Saúde

Preocupação com necrópoles aumenta na pandemia

A inexistência de leis federais sobre o gerenciamento das necrópoles mostra também a fragilidade da gestão de bens e funcionários fúnebres durante a pandemia

diario da manha
Foto: Magno Barros/Reprodução

As necrópoles eram bastante usadas durante as guerras devido ao número imenso de óbitos. Originário do grego koimeterion, e do latim coemeterium, significa local de repouso, dormitório, de acordo com o dicionário Origem da Palavra. No entanto, enterros em massa em cemitérios não planejados tem sido a principal ameaça dos lençóis freáticos. Deste modo, os impactos ambientais e transmissão de doenças podem afetar quem vive nessas áreas ou trabalha ali a médio e longo prazo.

Contudo, geólogos, engenheiros ambientais e especialistas em saúde pública alertam para a riscos que estas necrópoles apresentam. Além disso, a geógrafa Rosiane Bacigalupo destaca que, após o óbito, cada corpo decomposto libera cerca de 30 a 40 litros de necrochorume. No artigo “Cemitérios: Fontes potenciais de impactos ambientais”, o necrchorume é definido como uma solução viscosa, composta principalmente por água. Porém, é rico em sais minerais e substâncias orgânicas desagradáveis.

Além disso, o professor Alberto Pacheco da Universidade de São Paulo (USP), destaca que o problema pode se agravar, pois foram construídos em locais de baixo valor imobiliário. Deste modo, a ausência de estudos geotécnicos agrava a situação .

Cemitérios e saúde pública

Conforme o coronavírus avança a preocupação com as necrópoles tornou-se os menosabastados da sociedade. De acordo com a geógrafa Frascisleile Lima, as consequências da construção de cemitérios em meio urbano vão além da microbiologia.

“A água subterrânea é mais atingida pela contaminação por vírus e bactérias. Nascentes naturais ou poços rasos conectados ao aquífero contaminado podem transmitir doenças de veiculação hídrica, como tétano, gangrena gasosa, toxi-infecção alimentar, tuberculose, febre tifoide, febre paratifoide, vírus da hepatite A, dentre outras.”

Afirma Frascisleile ao Metrópole.

Além disso, Frascisleile destaca a inexistência de leis federais sobre o gerenciamento das necrópoles. Com isso, mostra também a fragilidade da gestão de bens e funcionários fúnebres durante a pandemia.

Foto destaque: Magno Barros/Reprodução

Comentários