Trégua entre Flávio e Michelle não elimina clima de desconfiança nos bastidores do PL
DM Redação
Publicado em 27 de julho de 2026 às 07:45 | Atualizado há 17 minutos
A reconciliação pública entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro não foi suficiente para dissipar o ambiente de desconfiança que tomou conta da campanha presidencial do partido. Apesar das manifestações públicas de apoio, aliados dos dois lados relatam que a aproximação ocorreu por conveniência política e familiar, sem que as divergências tenham sido completamente superadas.
Nos bastidores, pessoas próximas a Michelle afirmam que a ex-primeira-dama decidiu reduzir a tensão após o desgaste provocado pela briga pública com o enteado, mas descartam qualquer possibilidade de ela integrar a chapa presidencial como vice. Segundo esse grupo, o gesto teve como objetivo preservar a unidade da família Bolsonaro em um momento delicado da campanha, e não representar adesão ao projeto político de Flávio.
Já no entorno do senador, a leitura é diferente. Integrantes da campanha avaliam que Michelle mantém um projeto político próprio e estaria preparada para assumir o protagonismo do grupo caso a candidatura de Flávio enfrente novos obstáculos até as eleições. A percepção reforça o clima de cautela dentro da campanha, considerada por aliados como instável desde o início da corrida eleitoral.
A trégua ganhou visibilidade durante a convenção nacional do PL, quando Michelle enviou uma mensagem em vídeo desejando sucesso à candidatura do senador. A participação, no entanto, foi discreta: ela fez apenas uma breve referência a Flávio e concentrou o restante do pronunciamento em outros temas, o que também alimentou interpretações distintas entre os aliados.
A candidatura de Flávio Bolsonaro enfrenta desafios adicionais, como dificuldades para ampliar alianças partidárias, definir um vice e conter sucessivas crises políticas que marcaram sua pré-campanha. Analistas avaliam que, embora a reconciliação familiar ajude a reduzir o desgaste público, ainda será necessário reconstruir pontes dentro e fora do bolsonarismo para fortalecer o projeto eleitoral.