Política

Torres, calado, não revela o que sabe sobre a “minuta do golpe”

Redação DM

Publicado em 19 de janeiro de 2023 às 15:07 | Atualizado há 4 anos

Preso há cinco dias por suposta omissão ante os atos golpistas do último dia 8, o ex-ministro da Justiça do governo Jair Bolsonaro, delegado Anderson Torres, ficou em silêncio na manhã desta quarta-feira, 18, em audiência à Polícia Federal. O procedimento ocorreu no 4° Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, onde o ex-ministro ocupa Sala de Estado Maior desde que chegou dos Estados Unidos, no sábado, 14, após passar férias com a família.

Segundo interlocutores do aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro, a estratégia foi adotada porque sua defesa não teve acesso à investigação. A oitiva frustrada durou cerca de uma hora. Torres respondeu apenas que ‘não tem nada a declarar’. O delegado Alexandre Camões Bessa, que comanda a investigação dos atos golpistas do dia 8 de janeiro, conduziu o interrogatório.

O jornal O Estado de São Paulo informou na segunda, 16, que Torres vinha se preparando para negar ter conhecimento de que os atos antidemocráticos do dia 8 pudessem escalar para uma violência ao ponto que chegaram, com invasão e destruição dos prédios dos três Poderes. Contudo, o pool de advogados avaliou, desde então, que esse discurso poderia não ser bem recebido, já que o Ministério da Defesa enviou um alerta de segurança à SSP-DF no dia anterior, 7 de janeiro.

Além de se explicar sobre a falha na segurança durante os atos do dia 8, Torres também foi questionado no depoimento sobre o documento encontrado em sua casa pela PF que vem sendo chamado de ‘minuta do golpe’.

Como mostrou o Estadão, o documento encontrado na residência de Torres é considerado uma ‘tentativa inconstitucional e frustrada de derrubar o novo governo’. O documento defendia a necessidade de intervenção no TSE para garantir o ‘pronto restabelecimento da lisura e correção do processo eleitoral presidencial’ de 2022. O texto afirma que elas foram ‘descumpridas’ em ‘grave ameaça à ordem pública e à paz social’.

Torres é alvo de inquérito ao lado do governador afastado Ibaneis Rocha (MDB), do ex-secretário de Segurança Pública interino do DF Fernando de Sousa Oliveira e do ex-comandante geral da Polícia Militar do DF Fábio Augusto Vieira. A apuração, aberta a pedido da procuradoria-geral da República, mira supostas ‘condutas omissivas e comissivas’ das autoridades ante aos atos golpistas do dia 8.

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