em Brasília, com a presença dos três candidatos, João Doria, governador de São Paulo; Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul; e o ex-prefeito de Manaus Arthur Virgílio. Houve bate-boca entre o chefe do Executivo paulista e o ex-deputado João Almeida, aliado de Leite. Doria o acusou de ser o responsável pela instabilidade no aplicativo.

— O Doria deu um pito nele — resumiu Arthur Vírglio, que se queixou do encontro: — Fizeram uma reunião para não decidir nada.

Após a temperatura subir, Araújo pediu para que só os candidatos e os ex-presidentes da sigla permanecessem no local, e foi obedecido.

Almeida se indignou e, dedo em riste, chamou o interlocutor de “sórdido e cínico”. Na sequência, Almeida, Doria e Virgílio abandonaram a sala.

A discordância se deu em torno da melhor saída para solucionar a ineficiência da ferramenta, única alternativa à grande maioria dos filiados. Apenas os nomes mais importantes do partidos, detentores de cargos eletivos, podiam votar presencialmente nas urnas eletrônicas instaladas em Brasília. Doria e Virgílio eram favoráveis à extensão do prazo de votação até o dia 28, domingo que vem. A dupla soltou uma nota oficial para marcar posição.

Em conversa com jornalistas, Doria foi mais incisivo:
— É preciso ter uma única palavra e uma atitude. Não é possível falar uma coisa e dez minutos depois outra, e quinze minutos depois outra. Só há uma atitude: que as prévias sejam concluídas no próximo domingo.

Virgílio, por sua vez, atacou o deputado Aécio Neves (MG), que estaria trabalhando em favor de Leite.

— Eu considero o PSDB um caminhão de maçãs boas, mas tem uma que está estragando as outras: Aécio Neves — disse.

Já Eduardo Leite defendeu que as prévias fossem concluídas até amanhã. Para ele, se a eleição ficar para o próximo final de semana, o resultado seria “ilegítimo”.

— Não é razoável pedir o adiamento em uma semana. Queremos a sua conclusão até a terça-feira. Depois disso, estaremos diante de um novo processo, que vai ensejar a reabertura de uma nova campanha […]. Dilatar esse prazo para até domingo que vem é uma alteração muito mais violenta que vai acabar gerando questionamentos — argumentou.

Leia também

Siga o Diário da Manhã no Google Notícias e fique sempre por dentro

edição
do dia

Impresso do dia