Vereadores não concordam que PMDB entregue cargos
Redação DM
Publicado em 21 de novembro de 2015 às 22:18 | Atualizado há 11 anosOs sete vereadores do PMDB na Câmara de Goiânia – Mizair Lemes Júnior, Wellington Peixoto, Célia Valadão, Clécio Alves, Denício Trindade, Eudes Vigor, e Izídio Alves – não respaldam a proposta do vice-prefeito Agenor Mariano (PMDB) e do deputado estadual Humberto Aidar (PT), de que os peemedebistas devam entregar os cargos que ocupam na administração Paulo Garcia (PT), diante do iminente rompimento entre as duas legendas.
O PMDB de Iris Rezende ocupa tem três secretários na gestão Paulo Garcia: Fernando Machado (Saúde), Paulo Borges (Desenvolvimento Econômico) e Trânsito (Andrey Azeredo), além de dezenas de cargos comissionados nos segundo e terceiro escalões, a maioria indicados pelos vereadores do partido.
Com a exoneração de Ormando Pires Júnior da presidência da Comurg, mais um auxiliar ligado ao PMDB foi afastado da prefeitura. Ormando é primo de Agenor Mariano e teria sido nomeado na cota do vice-prefeito peemedebista. Agenor nega que tenha indicado Ormando é que o ex-presidente da Comurg é filiado ao PT.
A crise entre PMDB e PT surgiu a partir das declarações do vice-prefeito Agenor Mariano, posicionando-se contrário à aprovação, pela Câmara, de reajuste do IPTU/ITU, em 25%, agravada com a troca de farpas entre o ex-prefeito Iris Rezende e o prefeito Paulo Garcia.
Mizair Lemes Júnior, ex-presidente do PMDB Metropolitano, diz integrar a base do prefeito Paulo Garcia na Câmara Municipal e antecipa voto favorável ao aumento do IPTU/ITU. “Quem não tem intenção de caminhar junto com a administração deve entregar cargos que eventualmente tenha indicado na prefeitura.”
Wellington Peixoto, recém filiado ao PMDB, também reafirma compromisso com a base do prefeito Paulo Garcia e diz que o partido deve permanecer leal ao Paço. “O vereador que sair da base deve entregar os cargos ao prefeito”.
Clécio Alves e Célia Valadão sustentam que o PMDB não tratou da questão sobre rompimento com o PT e muito menos em relação a entrega de cargos ao prefeito. “São assuntos do partido e serão tratados no momento oportuno”, desconversa Clécio. Sobre o reajuste do IPTU/ITU, Clécio diz não ter posição tomada. “Quero ouvir todo mundo ainda.”
A ex-líder do prefeito na Câmara, Célia Valadão diz que prefere aguardar posicionamento do PMDB Metropolitano sobre relações com o PT e o aumento do imposto.
Denício Trindade evita comentar sobre a proposta de Agenor Mariano e Humberto Aidar sobre a entrega dos cargos por parte do PMDB. “Humberto deveria se preocupar com as questões estaduais. Depois, todos os projetos na Casa de leis devem ser discutidos. Não acho que tenha que entregar cargos. Todo parlamentar tem direito a dizer sim ou não.”
Ezídio Alves sustenta que o PMDB não pode romper com um prefeito que ajudou a eleger e cuja administração faz parte. Para ele, a hora é de unir em torno dos “interesses maiores” da população goianiense e desarmar os espíritos. “Precisamos dialogar mais.”
Eudes Vigor é de opinião que o PMDB tem responsabilidades com Goiânia e que qualquer decisão sobre rompimento com o PT ou entrega de cargos ao Paço deve ser tomada pelo conjunto do partido. “Não aprovo decisões isoladas.”
Agenor Mariano
Vereadores do PMDB e da oposição consideram “oportunismo” do vice-prefeito Agenor Mariano se posicionar agora contrário ao reajuste de 25% do IPTU/ITU, proposto pelo prefeito Paulo Garcia.
Geovani Antônio (PSDB) lembra que, em 2014, foi o próprio Agenor Mariano quem encaminhou proposta à Câmara de reajuste do IPTU/ITU em até 1.000% em algumas regiões da cidade. “O vice-prefeito deveria pedir desculpas à sociedade goianiense.”
Elias Vaz (PSB) diz que falta “coerência” ao vice-prefeito:“Quando vai se avizinhando o período eleitoral, parece que acontece uma mágica nos políticos. Falta coerência ao vice-prefeito, ele deveria mesmo pedir desculpas à sociedade.”
Pedro Azulão Júnior (PSB) acusa Agenor Mariano de “oportunista: “Agora que se trata de uma matéria que tem clamor popular, o vice-prefeito pega dois canivetinhos, põe as manguinhas de fora e ataca o prefeito?”
Djalma Araújo (Rede) diz que Agenor Mariano pertence à banda do PMDB que trai o prefeito Paulo Garcia já pensando nas eleições de 2016. “Agenor Mariano precisa ter coerência, respeitar a população. O vice-prefeito cumpre ordens do chefe, Iris Rezende.”