Saúde

Um em cada 10 adultos têm diabetes

Um estilo de vida não saudável, com sedentarismo e uma alimentação rica em fast-food, açúcar e alimentos industrializados são os principais responsáveis pelo aumento da doença

diario da manha

Depois do almoço ou de alguma refeição muitos tem como costume comer algum tipo de doce, mas é preciso estar atento, pois segundo os dados da Federação Internacional de Diabetes (IDF sigla em inglês), o número de pessoas com a doença teve um aumento de 16%.

Os números mostram que no ano de 2019, pelo menos um em cada 10 adultos passaram a ter o diagnóstico de diabetes. A Endocrinologista, Pryscilla Moreira explica que a diabetes ela está relacionada a um estilo de vida não saudável, que faz com que o paciente ganhe peso, e desenvolva a diabetes tipo 2.

Endocrinologista: Pryscilla Moreira explica a razão do número de pacientes com diabetes terem aumentado

“Paralelamente nós tivemos um aumento do sobrepeso e da obesidade, tanto no mundo quanto no Brasil. E os últimos dados mostram que mais da metade da população brasileira está acima do peso, com mais de 20% com diagnóstico de obesidade. E esse aumento da obesidade traz consigo o aumento de outras doenças como diabetes, hipertensão, alteração do colesterol, doenças articulares né, que tem tudo haver com a obesidade e o sobrepeso”, explica.

Outro ponto salientado por Pryscilla é a questão de ter um estilo de vida muito ruim, com sendentarismo, uma alimentação rica em fast-food, rica em açúcar e em alimentos industrializados. Ela lembra que uma pessoa com predisposição genética para desenvolver diabetes pode ter o processo acelerados em razão desse estilo de vida ruim. E que por essa razão os números divulgados pela IDF mostram que um em cada 10 adultos desenvolveram a diabetes.

“Na atualidade temos a infecção provocada pelo novo coronavírus, a Covid-19, que vários estudos mostram uma relação com o desenvolvimento da diabetes ou piora das pessoas que já tinham o quadro anteriormente”, comenta.

O que é a Pré-diabetes?

A médica explica também que existe a doença pré-diabetes, e salienta que não podemos subestimá-la, em razão de trazer o prefixo pré antes. De acordo com a profissional, a pré-diabetes já mostra uma alteração dos níveis de glicemia e do açúcar no sangue, porém, os níveis alcançados não são suficientes para serem considerados diabetes.

A Endocrinologista explica que mesmo que a pré-diabetes também pode provocar complicações cardiovasculares como as provocadas pela própria diabetes, alterações oculares, e renais.

“A orientação é para que seja feito o tratamento precoce da pré-diabetes também, no início do desenvolvimento dessas alterações. Pode ser que a mudança drástica no estilo de vida, drástica e permanente, pois não adianta mudar apenas por um tempo, ela faz com que esses níveis de glicemia voltem a normalizar, mas pode acontecer disso não ocorrer, e o paciente precisar logo de um tratamento medicamentoso que vai se manter pelo resto da sua vida”, informa.

Complicações provocadas pela doença

Pryscilla lembra que tanto a diabetes como a pré-diabetes podem provocar complicações em nosso organismo ao longo dos anos, principalmente para os pacientes que não fizeram o tratamento adequado para a doença, e que o nível de glicemia ficou alterado durante muito tempo. A Endocrinologista lembra que esse tempo varia de pessoa para pessoa, e que não há uma regra, e que por essa razão algumas pessoas podem desenvolver mais cedo essas complicações que podem ser mais leves ou mais graves.

“A história natural da doença justamente pelo aumento da glicemia e pelo processo oxidativo e inflamatório que esse aumento provoca nas células, fazem com que essas complicações se desenvolvam:

  • Retinopatia que pode levar uma pessoa a cegueira,
  • Alterações renais relacionadas a uma nefropatia ou doença renal diabética que pode levar a falência renal, e fazer com que o paciente necessite de uma hemodiálise,
  • Alterações dos nervos e dos vasos, pois o paciente passa a sentir cada vez menos os pés e qualquer machucado pode se agravar a ponto de precisar ser amputado
  • Doenças cardiovasculares que é o que mais mata o paciente diabético, são as doenças cardíacas, é o coração.

Então precisamos dar muita atenção a tudo isso e saber que o tratamento para diabetes não é apenas para diminuir a glicemia, mas evitar essas complicações”, ressalta.

Em relação a diminuir ou evitar a quantidade de doenças que consumimos, Pryscilla volta a lembrar que no caso da alimentação ser rica em doce, açúcar, carboidrato de alto índice glicêmico e de um estilo de vida não saudável, vai facilitar que pessoas com uma predisposição para desenvolver a doença, possa ter o diagnóstico de diabetes.

No entanto a profissional ressalta que pessoas sem essa predisposição, e em que o Pâncreas esteja em seu funcionamento adequado, podem comer os doces, que o órgão consegue liberar insulina para fazer com que o índice de glicemia volte a sua normalidade, o que já não é possível para pessoas com a predisposição para desenvolver a diabetes.

“O que precisa é de um equilíbrio, cada paciente é de uma forma. O tratamento também deve ser individualizado, assim como alimentação. Pode ser que em alguns casos precise ser mais rígido ali no início quanto ao consumo desses alimentos, e a medida se vai controlando a doença a gente consiga ficar um pouco mais flexível, mas certo que esses alimentos em quantidades exageradas vão piorar o quadro de quem tem diabetes”, explica.

Cabe aos pais saber regrar e colocar isso na dieta

Pryscilla lembra que há casos de crianças com diabetes tipo 2, em função delas terem uma predisposição para desenvolver a doença. Conforme a médica isso ocorre em razão de algum da fator genético, principalmente de um familiar de primeiro grau como pais, irmãos ou até segundos como os tios terem a doença, e isso aumenta as chances da criança desenvolve-la também. E ela alerta que cabe aos pais saber regrar e colocar isso na dieta da criança.

Outro fator lembrado pela profissional, é que se essa criança já tiver um sobrepeso ou obesidade, isso vai facilitar e aumentar as chances dela ter diabetes. E orienta os pais a evitarem com que o filho ou filha possa desenvolver a doença, a fazer com que a criança faça atividades físicas desde cedo, principalmente para aquelas que já tem alguém na família com diabetes tipo 2 e essa predisposição para desenvolver a doença.

“É claro que a criança é muito fã de doce, fã de guloseimas, mas cabe aos pais, aos adultos saber regrar isso, saber colocar isso na dieta da criança, quando realmente isso não for causar um mal para ela, e ai entra a importância desse acompanhamento multidisciplinar, inclusive com acompanhamento de um nutricionista, com educador físico, colocar essa criança para se movimentar para gastar calorias, tudo isso vai ajudar, tanto no controle de quem já tem a doença, quanto na prevenção do desenvolvimento”, finaliza.

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