Política

Thiago: reforma tem que passar pelo 1º escalão

Redação DM

Publicado em 5 de janeiro de 2017 às 01:39 | Atualizado há 2 anos

O deputado federal Thiago Peixoto (PSD-GO) iniciou 2017 às voltas com uma polêmica: ele propôs ao governador Marconi Perillo (PSDB) que faça a reforma administrativa que está em curso chegar ao primeiro escalão do governo, que é onde se tem oportunidade de fazer a diferença. Aliado próximo de Marconi, o parlamentar entende que é preciso oxigenar a administração e dar espaço a novos valores que estão em segundo plano atualmente. “A mudança que ele (o governador) propõe tem que ser feita de cima para baixo. Penso que o bom governo é aquele que se mostra com capacidade para constante renovação. E isso, é claro, pode vir por meio de projetos e ideias. Mas é evidente que também passa por pessoas”, disse o deputado nessa entrevista exclusiva ao Diário da Manhã. A boa relação com Marconi leva o deputado a reconhecê-lo como um nome de relevância nacional com potencial para alçar voos mais altos. “História e consistência para isso ele tem. Como eu disse: ele tem pouco mais de 50 anos e é um dos principais líderes do Brasil. Se o nome dele não for considerado forte, não sei qual seria”, acrescentou. Thiago também fez uma avaliação a respeito de seu trabalho em 2016, quando optou por deixar o governo (era secretário de Desenvolvimento) e reassumir o mandato na Câmara dos Deputados. Ele acredita que fez a escolha certa porque pôde participar de importantes debates nacionais, como o impeachment de Dilma Rousseff, a cassação de Eduardo Cunha e a aprovação da PEC do Teto dos Gastos e da Reforma do Ensino Médio. Thiago também se destacou por defender temas modernos, como a regulamentação de aplicativos de transporte como o Uber. O deputado acredita que 2017 será melhor do que foram 2015 e 2016 e espera que a economia dê sinais de recuperação.

 

 

Confira entrevista completa

 

Diário da Manhã – Vamos começar falando sobre um assunto recente. Esta semana o senhor deu declarações de que sugeriu ao governador fazer reforma administrativa também no primeiro escalão. É isso mesmo?

Thiago Peixoto – Sim. Na última semana de 2016, estive com o governador Marconi Perillo em Goiânia. Conversamos longamente sobre vários assuntos relativos a Goiás, ao Congresso Nacional e ao País. Ele disse então sobre a reforma administrativa que havia sido anunciada e perguntou minha opinião. Disse claramente a ele que a reforma precisa ocorrer também no primeiro escalão, pois é ali que se tem a oportunidade de fazer a diferença. A mudança que ele propõe tem que ser feita de cima para baixo. Penso que o bom governo é aquele que se mostra com capacidade para constante renovação. E isso, é claro, pode vir por meio de projetos e ideias. Mas é evidente que também passa por pessoas. As grandes mudanças são feitas por gente capaz de fazer a diferença.

 

DM – O senhor quer dizer que a atual equipe está esgotada?

Thiago – Não é bem assim. Temos que pensar que, na metade do governo, os atuais secretários já apresentaram bons resultados. Mas é preciso ir além. É preciso se superar. E penso que isso virá com a entrada de novos quadros que não têm espaço no primeiro escalão. Temos bons valores em Goiás que podem ser aproveitados para fazer essa oxigenação do governo.

 

DM – Mas por que o senhor considera isso tão importante a essa altura? Não seria melhor manter o grupo para continuar o trabalho que está sendo feito?

Thiago – O Brasil está vivendo um momento de crise e Goiás não está imune a isso. E reafirmo: precisamos ir além. Precisamos avançar. Eu entendo que o governo precisa de gente nova. Quando o governo não se renova com novas ideias e novos quadros, acaba sendo substituído nas eleições. Existe uma nova geração disposta a trabalhar e que tem muito a acrescentar. Já que o governador está disposto a fazer uma mudança, penso que quanto maior, melhor. Isso significaria abrir espaço para um diálogo mais aberto com a sociedade e nova energia para a gestão. Se o próprio governador disse que existem auxiliares acomodados dentro do governo e que ele quer mudar isso, creio que precisa dar o exemplo logo com seus auxiliares mais diretos, que são os secretários.

 

DM – Mas o senhor mesmo foi secretário até a uns meses. Isso não o colocaria em situação ruim com seus ex-colegas?

Thiago – Não tenho nada contra os atuais secretários, mas tenho a favor da entrada de novos quadros com poder de decisão, representantes de uma nova geração com mais diálogo com a sociedade e que tragam nova energia ao governo.

 

DM – Como o governador recebeu essa opinião?

Thiago – Como sempre recebe: com boa vontade e atenção. O governador Marconi é um dos maiores líderes do Brasil na atualidade e não chegou aonde chegou por acaso. Com pouco mais de 50 anos, ele já foi deputado estadual, deputado federal, senador e é governador de quatro mandatos. Ele se tornou quem é graças a uma grande liderança e capacidade de articulação mas, também, por saber ouvir. Se ele vai executar algo do que sugeri, não sei, mas fiz a minha parte dando minha opinião.

 

DM – O senhor teve um encontro recente com o presidente Michel Temer. Sobre o que conversaram?

Thiago – Nos encontramos em Brasília, no Palácio do Planalto, no dia 20 de dezembro. Foi uma audiência particular. Conversamos sobre vários assuntos, entre eles as principais matérias aprovadas pelo Congresso Nacional em 2016 de interesse do governo, como a PEC do Teto dos Gastos e a Reforma do Ensino Médio. Conversamos também sobre a agenda que será seguida em 2017. Será levada adiante a Reforma da Previdência, que precisa ser debatida de fato, e algumas outras medidas importantes.

 DM – O governo Temer vem sendo marcado por baixos índices de popularidade. Ele não está preocupado com isso?

Thiago – Muito pelo contrário. É justamente por não estar preocupado com popularidade que ele está disposto a fazer um governo reformista. Como não pretende ser candidato à reeleição, ele não está preso na jaula da popularidade eleitoral. Ele fará as mudanças que muitos presidentes quiseram fazer, mas não tiveram coragem.

 

DM – Mas será que as medidas de Temer darão resultados?

Thiago – Ele vem adotando medidas para dar condições de governabilidade a ele mesmo e a governos futuros. Li um texto dia destes em que um analista comentava que Temer iria plantar para que outros colhessem. E é mais ou menos isso o que vai ocorrer. De toda forma, o Brasil está rompendo, ainda que lentamente, com o estado de paralisia que imperou no início do segundo governo Dilma Rousseff. Aquela tempestade perfeita, de crise econômica e política se retroalimentando, aos poucos começa a ser superada.

 DM – Mas ainda não é muito cedo para dizer isso?

Thiago – Eu não disse que a crise está superada. Eu disse que já começamos a ter uma reação positiva. Afinal, essa é a pior crise econômica da história brasileira e não iremos sair dela com passes de mágica. Ela exige medidas austeras, como as propostas pela PEC dos Gastos. Mas o ministro Henrique Meirelles vem fazendo um trabalho brilhante na condução do Ministério da Fazenda. O pacote de medidas para aquecimento da economia apresentado no final do ano passado dará algum fôlego já nos primeiros meses do ano. Uma medida interessante no pacote é, por exemplo, a liberação dos saques para contas inativas do FGTS.

 

DM – O senhor falou sobre a PEC 241 (e depois 55, no Senado), que propôs limites para os gastos públicos e que foi aprovada pelo Congresso. Não se trata de uma medida muito radical?

Thiago – De maneira alguma. Não existe essa história de congelamento de investimentos e de programas sociais. Isso é cortina de fumaça lançada pela atual oposição, que, aliás, foi grande responsável por ajudar a colocar o País na situação difícil em que se encontra. O governo passado mergulhou o Brasil na pior crise em 120 anos justamente por não ter controle nos gastos. É preciso frear a gastança e, mais do que isso, é importante discutir a qualidade e eficiência do que é gasto. Dinheiro existe, só precisamos ter capacidade de gestão para que ele chegue de fato às pessoas, lugares e programas de precisam.

 

DM – O governo Temer vem sendo cobrado por não dar espaço ao diálogo, por não debater os temas com a sociedade. Isso de fato ocorre?

Thiago – Não vejo assim. Engraçado que a ex-presidente Dilma não conversava, por exemplo, com os deputados e senadores e ninguém dizia nada. O presidente Temer já recebeu mais parlamentares nestes meses do que a ex-presidente em todos os seus anos. E o Congresso, afinal de contas, é o representante legítimo dos interesses dos Estados e da sociedade brasileira.

 

DM – Mas não faltou mais discussão, por exemplo, na Reforma do Ensino Médio?

Thiago – Outra inverdade que foi divulgada por pessoas que só querem criticar, mas que não estão dispostas a avançar. Você sabia que esse novo modelo do Ensino Médio já vem sendo discutido há vários anos e que nunca avançou de fato? O que o presidente Temer fez? Ele editou uma Medida Provisória com base em um relatório amplamente discutido nos últimos anos no Congresso. Como MP exige urgência na tramitação, ele forçou a discussão sobre o tema. A reforma é positiva, pois foca no aluno e lhe dá um protagonismo que não existia antes no ensino público. Temos que parar de ficar apenas atirando pedras sem conhecimento de causa. Nossa Educação está com sérios problemas. E situação urgente exige medidas emergenciais.

 

DM – O que o senhor acha sobre a Reforma da Previdência?

Thiago – É um assunto complexo. Mas creio que precisa ser debatido e mudanças precisam ser implantadas. Precisamos resolver isso hoje para que, no futuro, todos tenham o que receber. Porque não adianta nada deixar as coisas da forma como estão para, em algum tempo, a Previdência quebrar e ninguém receber mais. Precisamos parar com imediatismos e pensar a médio e longo prazo.

 

DM – O senhor acredita que fez uma escolha certa ao voltar para Brasília?

Thiago – Não tenho dúvida disso. Foi bom para mim, do ponto de vista político, e também para Goiás. Em Brasília, participo de grandes discussões e defendo os interesses de meu estado.

 

DM – O que o senhor destacaria de discussão importante da qual participou?

Thiago – Já falei aqui da Reforma do Ensino Médio e da PEC dos Gastos. Também pretendo participar da comissão da Reforma da Previdência. Antes disso, participei do impeachment da ex-presidente Dilma e da cassação do ex-deputado Eduardo Cunha. Votei favorável nos dois casos. Não tenho dúvidas de que 2016 foi um ano muito movimentado.

 

DM – Como o senhor se posicionou na questão das 10 medidas contra a corrupção?

Thiago – Fui favorável ao relatório que foi aprovado na comissão. Em plenário, me coloquei contra as mudanças que considerei negativas, como na parte que tratou de responsabilização para Ministério Público e Judiciário. É claro que isso seria entendido como uma resposta a investigações que estão sendo feitas. Creio que está faltando sintonia do Congresso com a sociedade. Precisamos estar mais atentos ao que as pessoas pensam aqui fora. É claro que não iremos concordar com tudo, mas precisamos estar abertos ao diálogo. Precisamos ouvir mais.

 

DM – O senhor também participou de alguns debates de assuntos de vanguarda, como o caso do Uber?

Thiago – Sim. Trabalhei bastante nessa questão da regulamentação de aplicativos como o Uber. Mas, mais do que defender a necessidade de colocá-los à luz da legislação, defendi o direito de escolha do cidadão. A pessoa tem que ter opção de mobilidade pelas cidades. Se ela quer ir de táxi, mototáxi, ônibus, Uber ou qualquer outro aplicativo que já existe, precisa existir esse direito de escolha. Como legisladores, não podemos limitar e sim ampliar as facilidades para as pessoas. No ano passado, fiz uma movimentação e conseguimos derrubar um projeto que pretendia proibir os aplicativos digitais de transporte. Em 2017, esse assunto voltará à pauta e continuarei na mesma linha de atuação: defendendo o direito de escolha das pessoas.

 

DM – O senhor também defendeu a descriminalização da maconha. Não acha que esse assunto é muito polêmico?

Thiago – Não tenho medo de temas polêmicos. Defendo que é preciso, sim, discutir a questão da maconha. Se será descriminalizar, liberar uso recreativo ou medicinal, não sei. Se será o modelo uruguaio, norte-americano ou europeu, também não sei. Mas creio que o assunto precisa ser tratado com muita responsabilidade e livre de radicalismos e preconceitos. Afinal, a guerra contra as drogas não surtiu nenhum efeito. Ela fracassou no mundo todo. Tanto que os Estados Unidos, que encabeçaram uma verdadeira guerra a partir dos anos 1960, mudaram de postura e vários estados estão descriminalizando e regulamentando o uso da maconha. Sobre o assunto, sugiro a vocês assistirem ao documentário Quebrando o Tabu, que tem o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso como protagonista. Está disponível no Netflix. Assistam que vocês passarão a ter uma nova visão sobre o assunto.

 

DM – O senhor se diz aliado do governador Marconi Perillo, mas não concordou com a proposta de redução dos incentivos fiscais. Isso não é contraditório?

Thiago – De maneira alguma. Creio que o verdadeiro amigo, o verdadeiro aliado, é aquele que alerta caso o outro esteja prestes a tomar uma decisão errada. E creio que a redução de incentivos fiscais fere de morte uma política de desenvolvimento que garantiu a inserção de Goiás na Economia nacional. Nosso estado era periférico até a adoção dessas medidas que nos colocaram no mapa da competitividade. E o governador Marconi foi quem soube trabalhar com maestria essa política. Em um momento em que vários estados estão reduzindo incentivos, Goiás tem é que ir no sentido contrário, ser agressivo e atrair mais investimentos. Isso é o que penso.

 

DM – O senhor já definiu seu futuro político? Será candidato à reeleição ou concorrerá a outro cargo?

Thiago – No momento não estou preocupado e nem pensando nisso. Meu foco é continuar fazendo meu trabalho na Câmara dos Deputados.

 

DM – O senhor acha que o governador Marconi Perillo tem condições de disputar um mandato nacional?

Thiago – O governador Marconi Perillo tem totais condições de alçar voos mais altos. Ele pode, sim, almejar destaque nacional. História e consistência para isso ele tem. Como eu disse: ele tem pouco mais de 50 anos e é um dos principais líderes do Brasil. Se o nome dele não for considerado forte, não sei qual seria.

 

DM – Qual a previsão que o senhor faz para 2017?

Thiago – Será um ano de muito trabalho. Mas será um ano melhor do que foram 2015 e 2016. A Economia já dá sinais de reação. Além disso, quero destacar aqui o trabalho que está sendo iniciado pelos prefeitos eleitos em 2016. Eles terão muitos desafios pela frente. Não será fácil, mas eles precisam ter consciência de que a construção de um Goiás e um Brasil melhor depende deles. Da minha parte, estarei à disposição em Brasília, trabalhando pelos projetos que possam fazer de Goiás um estado sempre melhor.


A reforma precisa ocorrer também no primeiro escalão, pois é ali que se tem a oportunidade de fazer a diferença. A mudança que o governador propõe tem que ser feita de cima para baixo”

História e consistência para isso ele (Marconi Perillo) tem. Como eu disse: ele tem pouco mais de 50 anos e é um dos principais líderes do Brasil. Se o nome dele não for considerado forte, não sei qual seria”

Trabalhei bastante nessa questão da regulamentação de aplicativos como o Uber. Mas, mais do que defender a necessidade de colocá-los à luz da legislação, defendi o direito de escolha do cidadão. A pessoa tem que ter opção de mobilidade pelas cidades”

 

 

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