Trump ou Hillary Clinton: quem é, hoje, a maior ameaça?
Redação DM
Publicado em 5 de novembro de 2016 às 01:47 | Atualizado há 1 ano- Gilberto Maringoni afirma que a democrata se alia, hoje, aos falcões palacianos belicistas
- Breno Altman frisa que republicano é vertente racista, misógina, homofóbica e xenófoba
- Romualdo Pessoa Campos Filho aponta crise econômica de 2008 ainda hoje não superada
- David Maciel aponta que os conservadores apontam perspectivas “fascistas e imperialistas”
– Donald Trump e Hillary Clinton são duas ameaças.
É o que afirma com exclusividade ao Diário da Manhã o professor do Departamento de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC [SP] Gilberto Maringoni, doutor em História Social pela USP. A democrata que quer chegar à Casa Branca, como o marido Bill Clinton, cada vez mais se alia, hoje, aos “falcões palacianos” em seu impulso belicista contra a Rússia e os que considera contrários aos “interesses americanos”, analisa o autor do celebrado pela crítica A Venezuela que se inventa: poder, petróleo e intriga nos tempos de Chávez [2014].
– Já o republicano vocaliza o ressentimento de uma classe média empobrecida, que vê na imigração a fonte de seus males.
O pesquisador universitário especialista em América Latina, com livros publicados sobre a Venezuela e o socialismo do século XXI de Hugo Chávez, líder socialista morto no dia 5 de março do ano de 2013, avalia também que o suposto outsider “pato” Donald Trump pode descambar para o que classifica como “um fascismo de resultados”. Com consequências também nefastas para o mundo globalizado, explica, preocupado, Gilberto Maringoni.
– Donald Trump é uma ameaça de retrocesso para os direitos do povo norte-americano.
Diretor-editorial do site www.operamundi.uol.com.br, o jornalista Breno Altman, especialista em política internacional, informa que ele representaria uma vertente racista, misógina, homofóbica e xenófoba do pensamento conservador. O seu programa, além de convocar os piores demônios da direita, quer expurgar o país de grupos sociais e raciais cujo peso no orçamento público dificultam reduzir os impostos para os mais ricos, denuncia ele.
A cara dos EUA
– Trata-se da face real dos Estados Unidos.
É assim que define o candidato republicano o doutor em Geografia e historiador da Universidade Federal de Goiás [UFG] Romualdo Pessoa Campos Filho. De linhagem marxista, ele afirma que Donald Trump consegue ser o que a Hillary Clinton finge que não é. Os EUA são um país enredado em um crise estrutural que já vem de mais de dez anos, consequência de suas próprias loucuras, ou das loucuras dos inimigos que eles próprios criam, pontua.
– Como Trump chegou onde chegou?
Senão dentro da estrutura de um Estado que serve à acumulação de riqueza de poucos em detrimento do empobrecimento crescente de poucos, destaca. Os EUA, dentre os países desenvolvidos, é aquele que apresenta o maior índice de desigualdades sociais, e onde a intolerância religiosa racial chegou a níveis insuportáveis, sublinha. Donald Trump é criação desses tempos, e é o real pronto e acabado dos EUA, ataca o autor de A Esquerda em Armas, que aborda a guerrilha do Araguaia.
– É uma ameaça para os próprios EUA, ele ameaça a imagem de um país democrático, cujo modelo é vendido ao mundo com sendo o ideal.
Romualdo Pessoa Campos Filho diz que trata-se de propaganda enganosa, feita por conglomerados midiáticos, que esconde a real face daquele país. Hillary Clinton, principalmente em política externa, não fará diferente do que Donald Trump promete fazer, analisa. O tratamento que ela dará aos de religião islâmica não será muito diferente, acredita. Diferenças existem, naturalmente, se não eles estariam no mesmo partido, esclarece.
– Hillary Clinton é, porém, mais tolerante e com um discurso mais equilibrado do que o de Donald Trump.
Doutor do Departamento de História da Universidade Federal de Goiás, um dos últimos marxistas da instituição de ensino superior, um professor de pensamento ilustrado, David Maciel é taxativo. Donald Trump é uma ameaça porque manifesta uma clara perspectiva persecutória no plano interno contra imigrantes, islâmicos e minorias, apresentando uma plataforma claramente conservadora que flerta com o fascismo e porque no plano externo expressa uma orientação imperialista, atira ele.
– Além de agressiva, que tende a desestabilizar ainda mais o cenário internacional e acirrar a disputa interimperialista.
Conservadorismo
Velho professor de História de tintura marxista, Reinaldo de Assis Pantaleão insiste também ao Diário da Manhã que Donald Trump representaria o que há de mais conservador na política dos EUA. O próprio Partido Republicano já abandonou qualquer perspectiva de vitória nas eleições de novembro, no país, acredita. A página do pleito de 2016 já está virada, dispara. Dona Hillary Clinton já ganhou, calcula, sem meias palavras, como define ele, o “enfant terrible” da área de História em Goiás.
– Não haverá surpresas! [É o que projeta Reinaldo de Assis Pantaleão].
O republicano Donald Trump executa uma performance ridícula de um outsider na política dos EUA, fuzila. O “pato” representa uma inversão no ciclo político progressista, adianta. Ideais fascistas ressurgem, porém, no mundo inteiro, registra. Na Inglaterra, Áustria e Espanha a direita avança, frisa. Os direitos trabalhistas do Welfare State são duramente atacados na França, reage. Qualquer um que governa os EUA atende ao complexo industrial militar, desabafa Reinaldo de Assis Pantaleão.
– O perfil do republicano é de “fundamentalismo de direita”.
Guerras
Marxista desde 1968, Isaura Lemos ataca, primeiro, o democrata Barack Obama, presidente dos EUA. Ele manteve as guerras do Afeganistão e Iraque, quer invadir a Síria, esteve na Líbia, um país, hoje, desestabilizado, denuncia. Donald Trump e Hillary Clinton não devem ser muito diferentes, crê. Mas Donald Trump é misógino, racista, homofóbico, xenófobo e fascista, metralha ela. Um retrocesso grave, diz. Bernie Sanders era uma alternativa melhor para os democratas em 2016, aponta ela.
– Hillary Clinton também é conservadora e retrógrada!
Renato Dias, 49 anos, é graduado em Jornalismo, formado em Sociologia, especialista em Políticas Públicas, com curso de Gestão da Qualidade, e é mestre em Direito e Relações Internacionais. Escritor, lança, em dezembro, livro sobre a crise na Grécia, a ascensão do Siryza e o papel da Troika. É autor da seguinte obra – Cuba, hoje – Uma revolução envelhecida ou a reinvenção do socialismo? O reatamento entre Havana e a Casa Branca. Contato: [email protected]
